No final de semana os alunos do curso de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) participaram do Trote Solidário, promovido desde 2008 pelo Núcleo Acadêmico do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (NAS-SIMERS). No sábado (6), calouros e veteranos passaram o dia se revezando entre os dois supermercados Peruzzo da cidade para pedir a colaboração da comunidade e conseguiram arrecadar 738 quilos de alimentos não perecíveis. Na sexta-feira (5), a ação foi dedicada à doação de sangue nos bancos da Santa Casa de Misericórdia e Hemopel. Ao todo, 56 alunos da Medicina, entre calouros e veteranos participaram da campanha.

O veterano Juber Ellwanger, 20, natural da cidade de Candelária/RS, fez questão de participar mais uma vez do Trote Solidário. O primeiro foi quando ingressou na universidade. “Acho que este trote é completamente diferente dos realizados pelos outros cursos e tem uma função humana. Esse trote ajuda com o recolhimento de alimentos e a doação de sangue. A UFPel é reconhecida por fazer alunos cada vez mais humanos”, destacou. O bixo Gabriel Santana, 18, de Pelotas, ficou surpreso com a receptividade da comunidade. “Achei a iniciativa muito legal, não esperava que as pessoas doassem tanto, o tempo passou muito rápido e pretendo, com certeza, participar das próximas edições do trote”.

A veterana Tuani Tabaldi, 25, natural de Porto Alegre, ressaltou a importância do trote sem sujeira e sem violência. “Participei da edição anterior, gostei muito de participar. A população aprova o trote solidário. O trote sujo não ajuda ninguém e isso que nós estamos fazendo é em prol da sociedade. Queremos que a doação de sangue vire um hábito, assim como a doação de alimentos. Eu quero continuar participando do Trote Solidário”, afirmou.
Para o pelotense Denis Fernandes, 27, a iniciativa do NAS-SIMERS e a colaboração dos alunos é elogiável. “Achei exemplar o que esses alunos estão fazendo, achei o trote impecável e todos deveriam ser assim, com esse formato. Os outros modelos de trote não trazem benefício para ninguém”. Para aposentada Zitamar da Cunha, 74, as universidades deveriam proibir os trotes que não têm uma finalidade social. “Outro dia fui no centro e tinha uns pintados pelas ruas e eu não aceito esse tipo de trote. Na minha época, na década de 1970, eu me neguei a participar do trote da minha turma e hoje estou achando maravilhoso ver essa gurizada engajada em uma causa social. Eles devem continuar assim, eles são um exemplo”, parabenizou.

A campanha de arrecadação de alimentos seria realizada no sábado das 9h às 18h, mas um grupo de quatro alunos da Medicina da UFPel pediu autorização para continuar no Peruzzo da avenida Adolfo Fetter até 21h – horário de encerramento das atividades no local. Eles destacaram a importância da atividade e o quanto estavam satisfeitos em poder participar e dar uma pequena contribuição para comunidade mais carente da cidade. Os alimentos foram recolhidos e encaminhados para o Banco de Alimentos da cidade pela presidente da entidade, Elena Engers. Ao todo foram arrecadados, nos dois supermercados Peruzzo, o total de 738 quilos de alimentos não perecíveis.

A primeira etapa do Trote Solidário em 2017 encerrou a campanha em Pelotas, mas envolveu estudantes do curso de Medicina de 14 universidades de oito cidades do Rio Grande do Sul. Em Pelotas, as instituições que participam da atividade foram a Universidade Católica de Pelotas (UCPel), nos dias 7 e 8 de abril e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) no último final de semana.

Projeto
Na edição de 2016, do Trote Solidário, foram arrecadadas 832 bolsas de sangue, beneficiando aproximadamente 3,3 mil pessoas (cada doação de sangue pode salvar até quatro vidas) e 34,6 toneladas de alimentos não perecíveis, que foram encaminhados ao Banco de Alimentos do Estado. Em 2015, foram 713 bolsas de sangue e 34 toneladas de alimentos.

Promovida desde 2008, a ação do NAS-SIMERS é uma parceria com turmas de veteranos das faculdades de Medicina e se tornou a maior iniciativa de recepção aos alunos que ingressam nas universidades, fugindo do tradicional trote dos alunos pintados. Em 2013 o projeto recebeu o prêmio TOP Ser Humano RS, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RS) e em 2014, o Trote Solidário foi reconhecido pelo prêmio TOP Ser Humano Nacional (ABRH Brasil).