Câncer de pulmão, o que mais mata no mundo! E os casos têm aumentado, mesmo entre as pessoas que não fumam. A causa pode ser a poluição. Nove milhões de pessoas morrem por ano no mundo vítimas da sujeira do ar que respiram.

No Bem Estar desta segunda-feira, 27 de novembro, Dra. Ana Escobar conta que a poluição também aumenta o risco de partos prematuros. E a nutricionista Patricia Prada explica porque os poluentes do ar também estão deixando o mundo cada vez mais obeso. Mas o que fazer para evitar a poluição? A proposta dos especialistas não é mudar de cidade, é mudar a cidade.

Saiba mais
Como está a poluição agora? É bom saber! Assim como checamos e queremos saber a previsão do tempo, o índice UV, é importante buscar informações sobre a poluição atmosférica na sua cidade ou região. Isso é importante principalmente para pessoas que tenham problemas de saúde, como alterações cardiovasculares e pulmonares. Dependendo da situação, pode ser recomendável principalmente para essas pessoas evitar esforços físicos ao ar livre nas áreas poluídas. Em São Paulo, o site da Cetesb dá informação em tempo real. Também há aplicativos que fazem essa avaliação segundo parâmetros globais.

Prematuridade – Segundo a Sociedade de Pediatria, o bebê é considerado prematuro quando nasce antes de 37 semanas de gestação. Baixo peso é nascer com menos de 2,5 kg. Ambos são o desfecho de múltiplos determinantes, as causas podem ser relacionadas ao ambiente em que o bebê foi concebido, à saúde da mãe, os cuidados no pré-natal, entre outros fatores. Ou seja, o processo pode começar antes da gestação e pode ter efeitos ao longo de toda a vida. E o que a poluição causada pelos carros, indústrias e queimas tem a ver com isso? Um estudo realizado na Faculdade de Medicina da USP cruzou os registros de saúde de 5.542 bebês nascidos no Hospital Universitário da USP entre abril de 2012 e março de 2014 com dados sobre os níveis de poluição por óxidos de nitrogênio e partículas inaláveis finas dos endereços das mães. O aumento dos poluentes foi relacionado com um aumento de 30% dos partos prematuros e de 37% do baixo peso ao nascer.

Obesidade – Um estudo em parceria da USP com a Unicamp mostrou que camundongos que foram submetidos a ambientes poluídos, engordaram mais do que o grupo comparativo e ambos eram submetidos à mesma dieta. Os poluentes gerariam uma resposta inflamatória que prejudica o funcionamento do hipotálamo, que por sua vez não recebe a informação trazida pelo organismo da saciedade. Já há estudos também sobre efeitos inflamatórios dos poluentes no pâncreas, que prejudicam a produção de insulina e propiciam o estabelecimento de diabetes.

O que fazer para aliviar a poluição – Valorizar as cidades compactas, cobrando isso das autoridades. As cidades menores não são solução, a ideia não é fugir para o campo. O idela é fazer de tudo para diminuir a distância entre trabalho, estudos, casa, lazer e consumo por meio de bairros mistos com moradia, comércio, ciclovias e calçadas. Assim é possível aumentar a atividade física e reduzir os carros, geradores dos poluentes.

Um estudo publicado sobre o impacto de cidades compactas no The Lancet no ano passado mostrou que isso, em SP, geraria aumento de 24% na atividade física, redução de 7% nas mortes por doença cardiovascular e de 5% nos casos de diabetes tipo 2.

Limpando o pó – Assim como limpamos a casa com frequência para retirar o pó, a dica da Dra. Ana para minimizar os efeitos da poluição nas vias respiratórias é limpá-las com soro, umidificar o ar e inalar ar úmido, por meio de umidificadores e inaladores, que fluidificam as secreções e ajudam na expectoração. Isso é especialmente importante nas crianças pequenas, que não conseguem voluntariamente tossir com a intensidade eficaz. Mas atenção, isso é só um paliativo, existem muitos poluentes que penetram profundamente no organismo porque são partículas finíssimas ou gases que causam danos a longo prazo, muitas vezes silenciosos.