A revista acadêmica Current Biology publicou, na última segunda-feira (9), um estudo que sugere que as tartarugas marinhas confundem os cheiros de plástico com comida.

Para chegar a essa conclusão, foi realizado um experimento com 15 tartarugas-marinhas-comuns, também chamadas de tartarugas-cabeçudas, que foram mantidas em cativeiro durante cinco meses.

Nesse período, os animais foram expostos ao cheiro de plástico e água limpos e não esboçaram nenhuma reação. Posteriormente, os mesmo animais foram expostos ao cheiro de comida e plástico bioincrustado, isto é, encharcados de água do mar e que podem conter algas e micro-organismos. Dessa vez, as tartarugas colocaram o nariz para fora d’água, um comportamento comum para sentir o cheiro de alimentos.

Os cientistas que participaram do experimento disseram ao site americano CNBN que ficaram surpresos com o fato de as tartarugas reagirem ao plástico bioincrustado da maneira exata em que reagiram ao alimento real.

“Essa descoberta é importante porque é a primeira demonstração de que o odor dos plásticos oceânicos faz com que os animais os comam”, afirmou Kenneth J. Lohmann, biólogo da UNC-Chapel Hill.

Lohmann disse, ainda, que “é comum encontrar tartarugas cabeçudas com seus sistemas digestivos totalmente ou parcialmente bloqueados porque elas comeram materiais plásticos”.

Um artigo publicado pela revista científica britânica Nature revela que uma tartaruga pode morrer ao ingerir pouco mais de uma dúzia de pedaços de plástico.

Enquanto isso, cerca de 10 milhões de toneladas de plástico são despejadas por ano nos oceanos, segundo dados da World Wide Fund for Nature. Pesquisadores estimam que, com base nas tendências atuais, até 2050 haverá cerca de 12 bilhões de toneladas de lixo plástico no mundo.

Estagiária do R7sob supervisão de Pablo Marques