Com direito a auditório em capacidade máxima e abraçando a causa do Setembro Amarelo, o Sindicato dos Médicos do Estado do Piauí (SIMEPI) realizou o “II Fórum sobre Estresse, Transtorno Mental e Suicídio” abordando dados, estudos, conceitos e programas de políticas públicas referente aos temas. O evento aconteceu ontem (13), no auditório da entidade, com os palestrantes Dr. Antônio Geraldo da Silva, presidente eleito da Associação de Psiquiatria da América Latina (APAL) e diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), e Dr. Quirino Cordeiro Júnior, Coordenador-Geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde.

“É importante termos noção do que fazer quando observamos uma crise, para onde encaminhar, a quem procurar, qual o protocolo a seguir, entre outros. Por isso, o Simepi abriu suas portas para a sociedade civil a fim de discutir este tema, mais uma vez fortalecendo o lado social da entidade”, comentou Samuel Rêgo, presidente do SIMEPI, ao abrir o evento.

Para compor a mesa de debate, foram convidados Dr. Vicente Gomes, presidente da Associação Psiquiátrica do Piauí, Dr. Dagoberto Barros da Silveira, diretor do Conselho Regional de Medicina do Piauí, Dr. José Itamar, da Academia Piauiense de Medicina, Maria Helena Rêgo, do Ministério Público do Trabalho 22ª Região e Érica Patrícia Machado, representando a Fundação Municipal de Saúde, além dos dois palestrantes.

Para o Dr. Antônio Geraldo, o suicídio é uma emergência médica e tem que ser tratada como tal. “Uma pessoa que tem caso hipertensivo alto, quando tem um infarto agudo do miocárdio ou uma fratura exposta são exemplos de emergências médicas. Praticamente, 100% daqueles que suicidam são portadores padecentes de uma doença mental. Se o óbito por suicídio acontece por que as pessoas têm doença mental, quando se tem a ideia disso, é preciso procurar um serviço médico, de preferência um psiquiatra. Não sendo possível, qualquer medico que possa ajudar a passar o ímpeto, a impulsividade, pois a ideia é mostrar que existe tratamento adequado, pois sem tratamento não há melhora. Quem trata as doenças mentais é o psiquiatra e não ir até ele é puro preconceito, estigma, não faz bem algum”, enfatizou.

Falando sobre políticas públicas, Dr. Quirino Cordeiro Júnior trouxe dados e mudanças realizadas pelo Ministério da Saúde dentro das políticas públicas de saúde mental. “Esta é uma iniciativa louvável do Sindicato dos Médicos do Piauí, trazendo para o seu seio a discussão da temática suicídio. Uma área que tem ganho áreas dramáticas no país, com aumento importante da sua taxa nos últimos anos. Diante desse cenário, o Ministério da Saúde acabou modificando a sua política de saúde mental para fortalecer a sua rede de atenção psicossocial”, comentou.

“Enfrentamos esse problema devido a graves dificuldades que foram aparecendo na condução da politica nacional de saúde mental, como por exemplo o fechamento descriminado de leitos psiquiátricos no país, que ofereciam a possibilidade de internação de indivíduos com risco de suicídio, fechamento de serviços de atendimento de base comunitária no país, que acabaram dificultando o acesso da população ao tratamento de transtornos mentais”, concluiu Quirino Cordeiro Júnior.

“Nós temos visto que os sindicatos têm estado mais na presença da sociedade como um todo. É extremamente importante, pois nós médicos estamos inseridos nessa sociedade. O trabalho feito pelo simepi aqui é de primordial importância, pois mostra que não há mistério, que a nossa classe está preocupada em fazer promoção da saúde e prevenção da doença. Parabenizo o sindicato por mostrar a realidade que vivemos e temos, mas com as formas em que podemos mudar o futuro”. (Dr. Antônio Geraldo)

“Dentro desse contexto de mudanças, o Sindicato dos Médicos trazer essa discussão acaba sendo extremamente importante para que a sociedade piauiense possa receber e discutir essas informações, com intuito de promover uma assistência mais apropriada”. (Dr. Quirino Cordeiro Júnior)

Fonte: Assessoria de Comunicação do Sindicato dos Médicos do Piauí (Simepi)