Mãe de paciente usa rede social para denunciar redução do atendimento home care. Secretaria alega evolução do quadro de saúde

A suposta falta de repasses do Governo do Estado de Pernambuco a empresas que prestam tratamento home care vem colocando em xeque a vida de pacientes que dependem do tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A denúncia, da Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde (Aduseps), repercutiu nas redes sociais após o apelo da mãe de um rapaz de 30 anos, que sofre de sequelas neurológicas graves. Segundo a associação, ele teve o serviço suspenso pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). O jovem Thiago Caffé Belarmino, reforça a mãe, precisa de atendimento home care para alta complexidade, enfermagem 24h, fisioterapia, cuidados nutricionais e visita médica.

Por meio da sua página oficial no Facebook, a mãe de Thiago, Regina Caffé, fez um desabafo emocionado. “Amigos, estou mais uma vez na luta a favor da vida de Thiago. Conto com todos vocês para que ajudem a divulgar esses desmandos na saúde de nosso Estado. Estou expondo meu filho (não gosto de fazer isso) para que todos tomem conhecimento do que está acontecendo. Não vou me calar jamais!! Farei o possível e impossível, se assim Deus me permitir, para que meu filho tenha uma vida digna, assistência e qualidade de vida para viver bem, pois saúde é direito de todos e dever do Estado. Conto com vocês para divulgarem. Obrigada!”, apela a mãe do rapaz.

De acordo com Regina, em entrevista a Folha de Pernambuco, não houve melhora no quadro do rapaz que justifique a suspensão do serviço de home care e a baixa da complexidade do caso para seis horas em vez das 24h. “Tem sido muito difícil essa situação. Na semana passada, ele teve uma convulsão e não está conseguindo dormir. Thiago tem muita secreção e precisa que as técnicas de enfermagem expirem, mas eu que tenho feito isso para não deixar meu filho sufocar”, relatou.

Ela também afirmou que, segundo a equipe do Sistema de atendimento domiciliar, o filho deixará de ter direito ao cilindro de oxigênio. Junto, há um vídeo com fotos de Thiago Caffé – aparentemente em um hospital -, no qual ele aparece entubado e tomando soro fisiológico. Fundadora da Aduseps, Rene Patriota compartilhou a publicação. “A Secretaria Estadual de Saúde descumpre ordem judicial, está em débito com as empresas de home care no Estado e estão retirando a assistência dos pacientes, a exemplo de Thiago Café. A mãe de Thiago está desesperada e o filho respondeu com crise convulsiva. A ausência da saúde pública nas casas dos pacientes crônicos e o silêncio dos bons”, alfinetou por meio da sua página no Facebook.

Segundo Rene, a suspensão do serviço de home care tem feito com que diversos pacientes tenham que ser transferidos para as emergências de hospitais. “Temos várias ações de pedidos na Justiça para bloquear os bens da Secretaria Estadual de Saúde porque esses descasos já vêm sendo denunciado pelos pacientes à associação. No caso de Thiago, estamos esperando um novo parecer neurológico para mostrar na Justiça que o caso dele continua de alta complexidade e não o contrário, como a secretaria alega”, afirma. Procurada, a SES informa que “o paciente Thiago Caffé Belarmino mudou de complexidade assistencial por não apresentar mais necessidade de enfermagem contínua (24h).

A avaliação é realizada por uma equipe médica, inclusive, com a participação de uma junta da empresa que fornece o serviço de home care. É importante esclarecer que o paciente não está desassistido e que estando em baixa complexidade, tem acompanhamento de uma técnica de enfermagem por seis horas, todos os dias, além de terapias, insumos, medicamentos e visita médica quinzenal. A mudança foi devidamente informada à Justiça”, e ratificou que “caso o paciente necessite de uma assistência de maior complexidade, o médico que faz o acompanhamento quinzenal poderá reavaliar o caso e a complexidade pode ser alterada”.

Por fim, a SES esclarece que “continua realizando os tratamentos de home care para pacientes que têm determinação judicial”.

Fonte: Folha de Pernambuco