{"id":13030,"date":"2013-04-29T08:34:23","date_gmt":"2013-04-29T11:34:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=13030"},"modified":"2013-04-29T08:34:23","modified_gmt":"2013-04-29T11:34:23","slug":"internacao-obrigatoria-em-debate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/internacao-obrigatoria-em-debate\/","title":{"rendered":"Interna\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria em debate"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria de dependentes qu\u00edmicos volta a ser discutida  em audi\u00eancia p\u00fablica, realizada hoje, \u00e0s 10h, na C\u00e2mara do Recife e  reacende a pol\u00eamica sobre a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e seguran\u00e7a voltadas a usu\u00e1rios  de crack. Apesar de ser apoiado por parte dos setores de seguran\u00e7a  p\u00fablica dos munic\u00edpios, o projeto de lei n\u00famero 17 de 2013 passa longe  de ser unanimidade, especialmente entre profissionais que lidam com  dependentes e lembram que devem ser feitas ressalvas importantes antes  que a medida se torne lei.<\/p>\n<p>De acordo com o pr\u00f3prio vereador autor  do projeto, Luiz Eust\u00e1quio (PT), se aprovado, atualmente o projeto n\u00e3o  teria como ser cumprido. \u201cApresentamos um projeto que foi aprovado pelo  or\u00e7amento do ent\u00e3o prefeito Jo\u00e3o da Costa, para a cria\u00e7\u00e3o de uma cl\u00ednica  p\u00fablica de interna\u00e7\u00e3o e tratamento, mas at\u00e9 o momento a ideia n\u00e3o se  tornou realidade. Mesmo com os Caps que temos dispon\u00edveis, n\u00e3o h\u00e1 como  garantir que a interven\u00e7\u00e3o seja satisfat\u00f3ria\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Atualmente,  o Recife conta com seis Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial Especializados  (Caps), mas o modelo de tratamento, normalmente, \u00e9 realizado tr\u00eas vezes  por semana, sem op\u00e7\u00e3o de internamento, o que se mostra insuficiente para  combater o problema. \u201cMesmo com parcerias, hoje temos praticamente tr\u00eas  institui\u00e7\u00f5es que oferecem internamento, mas para apenas uns 90  pacientes, quando temos bem mais de 900\u201d, complementa Eust\u00e1quio.<\/p>\n<p>Segundo  o vereador, no entanto, o projeto \u00e9 uma forma de for\u00e7ar o poder p\u00fablico  a se posicionar sobre o assunto, investir na recupera\u00e7\u00e3o de dependentes  e criar uma rede eficiente de combate ao crack.<\/p>\n<p>Para a psic\u00f3loga  cl\u00ednica da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco (Unicap), Irin\u00e9a  Catarino, \u00e9 preciso ter em vista a abordagem humanizada de todo o  processo, que n\u00e3o deve ser feito com base na for\u00e7a e viol\u00eancia e s\u00f3  aplicado em casos espec\u00edficos. \u201c\u00c9 preciso se munir de todos os meios  poss\u00edveis para que a pessoa procure voluntariamente ajuda. A interven\u00e7\u00e3o  s\u00f3 deve ser feita a partir de uma necessidade m\u00e9dica, com autoriza\u00e7\u00e3o  judicial, quando o paciente representar um risco de morte para si ou  para terceiros\u201d, defende.<\/p>\n<p>Papel da fam\u00edlia<\/p>\n<p>A  profissional observa que o papel da fam\u00edlia nesses casos \u00e9 essencial e  precisa ser discutido. \u201cO crack reduz a capacidade de discernimento do  usu\u00e1rio. \u00c9 como uma crian\u00e7a querendo colocar o dedo na tomada; o pai tem  que fazer algo, mesmo contra a vontade dela, j\u00e1 que n\u00e3o se pode levar  em conta a capacidade cr\u00edtica do sujeito naquele momento\u201d, conclui.