{"id":14467,"date":"2013-07-26T14:44:10","date_gmt":"2013-07-26T17:44:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=14467"},"modified":"2013-07-26T14:44:10","modified_gmt":"2013-07-26T17:44:10","slug":"cfm-entra-com-acao-civil-publica-contra-a-uniao-para-suspender-o-programa-mais-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/cfm-entra-com-acao-civil-publica-contra-a-uniao-para-suspender-o-programa-mais-medicos\/","title":{"rendered":"CFM entra com a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra a Uni\u00e3o para suspender o programa Mais M\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>A entidade questiona a vinda dos m\u00e9dicos estrangeiros sem valida\u00e7\u00e3o de diplomas, a falta de comprova\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio da l\u00edngua portuguesa pelos candidatos e cria\u00e7\u00e3o de subcategorias de m\u00e9dicos, com limita\u00e7\u00e3o territorial<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conselho Federal de Medicina (CFM) entrou com uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, com pedido de tutela antecipada, contra a Uni\u00e3o na figura dos Minist\u00e9rios da Sa\u00fade e da Educa\u00e7\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o civil tem como objetivo suspender a continuidade do Programa Mais M\u00e9dicos, lan\u00e7ado em 9 de julho, por meio da Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 621. A pe\u00e7a de 20 p\u00e1ginas argui sobre tr\u00eas pontos espec\u00edficos do an\u00fancio do Governo. Nos pr\u00f3ximos dias, outras a\u00e7\u00f5es dever\u00e3o ser apresentadas na Justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira a\u00e7\u00e3o civil \u2013 proposta na noite de sexta-feira (19) \u2013, o CFM pede que os Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) n\u00e3o sejam obrigados a efetuar o registro provis\u00f3rio dos m\u00e9dicos intercambistas que aderirem ao Projeto Mais M\u00e9dicos para o Brasil, sem a comprova\u00e7\u00e3o documental da revalida\u00e7\u00e3o dos diplomas emitidos por universidades estrangeiras, bem como da apresenta\u00e7\u00e3o de certificado CELPE\/BRAS para os estrangeiros at\u00e9 que o m\u00e9rito desta quest\u00e3o possa ser analisado pelo Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entidade ressalta que a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 contra a presen\u00e7a de m\u00e9dicos estrangeiros em territ\u00f3rio brasileiro, mas pelo cumprimento da exig\u00eancia legal de que demonstrem efetivamente sua capacidade t\u00e9cnica para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o m\u00e9dica, nos termos do arcabou\u00e7o legislativo j\u00e1 existente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MP oportunista \u2013<\/strong> No entendimento do CFM, a Medida Provis\u00f3ria n\u00e3o apresenta urg\u00eancia e \u00e9 oportunista na &#8220;medida em que se aproveita do clamor p\u00fablico oriundo das ruas para editar uma legisla\u00e7\u00e3o simplesmente populista&#8221;. Em sua argumenta\u00e7\u00e3o, que reproduz trecho de senten\u00e7a j\u00e1 concedida anteriormente, o Conselho lembra que &#8220;os gestores p\u00fablicos t\u00eam utilizado em larga escala o argumento de que n\u00e3o podem excluir os &#8216;m\u00e9dicos&#8217; estrangeiros sob pena de instaurar o caos na Sa\u00fade P\u00fablica; que inexistem m\u00e9dicos dispostos a trabalhar no interior ou em n\u00famero suficiente. E lan\u00e7am a m\u00eddia e a opini\u00e3o p\u00fablica contra quem quer que se insurja contra os &#8216;estrangeiros&#8217;. Trata-se de fal\u00e1cia, porque suas premissas s\u00e3o falsas e apenas visa impedir o bom debate. A quest\u00e3o deve ser debatida com absoluta transpar\u00eancia perante o