Nossa visita às cidades de Palmares e Água Preta, na Mata Sul do estado, região mais atingida pelas cheias dos últimos dias, foi motivada pela importância social e sanitária do fenômeno, de proporções catastróficas.

Muitos municípios foram castigados, porém ficou evidente que três foram quase destruídos: Palmares, Água preta e Barreiros. Com características sociais diferentes nas áreas baixas das três. Enquanto em Palmares o setor atingido foi predominantemente o comercial e secundariamente o residencial , em Água Preta ocorreu o inverso : a parte baixa ocupada pelos moradores de menor poder aquisitivo ficou devastada. Já em Barreiros, setor comercial e residencial e diferentes estratos sociais sofreram os reveses da cheia.

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O fenômeno

O rio reclamou os seus domínios, cujo leito encontra-se enormemente assoreado pelo descuido com suas margens. Prejuízo e sofrimento para quem se instalou dentro de limites pouco prudentes.

A cheia chegou muito rápida, não deu tempo para a defesa material.

Não é a primeira vez, 1976 e 2000 são lembranças ainda recentes.

A situação

Ruas tomadas por mar de lama fétida. Imóveis invadidos, muitos destruídos, todos danificados. Lixo abundante, materiais em decomposição. Máquinas e homens trabalham freneticamente, na sua retirada, com a participação do Exèrcito.

Pessoas com pés na lama. Nos primeiros dias houve quase nenhuma comida e água,sendo alimentos algumas vezes retirados do lixo. Higienização precária. Grande exposição à doenças infecciosas.

Providências

Em Palmares, pontes caídas, o grande hospital publico regional foi destruído ( pela terceira vez). Seus servidores foram deslocados ainda assimetricamente para os outros dois hospitais (privados) do município. Estes dois aparentemente vêem conseguindo atender a demanda – que não é apenas por tratamento médico, mas também por sobrevivência: comida e água potável (principalmente nos primeiros dias). Hoje , a Prefeitura Municipal junto com igrejas, Lions, Rotary, Maçonaria, associações tenta mitigar a fome, a sede e o frio, dar teto e condições sanitárias aos desabrigados. O Governo do Estado iniciou abastecimento e suporte na última quarta-feira (6º dia) e ganhou velocidade e organização nos últimos três dias.

Água Preta

Cidade pobre típica da Zona da Mata canavieira viu sua população perder as casas e seu único hospital, bem como as pontes que a ligam ao mundo. Interrompido o fornecimento de água potável e a energia elétrica por oito dias. Nesse cenário, o município contou com um grande aliado de primeiras horas: o Exército, helicópteros ajudaram ilhados e os primeiros transportes. O Batalhão de Engenharia (BEC) montou em metal e madeira as duas cabeças da ponte que ligam o município à rodovia (PE) litorânea, restabelecendo o acesso viário.

Os oficiais médicos improvisaram o atendimento no prédio da secretaria municipal de saúde, com a ajuda dos demais companheiros de farda e do secretário de saúde. São em media 400 atendimentos/ dia, muitas suturas foram feitas à costureiro, com agulha ponteando diretamente com a mão, pela falta de instrumental cirúrgico, mas com sobra de boa vontade.Difícil imaginar a sobrevivência na cidade nestes dias de calamidade, sem a ajuda do Exército.

Importante tem sido o trabalho das Forças Armadas, através da Aeronáutica em Barreiros e, principalmente do Exército presente nas três cidades pela sua vocação natural. Pela participação de todos os profissionais, particularmente dos médicos.

Necessidades

1. Integração total das ações dos governos federal, estadual e municipal.

2. Permanência e incremento da sociedade civil, tanto no momento crítico, quanto na posterior reconstrução.

3. Aumentar a velocidade da limpeza urbana e rural.

4. Vacinação preventiva em larga escala.

5.Manutenção adequada de água, comida, condições e orientação sanitárias, colchões e agasalhos, e das necessárias condições e orientações sanitárias.

6. Instrumental cirúrgico, antibióticos injetáveis e ambulâncias para Água preta .

7. Planejamento e construção das novas moradias em um novo bairro com localização geográfica alta, fora dos
limites do rio.

8. Estruturação física para receber profissionais de saúde, inclusive voluntários.

9. Sonhos e planos para o futuro, carinho e solidariedade.

10. Preparo médico hospitalar para o surto de eventuais doenças infecciosas incubadas agora e que manifestarão seus sintomas nos próximos oito e quinze dias.

11. Entidades médicas acompanham todo o processo e incentivam o voluntariado médico para eventual necessidade.

Como já anunciado pelo Cremepe e Simepe, estamos apostos para fazermos a nossa parte.

Sábado, 26 de Junho de 2010.

Antonio Jordão – Secretário-Geral do Simepe e Conselheiro do Cremepe
José Tenório – Diretor do Simepe