{"id":17088,"date":"2013-12-06T13:56:49","date_gmt":"2013-12-06T16:56:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=17088"},"modified":"2013-12-06T13:56:49","modified_gmt":"2013-12-06T16:56:49","slug":"de-volta-ao-comeco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/de-volta-ao-comeco\/","title":{"rendered":"De volta ao come\u00e7o"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px; font-weight: normal;\">Ter uma vacina ou rem\u00e9dio que acabe com a aids \u00e9 um sonho cada vez mais pr\u00f3ximo, mas ainda n\u00e3o \u00e9 realidade. Real mesmo e alarmante \u00e9 que grupos, antes mais expostos, voltaram a descuidar da preven\u00e7\u00e3o. Especialistas na \u00e1rea observam um crescimento de casos entre gays jovens. O cen\u00e1rio torna-se sombrio porque muitos desses homossexuais masculinos adiam o diagn\u00f3stico ou, mesmo sabendo da condi\u00e7\u00e3o de soropositivo, retardam a ida ao m\u00e9dico, temendo revelar para a fam\u00edlia a orienta\u00e7\u00e3o sexual e a situa\u00e7\u00e3o de infectado. Trinta anos se passaram e o medo do preconceito parece intacto nessa epidemia. De janeiro a outubro \u00faltimos, 21 adolescentes de 15 a 19 anos descobriram ser portadores da s\u00edndrome em Pernambuco. Outros 323 adultos jovens, de 20 a 34 anos, tamb\u00e9m entraram na mesma roda.<\/span><\/h3>\n<div id=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Veronica Almeida<\/p>\n<p>Pedro tem 19 anos, \u00e9 universit\u00e1rio, trabalha, \u00e9 bonito, descolado e gay. Mas est\u00e1 magro e vem adoecendo repetidamente. Descobriu h\u00e1 dois anos que tem aids. Assim como no passado, os homossexuais masculinos voltaram a se infectar numa propor\u00e7\u00e3o maior na \u00faltima d\u00e9cada, em Pernambuco e no Brasil, conforme estudos do Sistema \u00danico de Sa\u00fade. E o pior, muitos retardam a primeira consulta m\u00e9dica, tentando fugir da realidade e do preconceito, mesmo depois do avan\u00e7o terap\u00eautico e da ci\u00eancia ter mostrado que o v\u00edrus pode ser transmitido a qualquer pessoa.<\/p>\n<p>&#8220;Foi complicado. Primeiro, passei um tempo sem coragem de fazer o teste. Depois, quando fiz e deu positivo, n\u00e3o sabia que atitude tomar, eu tinha apenas apoio de alguns amigos, n\u00e3o contei para minha fam\u00edlia. Tinha que buscar dentro de mim ajuda, passei quase um ano at\u00e9 ir procurar tratamento&#8221;, diz o rapaz. Segundo ele, pesou o medo de assumir a doen\u00e7a. &#8220;Nesse mundo homossexual existe muito preconceito. \u00c0s vezes espalham que uma pessoa tem HIV s\u00f3 porque ela \u00e9 magra, \u00e9 dif\u00edcil a gente se expor&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p>Na tarde em que se encontrou com a reportagem estava no ambulat\u00f3rio que frequenta, no Hospital Universit\u00e1rio Oswaldo Cruz, em Santo Amaro. Queria falar com o seu m\u00e9dico. H\u00e1 32 dias tentava tomar, sem sucesso, na rede p\u00fablica do Recife e de Jaboat\u00e3o dos Guararapes, inje\u00e7\u00f5es de penicilina. &#8220;Vou para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e l\u00e1 dizem que devo procurar as policl\u00ednicas. Nas policl\u00ednicas, mandam procurar o posto de sa\u00fade. Chego no posto e falam que \u00e9 com as UPAs. Eu tenho ocupa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o posso ficar andando de um canto para outro sem solu\u00e7\u00f5es&#8221;, diz, retratando o atraso que n\u00e3o foi de sua escolha. Ali\u00e1s, quando o soropositivo retarda seu tratamento, aumenta o tempo de espera natural que vai encontrar na disputa por vaga no SUS.<\/p>\n<p>Quando Pedro resolveu marcar a primeira consulta esperou quase quatro meses para ter acesso ao m\u00e9dico e, depois dela, mais tr\u00eas meses para retornar com resultados de exames de carga viral e contagem de c\u00e9lulas CD4, as de defesa. Ele sente falta de maior acolhimento nos servi\u00e7os, de apoio psicol\u00f3gico, nutricional e at\u00e9 mesmo de se encontrar com outros jovens como ele. Desconhece que exista uma rede nacional, que mobiliza e une a juventude que hoje vive com HIV.