{"id":10672,"date":"2013-01-21T09:25:46","date_gmt":"2013-01-21T12:25:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=10672"},"modified":"2013-01-21T09:25:46","modified_gmt":"2013-01-21T12:25:46","slug":"saude-no-brasil-em-xeque-mate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/saude-no-brasil-em-xeque-mate\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade no Brasil em xeque-mate"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade no Brasil est\u00e1 em xeque. O Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) n\u00e3o garante a universaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os m\u00e9dicos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. O modelo privado, que absorve 48 milh\u00f5es de benefici\u00e1rios nos planos de sa\u00fade, apresenta sinais de exaust\u00e3o. A entrada de novos usu\u00e1rios \u00e1vidos por atendimento, represado no SUS, esbarra no encolhimento da rede credenciada, provocado pela baixa remunera\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os. Para agravar o quadro cl\u00ednico do \u201cpaciente\u201d (o plano de sa\u00fade), o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o pressiona a demanda nos consult\u00f3rios, cl\u00ednicas e hospitais, encarecendo o pre\u00e7o do produto. O atual modelo assistencial \u2013 onde a sa\u00fade p\u00fablica divide a responsabilidade constitucional com o sistema suplementar \u2013 ter\u00e1 de ser aperfei\u00e7oado para atender, de fato, \u00e0s necessidades b\u00e1sicas de sa\u00fade dos brasileiros.<\/p>\n<p>O artigo 196 da Constitui\u00e7\u00e3o diz: \u201cA sa\u00fade \u00e9 direito de todos e dever do Estado\u201d. Ao mesmo tempo permite que a iniciativa privada atue paralelamente na oferta de servi\u00e7os de sa\u00fade. No dia a dia, o que assistimos \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o desassistida dos dois lados. Filas nos ambulat\u00f3rios, falta de leitos e de m\u00e9dicos no SUS. O quadro n\u00e3o \u00e9 muito diferente nas emerg\u00eancias dos hospitais privados conveniados aos planos de sa\u00fade. Usu\u00e1rios do sistema privado penam para marcar consultas e exames na rede credenciada. Reclamam das negativas de coberturas. Resultado: pagam o conv\u00eanio m\u00e9dico a acabam retornando \u00e0 rede p\u00fablica.<\/p>\n<p>Desde a chegada dos planos de sa\u00fade privados no Brasil, nos anos 1970, este setor s\u00f3 faz crescer. Hoje atuam na sa\u00fade suplementar 1.542 operadoras de sa\u00fade (m\u00e9dico-hospitalar e odontol\u00f3gica), movimentando uma receita anual de R$ 84,1 bilh\u00f5es vinda das presta\u00e7\u00f5es mensais dos 48 milh\u00f5es de benefici\u00e1rios. O aumento da renda do trabalhador incrementou as vendas do setor. O plano de sa\u00fade passou a fazer parte do sonho de consumo do brasileiro. Exibir hoje a carteirinha do plano \u00e9 prova de ascens\u00e3o social.<\/p>\n<p>Mas o ideal de sa\u00fade de qualidade pode se transformar em \u201csonho de uma noite de ver\u00e3o\u201d quando o usu\u00e1rio esbarra nas dificuldades de assist\u00eancia m\u00e9dica pelo plano. E o mais revoltante: paga em dia o carn\u00ea e muitas vezes tem de desembolsar para ser assistido. Ou termina recorrendo aos \u00f3rg\u00e3os de defesa do consumidor e \u00e0 Justi\u00e7a para garantir o direito de atendimento na rede conveniada.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu com a vigilante Anne Cristine Cabral, 30 anos. Ela ficou tranquila quando descobriu a gravidez do segundo filho. Tinha um plano de sa\u00fade empresarial. O pr\u00e9-natal transcorreu sem problemas. Com a cesariana marcada para 18 de dezembro, come\u00e7ou a via-cr\u00facis. \u201cFui pegar a autoriza\u00e7\u00e3o do parto e a empresa n\u00e3o liberou. Disseram que a minha empresa n\u00e3o pagou o plano.\u201d<\/p>\n<p>Anne conta que ficou desesperada porque n\u00e3o tinha dinheiro para pagar o parto. Ela foi at\u00e9 o Procon-PE pedir ajuda. \u201cPassei dois dias andando para resolver o problema. Estava com dor e entrei em trabalho de parto sem perceber. A bolsa rompeu e eu perdi l\u00edquido. Quase perdia a minha filha.\u201d Sorte que tudo saiu bem. Hoje ela embala a rec\u00e9m-nascida Elen nos bra\u00e7os. O parto foi realizado com uma ordem judicial.<\/p>\n<p>O caso de dona Maria das Neves Daltro Reis, 77, \u00e9 emblem\u00e1tico. Portadora de Alzheimer com complica\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias, a idosa paga por m\u00eas R$ 798 ano plano de sa\u00fade e precisa de home care (assist\u00eancia m\u00e9dica domiciliar). O plano negou. \u201cAp\u00f3s descobrir a doen\u00e7a da minha m\u00e3e come\u00e7ou a minha agonia com o plano\u201d, desabafa a servidora p\u00fablica Marta Moreira Reis, 52.<\/p>\n<p>Quando passou mal em casa, a idosa foi levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) por falta de leito nos hospitais conveniados. Depois conseguiu ser transferida para uma unidade privada do plano. O internamento hospitalar passou de sete meses, quando os familiares come\u00e7aram a ser pressionados para levar a paciente para casa. Sem o home care.<\/p>\n<p>Determinada, Marta foi at\u00e9 a Defensoria P\u00fablica e entrou com uma a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a contra a operadora. Mesmo com a ordem judicial nas m\u00e3os, teve dificuldade de ser atendida pela empresa. Mas conseguiu. Hoje dona Maria das Neves tem os cuidados de quatro t\u00e9cnicas em enfermagem e uma fisioterapeuta. \u201cO processo de humaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 zero na \u00e1rea de planos de sa\u00fade\u201d, desabafa Marta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco (20.01.13)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade no Brasil est\u00e1 em xeque. O Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) n\u00e3o garante a universaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os m\u00e9dicos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. O modelo privado, que absorve 48 milh\u00f5es de benefici\u00e1rios nos planos de sa\u00fade, apresenta sinais de exaust\u00e3o. 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