{"id":14956,"date":"2013-08-04T11:03:56","date_gmt":"2013-08-04T14:03:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=14956"},"modified":"2013-08-06T11:04:40","modified_gmt":"2013-08-06T14:04:40","slug":"as-supercriancas-e-seus-grandes-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/as-supercriancas-e-seus-grandes-desafios\/","title":{"rendered":"As supercrian\u00e7as e seus grandes desafios"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\"><em style=\"font-size: 13px; font-weight: normal;\">EDUCA\u00c7\u00c3O ESPECIAL Lei sancionada em abril deste ano n\u00e3o reduziu a dificuldade de incluir as pessoas com altas habilidades entre os grupos que recebem forma\u00e7\u00e3o educacional na rede p\u00fablica<\/em><\/h3>\n<div id=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Ter um filho com intelig\u00eancia acima da m\u00e9dia poderia ser motivo de orgulho para qualquer pai e m\u00e3e. A realidade, por\u00e9m, \u00e9 outra. Pais, professores e crian\u00e7as que convivem com os desafios da educa\u00e7\u00e3o para pessoas com altas habilidades\/superdota\u00e7\u00e3o enfrentam a dificuldade de fazer os &#8220;nerds&#8221;, &#8220;doidinhos&#8221;, &#8220;ETs&#8221; ou &#8220;sabidinhos&#8221; se encaixarem entre os colegas na escola sem comprometer o desenvolvimento de seus talentos.<\/p>\n<p>A Lei 12.796, sancionada em abril deste ano, alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDB), de 1996, e incluiu esse grupo entre os que devem ter educa\u00e7\u00e3o especial gratuita e p\u00fablica, levantando a discuss\u00e3o sobre os fatores que ainda impedem a forma\u00e7\u00e3o de um sistema educacional inclusivo no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;A maior parte dos professores me tratava com despeito onde estudei. Fui muito desrespeitado, convivi com alunos esnobes. Uma vez, fui expulso da sala de aula sem ter feito nada, s\u00f3 por implic\u00e2ncia da professora, algo muito constrangedor. A\u00ed acabei me desinteressando pelas aulas de hist\u00f3ria, como uma forma de revolta&#8221;, desabafou J\u00falio S\u00e1 de Carvalho, 12 anos. O garoto faz parte dos 8% da popula\u00e7\u00e3o brasileira que apresentam altas habilidades\/superdota\u00e7\u00e3o e \u00e9 um exemplo de que repetir padr\u00f5es \u00e9 uma exig\u00eancia social e o diferente nem sempre \u00e9 aceito.<\/p>\n<p>A idade ideal para identifica\u00e7\u00e3o de altas habilidades \u00e9 entre 7 e 8 anos de idade, mas os sinais de intelig\u00eancia acima da m\u00e9dia costumam aparecer bem antes. &#8220;Com um ano e seis meses, ele come\u00e7ou a identificar o nome dos DVDs que t\u00ednhamos em casa. Tr\u00eas meses depois, entrou na escolinha j\u00e1 sabendo escrever o nome e, apesar de n\u00e3o ter sido alfabetizado ainda, sabe e adora ler&#8221;, disse a professora Waleska Loureiro, m\u00e3e de William. Atualmente com 4 anos, o menino est\u00e1 no primeiro ano do ensino fundamental, s\u00e9rie cursada normalmente aos 6 anos de idade.<\/p>\n<p>Um dos mitos \u00e9 que o superdotado tem alta habilidade em todas as \u00e1reas do conhecimento. Na verdade, o mais comum \u00e9 a crian\u00e7a apresentar habilidade acima da m\u00e9dia em um ou dois aspectos, entre o social, criativo, intelectual, acad\u00eamico, psicomotor e o talento especial. Quando os ind\u00edcios surgem antes dos 7 anos, como no caso de William, os pequenos s\u00e3o chamados de precoces. H\u00e1 ocasi\u00f5es em que o talento desaparece com o passar dos anos e a crian\u00e7a passa a acompanhar a m\u00e9dia para a idade, n\u00e3o configurando superdota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Falta de informa\u00e7\u00e3o