"Há um desequilíbrio financeiro”, argumenta o diretor do Simepe e Presidente da Comissão Estadual de Honorários Médicos - PE, Mário Fernando Lins

No dia 2 de agosto, médicos e planos de saúde vão se encontrar pela primeira vez depois que a classe ameaçou deixar de atender o plano Saúde Excelsior. O encontro terá a mediação da Defensoria Pública. Em pauta a remuneração dos honorários médicos. “Nos últimos 10 anos, a inflação ficou em 116% e a ANS permitiu reajuste de 136% nos planos individuais. Portanto, isso é aumento. No período, a consulta ficou congelada em R$ 25. Há um desequilíbrio financeiro”, defende o dirigente do Sindicato dos Médicos, Mário Fernando Lins.

Na visão da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), os médicos querem padronizar preços e esquecer do mercado. “Cada médico tem sua característica, outro doutorado. Então, se colocar um só preço você desmerece os mais qualificados. A proposta da Excelsior é de R$ 38 a R$ 45 a consulta, mas eles querem a CBHPM”, comentou o dirigente Flávio Wanderley, que também nega que há redução de médicos nos planos.

“Poucos deles podem atender particular. Quem pode pagar R$ 200 por uma consulta? Além disso, as operadoras têm obrigações de atendimento, em setembro terão de obedecer prazos máximos de atendimento ao cliente”, diz Wanderley. A CBHPM é a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos, que define preços das atuações dos médicos e é atualizada anualmente.

Hoje, a maior queixa dos médicos é contra os planos ligados à Abramge, a exemplo da Saúde Excelsior. Atualmente, existem no mercado quatro grandes segmentos de planos, que atendem 46,6 milhões de usuários, gerando receita de R$ 72,7 bilhões, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Além da Abramge, existem as seguradoras, agregadas à Federação Nacional de Saúde Suplementar e que agrupam a Sul América e Bradesco Seguros. Segundo os médicos essas empresas reajustaram melhor os honorários. Também há as cooperativas médicas, como a Unimed, na qual os médicos recebem pró-labore e investem bastante em rede própria, como as filiadas da Abramge. O último grupo é das empresas ligadas à União Nacional das Instituições de Auto Gestão em Saúde (Unidas Gremes), que são, geralmente, ligadas aos fundos de pensão.

Fonte: JC