Foto: Diario de Pernambuco

O marceneiro Gibson Warles da Trindade, 46 anos, estava pilotando uma moto quando outro motoqueiro entrou na frente dele e impediu a passagem. Não houve tempo para frear e Gibson acabou colidindo com o outro rapaz. Em função disso, quebrou o fêmur. O acidente já vai fazer 30 dias, mas até agora o marceneiro não recuperou a rotina. É que Gibson foi levado para o Hospital Otávio de Freitas, no bairro do Tejipió, Zona Oeste do Recife. Segundo ele, desde então, aguarda uma cirurgia deitado em uma maca.

“Eu penso que qualquer pessoa que sofre um acidente e chega em um hospital precisa ser atendida da melhor maneira possível. Eu cheguei aqui, fizeram Raio-X, tiraram sangue e colocaram um ferro na minha perna. Até hoje estou esperando uma cirurgia”, conta. Segundo ele, o procedimento já foi marcado três vezes, mas nunca foi realizado. “Quando chega na hora de fazer, eles dizem que foi adiado. A pessoa fica até 15h sem comer, em jejum, e ainda passa por uma frustração”, conta. De acordo com o marceneiro, as justificativas dadas para o adiamento do procedimento foram diversas. Uma das vezes porque teria faltado água. A outra porque uma máquina teria quebrado. A terceira por falta de bolsa de sangue.

“Não posso levantar da cama nem para fazer as minhas necessidades, tenho que ficar usando fralda descartável. Sou uma pessoa saudável, mas fico aqui nessa situação, como se estivesse jogado. Enquanto isso, sou autônomo e estou deixando de trabalhar, de ganhar meu sustento. É um absurdo. Se eu pegar uma infecção, o que vai acontecer?”, questiona o paciente. Gibson disse que a situação dele é o exemplo de outras semelhantes que acontecem no local e criticou também as instalações. “Falta material básico, os alimentos que dão para a gente são de péssima qualidade. É realmente uma situação complicada a nossa”, disse.

Em nota, a direção do Hospital Otávio de Freitas (HOF) informou que tem atuado para qualificar o atendimento aos pacientes que chegam à unidade. Para isso, disse que houve reforço na escala de profissionais com o chamamento de aprovados em concurso público. “Apenas na categoria médica foram 36 nomeados para a unidade neste ano. Também estão sendo agilizados exames e procedimentos para dar maior rotatividade aos leitos. É importante lembrar que o HOF é uma unidade de alta complexidade e de porta aberta, ou seja, recebe pacientes de forma espontânea para assistência em diversas especialidades”, diz parte da nota.

Em relação à reclamação do paciente, a direção do HOF ratificou que “a alimentação dada leva em consideração seu estado de saúde e as recomendações da equipe de nutrição do hospital. Sobre o paciente citado, vítima de acidente de trânsito, ele vem sendo assistido pela equipe multidisciplinar da unidade e recebendo a assistência para o seu caso. A direção está analisando o prontuário do homem para dar o devido prosseguimento”.

Fonte: Diario de Pernambuco