Representantes do Simepe, Cremepe e da promotoria de Saúde e Cidadania do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) fizeram uma fiscalização conjunta na tarde desta quarta-feira, 8/11, no Hospital Ulysses Pernambuco( HUP) no bairro da Tamarineira/Recife. Eles estiveram reunidos com a diretora do hospital, Ana Coutinho, discutindo questões sobre superlotação, escala médica, falta de leitos, problemas infraestruturais,carência de alguns medicamentos, além de déficit de profissionais na única Emergência psiquiátrica do Estado.

Além disso, 60% dos pacientes psiquiátricos são atendidos no hospital, com uma série de demandas e necessidades urgentes. Cerca de 23 médicos psiquiátricos e 17 clínicos atuam na assistência dos pacientes, além de 6 médicos assistentes que atendem 15 doentes por dia. Contando com os leitos de enfermaria, há 115 vagas no Ulysses Pernambucano. No início da semana, na recepção da emergência, havia 10 pacientes aguardando vaga para internação. Pessoas que receberam alimento foram medicadas e dormiram na recepção, deitadas em bancos ou sentadas em cadeiras.

O presidente do Simepe, Tadeu Calheiros, disse que ação conjunta das entidades médicas com o Ministério Público quanto à direção do Ulysses Pernambucano. foi muito importante, com objetivo de melhorar a assistência psiquiátrica no estado de Pernambuco. “Foi identificado que há problemas, especialmente nas redes do município, com uma assistência insuficiente nos Centros de Atendimento Psiquiátricos (CAP’s), em especial aqueles que atendem em sistema de 24h. É nítido que há um aumento significativo na necessidade de atendimento desses pacientes durante os períodos noturnos, finais de semana e feriados com a ausência desses CAP’s 24h que estejam em funcionamento”, ressaltou.

Segundo ele, apenas oito CAP’s estão registrados na rede municipal, dos quais cinco estão funcionando, todos com diversos problemas estruturais e de falta de transporte e dificuldade no acesso às medicações.

Tadeu Calheiros destacou ainda o envio de ofício à Prefeitura do Recife em julho passado no qual relatou a ausência de certos medicamentos e com isso a dificuldade na continuidade dos tratamentos dos pacientes. “São problemas graves que necessitam de um acompanhamento multi-institucional, mas especialmente de posicionamentos mais efetivos dos municípios. Mais de 50% dos pacientes que dão entrada no Ulysses Pernambucano são da cidade do Recife, sendo assim o município tem um papel importantíssimo na manutenção do atendimento psiquiátrico, porém, passa hoje por sérios problemas no que diz respeito à saúde da capital”, pontuou..

De acordo com a direção do HUP, a superlotação dos últimos dias foi por conta da demanda reprimida do feriado prolongado, já que os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) não estavam em funcionamento. Ana Coutinho informou ainda que, mesmo com a alta demanda de pacientes, a unidade de saúde mantém as portas abertas e não recusa nenhum usuário, garantindo a assistência a todos que dão entrada na emergência, com prioridade para os casos mais graves e conforme as orientações das equipes médicas.

Vale frisar que, na madrugada de terça-feira (7), pacientes com distúrbios mais graves queimaram um colchão e quebraram pias no pavilhão Juliano Moreira. Enquanto isso, na emergência, doentes e acompanhantes lotavam o hall em busca de atendimento. Com relação ao incidente na ala de agudos, o HUP disse que a situação já foi normalizada e que não houve feridos.