Primeira fase da campanha começa na próxima segunda (7) e vai até 25 de outubro, com a meta de vacinar pelo menos 95% das crianças de seis meses a 5 anos em todo o país.

O governo federal lançou na tarde desta sexta-feira (4) a campanha nacional de vacinação contra o sarampo, e disse que vai distribuir “incentivo” financeiro de R$ 206 milhões aos municípios que cumprirem metas de cobertura da vacina. Em entrevista a jornalistas em Brasília, o Ministério da Saúde afirmou que, no período de 90 dias até 28 de setembro, o Brasil registrou 5.504 casos confirmados da doença em 19 estados, e seis pessoas morreram por complicações ligadas ao sarampo.

O valor do incentivo será pago em uma única parcela, e o valor total de R$ 206 milhões será dividido de acordo com a população de cada estado, fazendo o cálculo de R$ 1 por pessoa.

Além disso, R$ 333 milhões serão repassados para reforçar as equipes locais de profissionais de saúde, e outros R$ 19 milhões serão gastos na veiculação, na TV, internet, cinemas e outras mídias, de um comunicado informando sobre a necessidade de vacinar a população, principalmente os bebês.

“Vacina é um direito da criança”, afirmou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. “A criança não consegue ir sozinha numa unidade de saúde para reivindicar seu direito. Pais, responsáveis, madrinhas: chequem a carteira de vacinação em respeito à criança, em amor. Se estiver incompleta, vá ao posto de saúde tomar a segunda dose.”

Campanha de vacinação contra o sarampo
Realizada em caráter nacional, a campanha vai realizar pela primeira vez a oferta da chamada “dose zero” aos bebês de seis meses a um ano de idade. A iniciativa será realizada em diversas fases, cada uma destinada a uma faixa etária:

7 a 25 de outubro: crianças de seis meses a 5 anos de idade (o “Dia D” da campanha acontece em 19 de outubro)
18 a 30 de novembro: jovens de 20 a 29 anos (o “Dia D” será em 30 de novembro)
As etapas de 2020 terão como público-alvo as crianças de 6 a 19 anos, os adultos de 30 a 49 anos e os de 50 a 59 anos

Metas para os municípios
Segundo Mandetta, a ideia de vincular uma verba extra ao cumprimento de metas é uma forma de incentivar os estados a aumentarem sua cobertura vacinal, e também contribuírem com o governo na contagem de ampolhas de vacinas.

Ele apresentou números mostrando que, em 2018, só 11 estados brasileiros conseguiram atingir a meta de oferecer a primeira dose da vacina contra o sarampo a pelo menos 95% das crianças.

O ministro citou como exemplo estados que não conseguem atingir a meta há pelo menos quatro anos, e também São Paulo, que há três anos está abaixo do índice de 95%. “Hoje, de cada 100 casos, 97 casos estão em São Paulo. Então mesmo tendo vacinação aparentemente alta, se está abaixo de 95%, começa a ter surto epidêmico”, alertou Mandetta.

Os municípios brasileiros interessados em receber a verba extra oferecida terão que cumprir duas metas:

Para receber 50% do valor, será preciso alcançar a cobertura vacional da primeira dose a entre 90% e 95% das crianças de 12 meses de idade

Para receber 100% do valor, será preciso vacinar com a primeira dose pelo menos 95% das crianças de 12 meses de idade

Nos dois casos, será necessário também “registrar, monitorar e informar o estoque das vacinas tríplice viral, pentavalente e poliomelite ao estado e ao Ministério da Saúde”.

Campanha continua em 2020
O governo afirmou nesta sexta que, para conter o surto, aumentou em 114% o número de doses da vacina e que realizou uma pesquisa, junto à Organização Mundial da Saúde (OMS) e à Organização Panamericana de Saúde (Opas) para encontrar a população brasileira mais vulnerável.

Segundo os dados, atualmente 39 milhões de pessoas com idade entre um e 49 anos estão suscetíveis ao sarampo no país. Por isso, novas fases da campanha de vacinação serão realizadas também em 2020.

“No próximo ano nós complementaremos com a fase de 6 anos a 19 anos, de 30 a 49 anos, e a última fase de 50 a 59 anos”, explicou Wanderson Kleber, secretário de Vigilância em Saúde do ministério.

“Então teremos aí uma ação bastante ampla para atingir toda a população brasileira”, continuou ele, explicando que o objetivo é “eliminar a circulação desse vírus e garantir altas coberturas vacinais, que vão proteger não só contra o sarampo, porque a vacina ou vai ser tríplice viral, ou dupla viral, vai proteger contra o sarampo e também a rubéola”.

Fonte: G1