{"id":15061,"date":"2013-08-10T10:15:12","date_gmt":"2013-08-10T13:15:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=15061"},"modified":"2013-08-10T10:15:12","modified_gmt":"2013-08-10T13:15:12","slug":"em-vez-de-mais-medicos-menos-doentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/em-vez-de-mais-medicos-menos-doentes\/","title":{"rendered":"Em vez de Mais M\u00e9dicos, menos doentes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Os governos insistem em medidas paliativas para resolver os enormes desafios da sa\u00fade p\u00fablica brasileira. Parecem desconhecer a verdadeira g\u00eanese das doen\u00e7as que assolam o pa\u00eds e infernizam a vida dos cidad\u00e3os. Investem quase nada em pol\u00edticas que contribuam para o inadi\u00e1vel saneamento capaz de conferir condi\u00e7\u00f5es de vida identificadas com o bem-estar f\u00edsico, mental e social do indiv\u00edduo. Ao contr\u00e1rio, entendem promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade como tratamento de doen\u00e7as. Por esse motivo, hist\u00f3ricos e respeit\u00e1veis sanitaristas definem o como um imenso hospital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aumento da quantidade de doentes que povoam o cotidiano da sociedade \u00e9 preocupante. Tanto nos rinc\u00f5es da mis\u00e9ria, quanto na pobreza que se avoluma na periferia urbana, fica patente a estreita rela\u00e7\u00e3o entre as pen\u00farias extremas em que sobrevivem as pessoas e os agravos f\u00edsicos, o sofrimento org\u00e2nico e os danos mentais que exteriorizam as diversas morbidades com as quais est\u00e3o condenadas a conviver. As causas da maioria das mol\u00e9stias que afetam nossa gente s\u00e3o torpezas intr\u00ednsecas ao modelo de sociedade implantada, desde o per\u00edodo colonial, numa p\u00e1tria amada e idolatrada que perpetua as desigualdades e consagra privil\u00e9gios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 o crescimento do PIB nem a distribui\u00e7\u00e3o generosa de bolsas que desfaz iniquidades geradoras da multid\u00e3o de enfermos socorrida por enganosas estrat\u00e9gias como o programa Mais M\u00e9dicos. O n\u00famero desses profissionais nunca ser\u00e1 suficiente para atender a demanda que n\u00e3o para de crescer. Dizer que faltam m\u00e9dicos no pa\u00eds \u00e9 ludibriar a popula\u00e7\u00e3o, lev\u00e1-la a crer que os buracos da sa\u00fade possam ser tapados mediante a mera prolifera\u00e7\u00e3o de cursos de medicina e a de m\u00e9dicos estrangeiros cuja qualidade ser\u00e1 sequer avaliada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nenhum momento os governos t\u00eam a dignidade de reconhecer, com a devida \u00eanfase, que a solu\u00e7\u00e3o justa, real e inadi\u00e1vel para o problema \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas priorit\u00e1rias que fa\u00e7am convergir investimentos para diminuir o contingente de pessoas enfermas no pa\u00eds. \u00c9 o \u00fanico caminho que conduzir\u00e1 ao equil\u00edbrio entre a procura e a oferta de profissionais no \u00e2mbito da sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Defender que basta produzir, importar e distribuir mais m\u00e9dicos em todo territ\u00f3rio nacional para melhorar o acesso da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 assist\u00eancia m\u00e9dica reproduz a l\u00f3gica que fez agigantar a frota de autom\u00f3veis em todas as cidades. O objetivo era qualificar o acesso do povo \u00e0 mobilidade urbana. O car\u00e1ter mistificador da medida salta aos olhos. A mobilidade ficou ainda pior. O governo n\u00e3o investiu na erradica\u00e7\u00e3o da causa que est\u00e1 na origem do problema, qual seja a precariedade absoluta do sistema de transporte p\u00fablico, que permanece intocada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais m\u00e9dicos para os discriminados n\u00e3o reduzir\u00e1 a discrimina\u00e7\u00e3o. As moradias seguir\u00e3o paup\u00e9rrimas, infectas, infectantes. O acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, um sonho que termina no pesadelo da contamina\u00e7\u00e3o. O esgoto a c\u00e9u aberto, por onde circulam dejetos e res\u00edduos fecais, n\u00e3o desaparece da paisagem dos entornos urbanos nem de ruelas e vilarejos rurais. Moscas, mosquitos, ratos e baratas interagem estreitamente com os moradores de cho\u00e7as, palho\u00e7as, barracos, choupanas e casebres, transmitindo v\u00edrus, bact\u00e9rias e parasitas que infestam, adoecem, sacrificam a maior parte de suas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica \u00e9 cada vez mais pesada no ar respirado nas cidades. Produzida pela fuma\u00e7a dos equipamentos industriais e pelos ve\u00edculos automotivos, reduz a qualidade de vida, encurta o tempo existencial e desencadeia enfermidades respirat\u00f3rias que sobrecarregam as unidades de atendimento m\u00e9dico. Os acidentes de tr\u00e2nsito, respons\u00e1veis por cerca de 40 mil \u00f3bitos anuais, geram portadores de sequelas, v\u00edtimas de defici\u00eancias de toda natureza. A viol\u00eancia palpita ruidosamente como grave arritmia social que atinge o cora\u00e7\u00e3o da sociedade. Medo, incerteza, inseguran\u00e7a s\u00e3o ingredientes do pernicioso estresse que corr\u00f3i as entranhas humanas, criando o caldo de cultura para graves e cr\u00f4nicas doen\u00e7as que atingem expressiva parcela de habitantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse dantesco horizonte da sa\u00fade n\u00e3o se resolve com mais m\u00e9dicos. Nem com caridade. Requer, acima de tudo, respeito ao ser humano traduzido em a\u00e7\u00f5es urgentes, honestas, coerentes, transformadoras da deplor\u00e1vel realidade que os governos n\u00e3o parecem interessados em reverter. Preferem o imediatismo de atos que simulam compromisso, no claro intuito de fazer alguma coisa para que tudo fique como est\u00e1. Em vez de Mais M\u00e9dicos, o programa do governo deveria ser Menos doentes para o.<\/p>\n<p><strong>DIOCL\u00c9CIO CAMPOS J\u00daNIOR<\/strong><br \/>\nProfessor em\u00e9rito da UnB, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria e representante da SBP no Global Pediatric Education Consortium<\/p>\n<p><strong>EDUARDO DA SILVA VAZ<\/strong><br \/>\nM\u00e9dico, \u00e9 presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os governos insistem em medidas paliativas para resolver os enormes desafios da sa\u00fade p\u00fablica brasileira. Parecem desconhecer a verdadeira g\u00eanese das doen\u00e7as que assolam o pa\u00eds e infernizam a vida dos cidad\u00e3os. 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