A estação do calor tem alta incidência de desidratação, insolação e intoxicação alimentar. Crianças e idosos são as principais vítimas do verão

Os cuidados com a saúde deveriam ser priorizados independentemente da estação do ano. No entanto, especialistas ressaltam que no verão as pessoas ficam mais relapsas, principalmente com relação aos alimentos que são consumidos e à proteção da pele. Nas emergências hospitalares, é no verão que casos de desidratação, intoxicação alimentar e queimaduras no corpo são registrados com uma incidência maior. Crianças e idosos são as principais vítimas das altas temperaturas.

De acordo com o gastroenterologista Fabio Marinho, é importante estar atento à qualidade dos alimentos consumidos na praia para evitar quadros de diarreias agudas. “Os sintomas geralmente são vômitos, febre, dor abdominal e evacuações líquidas. Outras doenças comuns são as hepatites virais, relacionadas com os alimentos crus. Se a pessoa não for vacinada, ela pode desenvolver o quadro de hepatite após 30 dias”, explica.

A professora Mary Bernarde, 55 anos, é do Paraná e está no Recife para visitar a filha e aproveitar as férias na praia. Ela prefere não arriscar e leva seu próprio lanche. “Tenho receio de comer, justamente por não conhecer como foi feito e condicionado. Prefiro trazer minhas frutas, as castanhas. Também bebo muita água”, diz.

No caso das crianças, a atenção no verão deve ser ainda maior. Segundo a pediatra Ana Alvim, além do protetor solar de boa qualidade e com fator de proteção acima de 30, é importante que os pais respeitem os horários da alimentação. “Nas férias é importante manter esses horários dentro da rotina e não pular as refeições. Nessa época é comum o surto de viroses e quadros de diarreias. Não se esquecer de manter as crianças bem hidratadas. Oferecer refrigerante não é hidratar”, destaca.

Essas recomendações são seguidas à risca pela gerente administrativa Solanja Albuquerque, 57. Ela explica que está sempre atenta à alimentação da neta de 7 anos e que procura hidratá-la bastante. Mas, quando a questão é proteção solar, apesar de aplicar e reaplicar o fator 50 na criança, ela assume que não gosta de usar o produto. “Sei que é errado, mas amo o sol. Passo protetor só no rosto porque minha filha insiste”, declara.

Dermatologista e professora do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, Ângela Rapela chama a atenção para as queimaduras devido à falta de uso do protetor. “As pessoas tiram férias nessa época do ano e querem tomar o sol do ano todo no primeiro dia. O uso do protetor tem que ser renovado de duas em duas horas e após o banho de mar.”

Cuidados com o Zika
O Grupo Curumim lança neste verão a ação “Alerta de Verão – Saúde, Direitos e Cuidados em tempos de Zika”. Segundo a instituição, o alerta vem na época em que aumenta a incidência da infestação do Aedes Aegypti, devido às temperaturas mais propícias ao desenvolvimento do mosquito. O canal comunicação “Vera”, acessado pelo telefone 81 98580-7506 – de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h – é uma linha direta criada em 2016 com foco no enfrentamento à epidemia do Zika.

Fonte: Folha de Pernambuco