p\u00fablico&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O CFM tamb\u00e9m justifica sua a\u00e7\u00e3o com base na exist\u00eancia de dano irrepar\u00e1vel ou de dific\u00edlima repara\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade do povo brasileiro, especialmente a mais carente, se houver a manuten\u00e7\u00e3o da MP n\u00ba 621. &#8220;O ingresso de m\u00e9dicos estrangeiros no territ\u00f3rio brasileiro para serem &#8216;jogados&#8217; nos mais long\u00ednquos rinc\u00f5es ou mesmo nas periferias das regi\u00f5es metropolitanas sem nenhum controle de sua capacidade t\u00e9cnica \u00e9 uma atitude, no m\u00ednimo, temer\u00e1ria, para n\u00e3o dizer criminosa&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entidade ainda aponta o risco das incertezas advindas do n\u00e3o dom\u00ednio da l\u00edngua portuguesa pelos m\u00e9dicos estrangeiros, que afetaria a comunica\u00e7\u00e3o verbal nas consultas e escrita, no momento da prescri\u00e7\u00e3o de receitas. &#8220;S\u00e3o estas gritantes incongru\u00eancias que militam em favor de uma medida judicial urgente que acolha o princ\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o e evite a perpetra\u00e7\u00e3o de danos \u00e0 sa\u00fade dos destinat\u00e1rios deste famigerado Projeto Mais M\u00e9dicos para o Brasil. Danos estes que o homem m\u00e9dio, minimamente esclarecido, tem todas as condi\u00e7\u00f5es de antever&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aus\u00eancia de Revalida \u2013<\/strong> Na sua argumenta\u00e7\u00e3o o CFM, aponta equ\u00edvocos, como a dispensa de revalida\u00e7\u00e3o de diploma de Medicina de origem estrangeira. Em lugar disso, a MP n\u00ba 621\/13 criou uma &#8220;declara\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o&#8221; para os inscritos, retirando dos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) a compet\u00eancia para avaliar a qualidade profissional do m\u00e9dico intercambista. Isso ocorre com a supress\u00e3o da possibilidade de fiscalizar o exerc\u00edcio profissional por meio da an\u00e1lise documental exigida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tal Medida Provis\u00f3ria, se implementada, acarretar\u00e1 a viola\u00e7\u00e3o direta da Carta Magna (Art. 2\u00ba e 196), assim como da Legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional (Lei n\u00ba 3.268\/57 e Lei n\u00ba 9.394\/96), pois acarretar\u00e1 na contrata\u00e7\u00e3o de pessoas (intercambistas), sem a necess\u00e1ria comprova\u00e7\u00e3o de habilita\u00e7\u00e3o profissional (revalida\u00e7\u00e3o do diploma) e sem o dom\u00ednio do idioma nacional (Celpe\/BRAS), para a realiza\u00e7\u00e3o de atendimento m\u00e9dico em in\u00fameros munic\u00edpios da Federa\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m criar\u00e1 uma subcategoria de m\u00e9dicos no Brasil&#8221;, cita o CFM em sua a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a MP n\u00ba 621, o Governo manifesta inten\u00e7\u00e3o de permitir o exerc\u00edcio irregular e ilegal da medicina no Brasil, pois a revalida\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica dos diplomas de medicina expedidos no exterior viola a Lei n.\u00ba 9.394\/96, que exige seu reconhecimento com prova da forma\u00e7\u00e3o recebida pelo seu portador, ressalta o CFM. Com este artif\u00edcio, a Medida Provis\u00f3ria cria uma categoria diferenciada de profissionais para isent\u00e1-la do cumprimento da LDB no ponto em que a dispensa da at\u00e9 ent\u00e3o obrigat\u00f3ria revalida\u00e7\u00e3o dos diplomas de gradua\u00e7\u00e3o expedidos por universidades estrangeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o CFM, este dispositivo da MP afronta &#8220;a Constitui\u00e7\u00e3o Federal, na medida em que d\u00e1 tratamento