É cada vez maior o número de pessoas que procuram ajuda psiquiátrica para um problema que se manifesta com sintomas diretamente ligados ao ambiente de trabalho. “Estado de tensão emocional e estresse crônicos, provocado por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes”. Ataca especialmente profissionais cujo trabalho exige envolvimento interpessoal direto e intenso. É a síndrome de Burnout, uma doença cada dia mais presente na vida de profissionais das áreas de educação, saúde, assistência social, recursos humanos, agentes penitenciários, bombeiros, policiais e mulheres que enfrentam dupla jornada. O assunto foi tema da palestra do médico psiquiatra, Mário Machado, nas mesas promovidas pelo Sindmepa, no XIX Congresso Médico Amazônico.

“Nota-se o sentimento de exaustão emocional, atitude de cinismo em relação ao trabalho, entre outros”, relatou o médico. As principais características de ambientes em que predominam a síndrome de Burnout são baixos salários, falta de reconhecimento, ambiente insalubre, assédio moral e sobrecarga de trabalho. Em contrapartida, recomenda-se para se livrar da doença buscar locais onde se obtenha bons salários, boas condições de trabalho e bons relacionamentos interpessoais, explicou.

Pacientes que procuram tratamento contra o mal relatam excesso de horas de trabalho, cargas horárias exaustivas, de segunda a sexta-feira, em até sete empregos ou atividades diferentes. “É preciso repensar modo de vida e respeitar os seus limites”, afirma Mário Machado, ele próprio uma vítima da síndrome: “Trabalhava sete dias, incluindo os finais de semana e à noite. A família começou a reclamar e o corpo a dar sinais de esgotamento. Meus exames clínicos estavam todos alterados, precisava mudar. Fechei a emergência e, hoje, muito raramente, trabalho no final de semana”, relata o psiquiatra.

No Brasil, as estatísticas indicam entre 40 a 50% dos profissionais de saúde acometidos pela síndrome, que leva à depressão e pode provocar até o suicídio. Afeta mais a faixa etária entre 30 e 51 anos, especialmente entre os prestadores de serviço. Respeitar os limites, resolver os problemas e não deixar irem se acumulando, tanto os operacionais quanto os de relacionamento; Jamais abrir mão de um dia de folga na semana e 15 dias ininterruptos de férias ao ano. São algumas das recomendações para evitar a doença.

Hábitos de vida saudáveis, como alimentação e atividade física e, se possível, estar inserido em uma comunidade – seja de amigos ou religiosa – além de reconhecer limites, sabendo a hora de começar e de parar, também fazem parte das recomendações do médico. “O descansar e o discutir é tão importante quanto trabalhar”, garante.

“Nós, médicos, devemos nos comprometer com o sofrimento do próximo no sentido de ajudar a aliviar ou curar suas dores. Mas nunca devemos nos envolver emocionalmente com o sofrimento do paciente, porque já temos nossos próprios sofrimentos”, conclui o especialista.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa)