Uma ação de paralisação dos atendimentos médicos em Pernambuco – consultas e exames – custeados por planos de saúde será promovida nesta quinta-feira (7) em prol do reajuste dos honorários pagos pelas operadoras dos planos. A categoria argumenta que as empresas desrespeitam os profissionais de saúde e deseja pagamentos de acordo com os valores presentes na sexta edição da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), tabela recomendada pela Associação Médica Brasileira (AMB), e reajustes frequentes. O Conselho Regional de Odontologia de Pernambuco (CRO-PE) também aderiu ao movimento, que terá alcance nacional.

As consultas e exames marcados para o dia 7 de abril serão remarcados para que os pacientes não sejam prejudicados. Serviços essenciais continuarão funcionando normalmente, como urgência, emergência, setores de radiologia, radioterapia, quimioterapia, hemoterapia e hemodiálise. Segundo o presidente da Comissão Estadual de Honorários Médicos (CEHM-PE) e diretor do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Mário Fernando Lins, esses problemas de relacionamento entre os planos de saúde e médicos repercutem no atendimento aos pacientes. “Estamos lutando por uma saúde de qualidade”, defende ele. “O movimento é espontâneo e pacífico”, esclareceu.

Lins afirma que “só os médicos mais antigos atendem por planos de saúde, por respeito aos pacientes”, pois o valor repassado aos profissionais atualmente é muito abaixo da CBHPM, chegando a tornar inviável o acompanhamento do caso em algumas situações. Uma consulta médica em consultório ou pronto socorro, por exemplo, consta na tabela como de porte 2B, o que representa R$ 60 – ajustáveis para 20% a mais ou a menos de acordo com as condições socioeconômicas da região brasileira -, mas há planos pagando apenas R$ 25 pelo serviço. Como o custo operacional é de R$ 23,50, o trabalho do médico custou, na realidade, R$ 1,50.

Se para uma simples consulta já há esse problema, em procedimentos ou internações graves o paciente sofre ainda mais – nem todos os planos cobrem gastos em unidades de tratamento intensivo (UTI) e o médico também não recebe o valor adequado para manutenção dos aparelhos e serviços prestados. “Os planos de saúde, o norte deles é o lucro”, declarou Lins.

Para relatar essas dificuldades à população e reivindicar seus direitos, as entidades médicas se concentrarão na sede do Simepe a partir das 8h, com a presença de parlamentares; às 9h30, concederão uma entrevista coletiva à imprensa. O ato de paralisação é apoiado pelo Simepe, Conselho Regional de Medicina do estado (Cremepe), Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Federação Nacional dos Médicos (FNM).