e intoler\u00e2ncia s\u00e3o apontadas com unanimidade entre pais e professores como as principais causas do preconceito vivenciado em sala de aula. &#8220;Os professores n\u00e3o s\u00e3o preparados para sequer desconfiar que determinados comportamentos podem sugerir altas habilidades, os pais n\u00e3o querem assumir que os filhos t\u00eam superdota\u00e7\u00e3o por causa dos mitos criados em torno disso e as crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o orientadas para respeitar e aceitar as diferen\u00e7as&#8221;, declarou o t\u00e9cnico de inform\u00e1tica e professor de matem\u00e1tica Clemir Rocha, pai de J\u00falio S\u00e1 de Carvalho.<\/p>\n<p>Para ele, a situa\u00e7\u00e3o na escola privada \u00e9 pior que na p\u00fablica. &#8220;Se o professor da escola p\u00fablica tiver o desejo de se preparar, ele pode se afastar por um tempo para isso, a lei permite. J\u00e1 a escola particular padroniza o comportamento. Antes de oferecer um servi\u00e7o, ela oferece um produto, funciona como empresa e n\u00e3o est\u00e1 preocupada em atingir as minorias, facilitando atitudes de agress\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p><strong>DESINFORMA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia da desinforma\u00e7\u00e3o e do preconceito, n\u00e3o s\u00f3 a alta habilidade tende a deixar de se desenvolver e ser negada pelo superdotado, mas tamb\u00e9m s\u00e3o estimulados a rotula\u00e7\u00e3o, a exclus\u00e3o, o bullying. Agress\u00e3o, depress\u00e3o e diagn\u00f3stico equivocado de transtornos de comportamento, como transtorno do d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o com hiperatividade (TDAH), tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o raros.<\/p>\n<p>&#8220;As crian\u00e7as com altas habilidades, geralmente, s\u00e3o inquietas, aprendem r\u00e1pido, perguntam muito, n\u00e3o querem repetir exerc\u00edcios passados pelos professores e isso n\u00e3o \u00e9 previsto no sistema educacional autorit\u00e1rio e restrito. Sei de um menino que chegou a tomar ritalina, f\u00e1rmaco utilizado no tratamento de TDAH, sem necessidade&#8221;, completou Clemir Rocha. Rem\u00e9dios indicados para o aumento da concentra\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as hiperativas podem ter efeito contr\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s altas habilidades, aumentando a agita\u00e7\u00e3o em sala de aula.<\/p>\n<p>De acordo com a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Recife, 2.167 alunos com necessidades especiais foram matriculados na rede municipal de ensino at\u00e9 abril de 2013. Destes, tr\u00eas foram declarados superdotados, o que representa 0,13% do total. Os n\u00fameros n\u00e3o batem com os do N\u00facleo de Atividades para Altas Habilidades\/Superdota\u00e7\u00e3o (NAAH\/S) do Recife, institui\u00e7\u00e3o criada em 2006 para promover inclus\u00e3o, valoriza\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as e desenvolvimento de talentos. Atualmente, 81 crian\u00e7as e adolescentes de 3 a 16 anos s\u00e3o atendidos no NAAH\/S, 51 deles estudam em escolas p\u00fablicas.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Jornal do Commercio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EDUCA\u00c7\u00c3O ESPECIAL Lei sancionada em abril deste ano n\u00e3o reduziu a dificuldade de incluir as pessoas com altas habilidades entre os grupos que recebem forma\u00e7\u00e3o educacional na rede p\u00fablica Ter um filho com intelig\u00eancia acima da m\u00e9dia poderia ser motivo de orgulho para qualquer pai e m\u00e3e. A realidade, por\u00e9m, \u00e9 outra. 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