<\/p>\n<p>A  audi\u00eancia p\u00fablica \u00e9 aberta \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e deve receber participa\u00e7\u00e3o de  convidados que lidam com quest\u00f5es semelhantes em outros estados, a  exemplo dos deputados federais, Osmar Terra (PMDB\/RS), membro da  Comiss\u00e3o de Segura\u00e7a P\u00fablica e Combate ao Crime Organizado, e Givaldo  Carimb\u00e3o (PSB-AL), relator da proposta que altera a Lei Antidrogas (PL  7.663\/2010).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse n\u00e3o \u00e9 o melhor meio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">entrevista &gt;&gt; Jacira Bezerra &#8211; psicopedagoga e representante administrativa do Desafio Jovem do Recife<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das refer\u00eancias  estaduais no tratamento, interna\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de dependentes  qu\u00edmicos, o Desafio Jovem do Recife lida com usu\u00e1rios de drogas h\u00e1 25  anos. Pela experi\u00eancia desenvolvida, a psicopedagoga e uma das  representantes administrativas da institui\u00e7\u00e3o, Jacira Bezerra, alega que  a interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria deve ser pensada com cuidado j\u00e1 que pode n\u00e3o  apenas deixar de surtir efeito no paciente internado como colocar em  risco a recupera\u00e7\u00e3o dos demais jovens que est\u00e3o em conv\u00edvio com o mesmo.<\/p>\n<p><strong>O tratamento compuls\u00f3rio \u00e9 diferente do convencional?<\/strong><br \/>\n\u00c9  muito dif\u00edcil pegar a pessoa a pulso e colocar \u201cno lugar\u201d. Ela ainda  est\u00e1 curtindo a droga, sem achar que est\u00e1 fazendo mal a si mesma.  Entendemos o desespero de familiares e das figuras p\u00fablicas que querem  uma solu\u00e7\u00e3o, mas obrigar a pessoa a se tratar n\u00e3o d\u00e1 certo. Temos  experi\u00eancias com isso. A maior parte dos casos ouvimos \u201cAqui n\u00e3o \u00e9 meu  lugar\u201d ou \u201cTenho meu emprego e minha vida\u201d como justificativas antes  deles irem embora. Poucos s\u00e3o os casos de quem depois agradece pela  interven\u00e7\u00e3o mesmo.<\/p>\n<p><strong>Como uma pessoa internada compulsoriamente pode interferir no cotidiano de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nCasas  de recupera\u00e7\u00e3o, em geral, n\u00e3o recebem ningu\u00e9m que est\u00e1 sendo obrigado a  se internar. Normalmente isso \u00e9 feito por cl\u00ednicas particulares, que  podem ministrar medicamentos e at\u00e9 manter a pessoa dopada. No nosso  caso, h\u00e1 uma desestabiliza\u00e7\u00e3o muito grande dos demais internos, em  especial no caso de garotas, adolescentes, que, acredite, n\u00e3o fazem nada  que n\u00e3o queiram fazer. Pode ser amarrada. N\u00e3o faz diferen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Mas como lidar com uma pessoa que n\u00e3o quer ajuda e n\u00e3o se pode abandonar?<\/strong><br \/>\nTemos  que nos fazer ouvir, fazer com que ela procure ajuda. Com uma nova lei,  sob decis\u00e3o judicial, vamos fazer o que nos pedem, s\u00f3 achamos que esse  n\u00e3o \u00e9 o melhor meio. Ele tem que querer ficar melhor. O usu\u00e1rio de uma  droga \u201cpesada\u201d j\u00e1 perdeu opini\u00e3o e identidade, mas n\u00e3o a vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria de dependentes qu\u00edmicos volta a ser discutida em audi\u00eancia p\u00fablica, realizada hoje, \u00e0s 10h, na C\u00e2mara do Recife e reacende a pol\u00eamica sobre a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e seguran\u00e7a voltadas a usu\u00e1rios de crack. 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