HOSPITAL DA MULHER Prefeito anunciou abertura há oito meses

Oito meses se passaram desde que o prefeito Geraldo Julio anunciou a abertura do setor de alto risco do Hospital da Mulher do Recife (HMR), localizado no Curado, Zona Oeste do Recife. A infraestrutura composta por 68 leitos, incluindo unidades de terapia intensiva, está pronta – e os equipamentos também permanecem na unidade. Mas o serviço, voltado a mulheres com alguma doença prévia ou desenvolvida na gestação (condição que exige monitoramento mais intenso para evitar complicações antes, durante e depois do parto), continua sem funcionar.

ana
“Tivemos inicialmente, para apoiar a operação do hospital (inaugurado em maio de 2016), um suporte financeiro do Ministério da Saúde. Mas, por enquanto, a portaria com efeito financeiro (para o setor de alto risco) não foi publicada. Frequentemente vamos a Brasília tratar do assunto. Para que seja sustentável a abertura do alto risco, é preciso ter a garantia do repasse financeiro”, explica o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia.

aninha

 

“Quando o ministério der a habilitação dos primeiros serviços do alto risco, iniciamos o funcionamento
em 45 dias”, diz Jailson Correia

Ao ser questionado sobre o investimento para colocar a ala de alto risco em funcionamento, ele não informou valores, mas ressaltou que o recurso federal “é um valor imprescindível para que haja sustentabilidade na operação” do setor. “Do que adiantaria abrir o serviço e não ter repasse de recurso tripartite? Recuaríamos e fecharíamos leitos?”, questiona.

A diretora-geral do HMR, a médica Isabela Coutinho, reconhece que o setor para as gestantes de alto risco precisa abrir, mas também reforça a importância do hospital na assistência às mulheres em gestação de risco habitual (aquela em que, após avaliação pré-natal, não se identifica maiores riscos de complicações para mãe e/ou bebê). “Realizamos uma média de 480 partos por mês. Desses, 26% são cesáreas. Por esse grande volume, podemos garantir que, de alguma forma, contribuímos com o reforço na assistência materno-infantil do Estado. Se essas mulheres não estivessem aqui, estariam onde?”, relata Isabela Coutinho, ao levantar a questão sobre o estrangulamento da rede obstétrica – tema abordado em reportagem publicada no último domingo (16) neste JC.

A gestora do HMR ainda destaca que, entre as mulheres atendidas no hospital, 38% não são residentes do Recife. “Elas chegam de forma espontânea à nossa emergência, e atendemos.” É o caso da dona de casa Suelen Cristina de Oliveira, 31 anos.

anna
Na última segunda-feira (17), ela deu à luz uma menina no HMR, depois de receber uma negativa para a realização do parto no Hospital do Tricentenário, em Olinda, município onde ela mora. “Disseram que não tinha médico no momento. Então, fui para o Cisam (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, no bairro da Encruzilhada, Zona Norte do Recife), mas não me atenderam porque a minha gestação não era de alto risco. Fiquei nervosa e com a dor (das contrações) aumentando cada vez mais. Decidi vir para o Hospital da Mulher e felizmente conseguir ter minha filha”, conta Suelen, que deve ter alta hoje.

Em nota, o Ministério da Saúde diz que repassou recursos de investimento num total de R$ 4,4 milhões para compra de equipamentos para qualificação do parque tecnológico do HMR. “A organização da oferta assistencial dos estabelecimentos de saúde é responsabilidade do gestor local. A partir da capacidade instalada da rede assistencial, o gestor tem autonomia para organizar o melhor desenho de rede e os fluxos de regulação que assegurem o cuidado, assim como contratualizar com os prestadores para que a oferta seja adequada a este desenho de rede”, diz.

anne

Fonte: Jornal do Commercio