A superlotação das maternidades compromete a qualidade da assistência às mulheres e seus conceptos. Desta vez, a maternidade do Hospital Barão de Lucena (HBL) foi o palco de mais uma denúncia às entidades médicas pernambucanas. A demanda de pacientes extrapolou os limites nas últimas 12h, quando a unidade recebeu 14 mulheres encaminhadas para internação, além das pacientes que já estavam internadas. A presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Claudia Beatriz, e o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), Maurício Matos, visitaram o centro obstétrico do HBL e conversaram com a equipe médica, na manhã desta quinta-feira (26/09).

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Cenário da superlotação semelhante é encontrado nas outras maternidades do alto risco que estão localizadas na Região Metropolitana do Recife (RMR), como uma consequência da falta de rede para assistir aos partos nas diversas regionais de saúde. É fato corriqueiro chegar às maternidades de alto risco da capital mulheres encaminhadas de Garanhuns, Caruaru, Limoeiro, Goiana, municípios esses, com maternidades em hospitais regionais que deveriam formar um cinturão de assistência ao parto.

Outro grave problema apontado são as escalas de plantão incompletas para o atendimento às gestantes nesses serviços, sobretudo considerando que trata-se de pacientes que têm alguma complicação clínica ou obstétrica, além de precárias condições de trabalho.

“Em meio a essa realidade, a mortalidade materna não tem diminuído. Isso é um reflexo do comprometimento da assistência ao parto, com maternidades superlotadas e equipes subdimensionadas, culminando com a falta de estímulo para novos médicos fazerem a especialidade da obstetrícia”, ressalta a presidente do Simepe, Claudia Beatriz.

O Hospital da Mulher de Caruaru, se estivesse concluído, ajudaria na assistência ao parto de alto risco, diminuindo a alta demanda da capital – que recebe pacientes de todo o estado. Com previsão de conclusão para 2014, hoje continua sem nenhuma perspectiva de entrega, impactando toda a rede. Já o Hospital da Mulher do Recife, entregue em 2016, também foi planejado para atender as demandas de parto de alto risco, mas só atua com o parto de risco habitual.

 

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