diferenciado a m\u00e9dicos estrangeiros ou brasileiros formados em universidades estrangeiras que aderirem ao Projeto Mais M\u00e9dicos para o Brasil; mas que deveriam estar, constitucionalmente, no mesmo patamar dos demais que n\u00e3o aderirem a tal Projeto&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Decis\u00f5es j\u00e1 tomadas pela Justi\u00e7a Federal, em processos movidos no Tocantins e no Acre, s\u00e3o favor\u00e1veis \u00e0 tese do CFM. &#8220;O Estado deve tratar a todos com igual considera\u00e7\u00e3o e respeito. Decorre dessa premissa que o servi\u00e7o de sa\u00fade prestado a uma pessoa que resida em Ipanema (Rio de Janeiro), na regi\u00e3o dos Jardins (S\u00e3o Paulo) ou no Lago Sul (Bras\u00edlia), por exemplo, deve ter a qualidade m\u00ednima exigida do servi\u00e7o prestado ao morador de morro carioca, do pantanal, do semi\u00e1rido nordestino ou da floresta amaz\u00f4nica. Isso porque, sendo todos iguais, n\u00e3o se justificaria que o Estado tratasse pior o ribeirinho amaz\u00f4nico em rela\u00e7\u00e3o a algu\u00e9m que, por pura sorte, tenha nascido numa \u00e1rea nobre de uma metr\u00f3pole brasileira. Ali\u00e1s, conv\u00e9m lembrar que o art. 196 da Constitui\u00e7\u00e3o, (transcrito anteriormente, exige acesso &#8220;universal e igualit\u00e1rio&#8221; aos servi\u00e7os de sa\u00fade. \u00c9 assim que tem de ser&#8221;, afirma trecho de senten\u00e7a reproduzida na a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>L\u00edngua portuguesa \u2013<\/strong> Outro ponto questionado diz respeito \u00e0 exig\u00eancia gen\u00e9rica feita no texto da MP n\u00ba 621 de que os estrangeiros dever\u00e3o possuir conhecimentos de l\u00edngua portuguesa. No entanto, o texto n\u00e3o especifica os crit\u00e9rios de habilita\u00e7\u00e3o do n\u00edvel desse conhecimento da l\u00edngua. No entendimento do CFM, a generaliza\u00e7\u00e3o foi propositalmente inserida para, na pr\u00e1tica, ignorar este importante requisito e permitir que profissionais exer\u00e7am a medicina no territ\u00f3rio brasileiro sem ter o dom\u00ednio necess\u00e1rio do idioma nacional. N\u00e3o h\u00e1, inclusive, cita\u00e7\u00e3o de comprovante deste dom\u00ednio dentre os documentos a serem apresentados ao CRM para expedi\u00e7\u00e3o de registro provis\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como forma satisfazer a exig\u00eancia, o Governo anunciou o &#8220;M\u00f3dulo de Acolhimento e Avalia\u00e7\u00e3o de M\u00e9dicos Intercambistas&#8221;, com carga hor\u00e1ria m\u00ednima de 120 horas e os seguintes conte\u00fados: legisla\u00e7\u00e3o do SUS; funcionamento e atribui\u00e7\u00e3o do SUS (aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica); L\u00edngua Portuguesa. &#8220;Um cursinho de 120 horas ser\u00e1 o suficiente para a aquisi\u00e7\u00e3o das habilidades m\u00ednimas de dom\u00ednio da l\u00edngua portuguesa por parte de um m\u00e9dico estrangeiro?&#8221;, questiona a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A a\u00e7\u00e3o alega que, em 2008, o CFM editou a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 1.831, que exige do m\u00e9dico com diploma de gradua\u00e7\u00e3o obtido em universidade estrangeira o Certificado de Profici\u00eancia em L\u00edngua Portuguesa para Estrangeiro (CELPE\/BRAS). Trata-se de documento conferido aos estrangeiros com desempenho satisfat\u00f3rio em teste padronizado de portugu\u00eas, desenvolvido pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. O exame \u00e9 aplicado no Brasil e em outros pa\u00edses com o apoio do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, segundo os argumentos apresentados, os CRMs n\u00e3o podem ser obrigados a expedir registros provis\u00f3rios a estes m\u00e9dicos intercambistas que se