Fórum do Simepe aborda os ataques e impactos da Reforma Trabalhista

O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) iniciou na noite desta terça-feira (09/05) o Fórum sobre “ Os riscos das reformas trabalhista e previdenciária”, que o governo Temer tenta aprovar no Congresso Nacional. A proposta de reforma trabalhista encaminhada ao parlamentares pelo presidente Michel Temer, através do projeto (PL 6787/2016) ataca direitos conquistados durante anos de lutas da classe trabalhadora. As discussões acontecem no auditório da Associação Médica de Pernambuco (AMPE), que apoia a iniciativa junto ao Conselho Regional de Medicina (Cremepe) e terminam nesta quarta-feira (10/05), com o enfoque da reforma da prevideência.

Ontem à noite, os debates foram coordenados pelo advogado e integrante da Defensoria Médica do Simepe, Vinicius Calado. Na abertura do evento, o presidente do Simepe, Tadeu Calheiros, saudou os participantes e palestrantes do evento e afirmou que, o momento de discussão é atual, oportuno, para compreender os rumos dos futuros dos profissionais e do País. “ Vivenciamos reformas em ebulição no País, que poderão causar iminentes e drásticas mudanças nas relações, sobretudo, de trabalho de milhares de pessoas. A informação e o debate são essenciais para possamos desenvolver uma reflexão crítica e mais profunda sobre esse novo cenário politico e sindical que enfrentamos”, frisou.

Questionamentos

A advogada Zilmara Alencar, consultora e especialista em relações de trabalho, criticou vários pontos do PL 6787/16, que dispõe sobre a reforma trabalhista, apresentando uma série de questionamentos e argumentos consistentes. Segundo ela, o fórum acontece numa oportunidade ímpar e é essencial que essa discussão se trave com a classe médica para que seja feita a avaliação da precarização que as reformas vão trazer às relações de trabalho, que há muito tempo  estão se deteriorando com a “pejotização” e com as cooperativas, as organizações sociais sendo implementadas”, pontuou.

Outra questão ponto diz respeito à falta de controle da jornada de trabalho. O médico vai ter que enfrentar as condições e os ambientes de trabalho que não permitem segurança em sua atuação profissional. “Com essa reforma nós verificamos que um ponto que vem sendo bastante atacado é o da insegurança jurídica que repercutirá tanto na previdência como na saúde do trabalhador médico. O fruto dessa reflexão de um debate feito com a classe médica objetiva em sua essência possibilitar uma atuação atuar junto ao Congresso Nacional, no sentido de sensibilizar os senadores da necessidade de alterações no projeto que tramita de forma tão célere sem dar a possibilidade de uma discussão adequada”, ressaltou.

Debate construtivo

De forma prática e objetiva, o advogado trabalhista, Leonardo Camelo, criticou vários pontos da reforma trabalhista, mas também fez  algumas observações pertinentes do PL 6787/2016. Em sua opinião, o debate foi muito construtivo, pois o assunto possui uma relevância muito grande para o cenário que estamos vivendo e precisa ser discutido com pessoas formadoras de opinião como os médicos.  “Existem na mídia informações desencontradas e  incompletas. Com a oportunidade de discutir com os médicos um assunto tão relevante, espero que eles sirvam de porta-vozes para outras categorias”, destacou.

Além disso, Leonardo Camelo disse que a reforma em si traz mudanças para a própria realidade da medicina, seja para o empresário médico ou para o médico empregado, ou seja, todos os polos são afetados por essas reformas tão drásticas que são inovadoras por um ponto e retrocedem por outros.  “ Através do debate estamos construindo juntos uma visão dessa reforma trabalhista e  podemos amadurecer o assunto. Um dos nossos objetivos  foi de facilitar a compreensão acerca do assunto e destacar que os médicos, como formadores de opinião, podem reverberar o assunto e levar conhecimento à população que muitas vezes não tem a oportunidade de receber um debate como esse nem de se informar com qualidade sobre o tema”, assinalou.

Logo depois, a plenária se manifestou com observações, comentários e opiniões, mostrando várias preocupações em relação à Reforma Trabalhista e seus impactos na vida dos trabalhadores (as), que foram respondidas pelos palestrantes dentro uma linha bastante coerente. O presidente Tadeu Calheiros, mais uma vez agradeceu a participação de todos e  encerrou os trabalhos por volta das 22h40.

Na noite desta quarta-feira (10/05), o fórum prossegue, a partir das 19h, na sede da AMPE, abordando o tema da Reforma da Previdência,  com as palestras dos consultores e advogados – Priscila Souza e Thiago Cantarelli – sob a mediação do advogado e integrante da Defensoria Médica do Simepe, Charlston Ricardo.

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