<br \/>\nEle tem consci\u00eancia de que se infectou por n\u00e3o ter usado camisinha em eventuais rela\u00e7\u00f5es sexuais. &#8220;Falta informa\u00e7\u00e3o precisa, tal como s\u00f3 use camisinha, fa\u00e7a sexo seguro. Falta di\u00e1logo, que explique o que o jovem quer saber e possa alertar quem est\u00e1 desligado&#8221;, ensina. Pedro sempre teve dificuldade para falar de sexo em casa e acredita que isso, de alguma forma, colaborou para a pouca import\u00e2ncia que deu \u00e0 camisinha.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje o jovem n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para os riscos de pegar doen\u00e7a sexualmente transmiss\u00edvel. Sai e transa com uma pessoa arrumadinha sem usar preservativo. Tamb\u00e9m tem gente que come\u00e7a muito cedo&#8221;, observa.<\/p>\n<p>Para quem est\u00e1 descobrindo agora a condi\u00e7\u00e3o de soropositivo, o recado de Pedro \u00e9 que procurem se cuidar, &#8220;usem o preservativo&#8221;. E lembra, &#8220;se rolou, n\u00e3o usou camisinha, \u00e9 fazer o teste de seis em seis meses, perder o medo&#8221;.<br \/>\nCaio C\u00e9sar Almeida, coordenador da Rede de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e Aids, tamb\u00e9m se infectou cedo. Tinha rela\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, fixa. E s\u00f3 descobriu que o parceiro era soropositivo quando constatou estar infectado.<\/p>\n<p>Passada a fase de choque, raiva, medo, descobriu que existiam grupos no Pa\u00eds de pessoas, da sua idade, vivendo com o v\u00edrus da aids. Hoje mobiliza jovens em Pernambuco para que lutem por direitos e melhor qualidade de vida.<br \/>\nEmbora a sa\u00fade p\u00fablica tenha deixado de lado o discurso de grupos de risco para adotar o de comportamento de risco, \u00e9 fato que existem pessoas mais vulner\u00e1veis \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o. Os homossexuais masculinos est\u00e3o nessa lista porque o coito anal, sem uso de preservativo, de fato \u00e9 mais prop\u00edcio \u00e0 entrada do v\u00edrus em raz\u00e3o das fragilidades da mucosa, explica o gerente de Preven\u00e7\u00e3o de DST e Aids da Secretaria Estadual de Sa\u00fade, Fran\u00e7ois Figueiroa.<\/p>\n<p>Profissionais do sexo, em raz\u00e3o do maior n\u00famero de parceiros, tamb\u00e9m se exp\u00f5em mais ao HIV. Se for ainda usu\u00e1rio de droga, as chances aumentam, pois, por efeito da subst\u00e2ncia, pode perder a lucidez ou, para atender \u00e0 depend\u00eancia qu\u00edmica ou obter a droga, aceitar transar sem camisinha.<\/p>\n<p>DE OLHO NA COPA<\/p>\n<p>O turismo sexual \u00e9 ponto de preocupa\u00e7\u00e3o do Grupo de Trabalho e Preven\u00e7\u00e3o Posithivo (GTP+), principalmente \u00e0s v\u00e9speras da Copa do Mundo de 2014, quando Recife \u00e9 uma das cidades que receber\u00e1 o campeonato. A primeira ONG de pessoas vivendo com HIV do Nordeste, fundada h\u00e1 13 anos, tem projeto, com financiamento do governo federal, de orienta\u00e7\u00e3o a escolares, enfatizando os cuidados e a prote\u00e7\u00e3o contra a aids. Al\u00e9m disso, pretende atuar junto aos profissionais do sexo, refor\u00e7ando a campanha que j\u00e1 faz na rotina.<\/p>\n<p>Para uma das principais refer\u00eancia em aids do Pa\u00eds, a m\u00e9dica Marinela Della Negra, do Instituto Em\u00edlio Ribas, em S\u00e3o Paulo, \u00e9 preciso responder claramente ao jovem, esclarecer suas d\u00favidas e falar de rela\u00e7\u00e3o sexual e de uso de droga de forma enf\u00e1tica. No servi\u00e7o onde trabalha, que tratou os primeiros doentes de aids do Brasil, um ambulat\u00f3rio foi montado para atender adolescentes com HIV. O espa\u00e7o tem equipe multiprofissional e um grupo, coordenado por uma educadora, que promove encontros, debates, atividades culturais \u00e9 de lazer.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Jornal do Commercio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ter uma vacina ou rem\u00e9dio que acabe com a aids \u00e9 um sonho cada vez mais pr\u00f3ximo, mas ainda n\u00e3o \u00e9 realidade. 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