formaram no exterior sem a comprova\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do dom\u00ednio da l\u00edngua portuguesa em n\u00edvel intermedi\u00e1rio ou Superior. A imposi\u00e7\u00e3o desse ato Governo feriria s princ\u00edpios da razoabilidade e da proporcionalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Subcategoria profissional \u2013<\/strong> A terceira irregularidade apontada pelo CFM se refere \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de duas categorias de profissionais da medicina no pa\u00eds, com a edi\u00e7\u00e3o da MP n\u00ba 621. A primeira formada pelos profissionais que poder\u00e3o exercer a medicina livremente em todo o territ\u00f3rio nacional. A segunda composta pelos inclu\u00eddos no Projeto Mais M\u00e9dicos, que ter\u00e3o seu direito ao exerc\u00edcio profissional limitado a certo territ\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Estabelece-se, portanto, uma subcategoria de profissionais da medicina para atender a popula\u00e7\u00e3o carente e que reside no interior do Brasil, enquanto que os brasileiros residentes nas grandes capitais, e que possuem recursos financeiros, poder\u00e3o ser atendidos por profissionais m\u00e9dicos que, em tese, pertencem a uma classe superior, pois podem exercer sua profiss\u00e3o livremente, em todo o territ\u00f3rio nacional e livre dos embara\u00e7os e press\u00f5es manejados pelos superiores hier\u00e1rquicos do Projeto&#8221;, argumenta-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entendimento do CFM, tal situa\u00e7\u00e3o nitidamente viola a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que expressamente prev\u00ea que &#8220;\u00e9 livre o exerc\u00edcio de qualquer trabalho, of\u00edcio ou profiss\u00e3o, atendidas as qualifica\u00e7\u00f5es profissionais que a lei estabelecer&#8221;. Para o Conselho, o direito \u00e0 liberdade de trabalho, of\u00edcio ou profiss\u00e3o, deve ser compreendido como direito fundamental de personalidade, &#8220;deriva\u00e7\u00e3o que \u00e9 da dignidade da pessoa humana, concebido com a finalidade de permitir a plena realiza\u00e7\u00e3o do sujeito, como indiv\u00edduo e como cidad\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A MP n\u00ba 621\/2013, ao impor que determinados profissionais da medicina somente poder\u00e3o exercer o mister profissional nos limites territoriais em que definidos pelos gestores do Programa provoca viola\u00e7\u00e3o frontal ao mandamento constitucional, limitando o exerc\u00edcio pleno da dignidade humana no exerc\u00edcio da pr\u00e1tica profissional, afirma o CFM, em sua a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Assim, a limita\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio da profiss\u00e3o m\u00e9dica em determinado espa\u00e7o do territ\u00f3rio nacional, vedando a pr\u00e1tica do of\u00edcio em outras localidades atinge o n\u00facleo essencial do direito fundamental \u00e0 liberdade de trabalho, of\u00edcio ou profiss\u00e3o, consagrado pelo inciso XIII, do art. 5\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 em preju\u00edzo direto \u00e0 boa medicina&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte:CFM<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A entidade questiona a vinda dos m\u00e9dicos estrangeiros sem valida\u00e7\u00e3o de diplomas, a falta de comprova\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio da l\u00edngua portuguesa pelos candidatos e cria\u00e7\u00e3o de subcategorias de m\u00e9dicos, com limita\u00e7\u00e3o territorial O Conselho Federal de Medicina (CFM) entrou com uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, com pedido de tutela antecipada, contra a Uni\u00e3o na figura dos 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