{"id":1721,"date":"2011-08-15T19:43:58","date_gmt":"2011-08-15T19:43:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=1721"},"modified":"2011-08-15T19:43:58","modified_gmt":"2011-08-15T19:43:58","slug":"estudo-diz-que-dislexia-pode-estar-ligada-a-audicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/estudo-diz-que-dislexia-pode-estar-ligada-a-audicao\/","title":{"rendered":"Estudo diz que dislexia pode estar ligada \u00e0 audi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Muitas pessoas consideram a dislexia como sendo apenas um problema de leitura, no qual as crian\u00e7as misturam as letras e interpretam erroneamente palavras escritas. Mas os cientistas cada vez mais est\u00e3o acreditando que as dificuldades de leitura da dislexia sejam parte de um quebra-cabe\u00e7a maior: um problema na maneira como o c\u00e9rebro processa o discurso e junta palavras de unidades sonoras menores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, um estudo publicado no peri\u00f3dico Science sugere que a maneira como os disl\u00e9xicos escutam a linguagem pode ter mais import\u00e2ncia do que se pensava. Pesquisadores do MIT descobriram que pessoas disl\u00e9xicas t\u00eam mais problemas para reconhecer vozes do que pessoas que n\u00e3o sofrem da condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John Gabrieli, professor de neuroci\u00eancia cognitiva, e o estudante de gradua\u00e7\u00e3o Tyler Perrachione pediram a pessoas com e sem dislexia que escutassem grava\u00e7\u00f5es de vozes combinadas a personagens de desenho animado, em telas de computador. As pessoas tentaram associar as vozes aos personagens corretos, primeiro com \u00e1udio em ingl\u00eas e depois numa linguagem n\u00e3o familiar, o mandarim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os n\u00e3o-disl\u00e9xicos associaram corretamente as vozes aos personagens em quase 70 por cento das vezes quando a linguagem era o ingl\u00eas e metade das vezes quando era o mandarim. Mas as pessoas com dislexia eram capazes de fazer a mesma coisa apenas em metade das vezes, independente da linguagem apresentada nas grava\u00e7\u00f5es. Especialistas n\u00e3o envolvidos no estudo disseram que essa foi uma not\u00e1vel disparidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNormalmente, voc\u00ea enxerga enormes diferen\u00e7as na leitura, mas existem diferen\u00e7as sutis, no \u00e2mbito geral, entre indiv\u00edduos que sejam ou n\u00e3o afetados pela dislexia quando a gama de testes \u00e9 ampla\u201d, diz Richard Wagner, professor de psicologia na Universidade Estadual da Fl\u00f3rida. \u201cEsse efeito foi realmente enorme\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sally Shaywitz, diretora do Centro para Dislexia e Criatividade da Universidade Yale, diz que o estudo \u201cdemonstra a centralidade do discurso falado na dislexia \u2013 que o problema n\u00e3o est\u00e1 no significado, mas sim na capta\u00e7\u00e3o dos sons do discurso\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ela, isso explica porque crian\u00e7as disl\u00e9xicas frequentemente expressam-se com dificuldades, citando dois exemplos tirados da vida real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUma crian\u00e7a estava assistindo a um jogo dos Red Sox no Fenway Park, e disse, &#8216;Oh, estou com sede. Podemos ir ao confession\u00e1rio (em ingl\u00eas, &#8216;confession stand\u2019, enquanto &#8216;concession stand\u2019 refere-se a uma pequena lanchonete como as de est\u00e1dios)?\u201d, diz ela. &#8221;Outra pessoa, atravessando um cruzamento lotado, onde muitas pessoas est\u00e3o andando, disse, &#8216;Oh, esses presbiterianos (&#8216;Presbyterians\u2019 em ingl\u00eas, em vez de &#8216;pedestrians\u2019, pedestres) deveriam ter mais cuidado\u2019. N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de n\u00e3o saber, mas sim de ser incapaz de ligar o significado correto e que se sabe aos sons que tem-se que emitir para express\u00e1-lo&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gabrieli diz que as descobertas ressaltaram um problema cr\u00edtico para as crian\u00e7as disl\u00e9xicas que est\u00e3o aprendendo a ler: a capacidade de uma crian\u00e7a ouvir, por exemplo, um pai ou professor falar e conectar as unidades auditivas que formam as palavras \u2013 os chamados fonemas \u2013 com a vis\u00e3o das palavras escritas. Segundo o professor, se uma crian\u00e7a tem problemas para absorver os sons que comp\u00f5em a linguagem, adquirir habilidade para leitura torna-se mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa mostra que as defici\u00eancias na linguagem falada persistem at\u00e9 mesmo quando os disl\u00e9xicos aprendem a ler bem. Os sujeitos do estudo eram, na maioria, &#8221;jovens adultos altamente funcionais, de QI alto e que haviam superado suas dificuldades de leitura\u201c, diz Gabrieli. \u201dE mesmo assim, quando tinham de distinguir vozes, n\u00e3o eram nem um pouco melhores, mesmo quando trabalhando com vozes na l\u00edngua inglesa, que ouviram durante a vida inteira&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os especialistas dizem que o novo estudo tamb\u00e9m mostra a interconectividade dos processos cerebrais envolvidos no ato da leitura. Muitos cientistas consideravam que o reconhecimento vocal era &#8221;como reconhecer-se melodias ou coisas primariamente n\u00e3o verbais&#8220;, diz Gabrieli.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes, pensava-se que o reconhecimento vocal era, no c\u00e9rebro, uma tarefa separada do entendimento da linguagem. Mas essa pesquisa mostra que a leitura normal envolve um &#8221;circuito, a habilidade de ter todos esses componentes integrados de maneira absolutamente autom\u00e1tica\u201c, diz Maryanne Wolf, especialista em dislexia da Universidade Tufts. \u201dUma das grandes fraquezas na dislexia \u00e9 que o sistema n\u00e3o \u00e9 capaz de integrar esses sistemas guiados por fonemas&#8220; a outros aspectos da compreens\u00e3o da linguagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como prosseguimento da pesquisa, os pesquisadores do MIT t\u00eam examinado os c\u00e9rebros de volunt\u00e1rios enquanto fazem reconhecimentos vocais e outras atividades e descobriram &#8221;enormes diferen\u00e7as entre disl\u00e9xicos e n\u00e3o-disl\u00e9xicos, em uma gama surpreendente ampla de tarefas&#8220;, diz Gabrieli.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8221;N\u00f3s pensamos que deva existir um tipo de aprendizado mais amplo nesses indiv\u00edduos, que n\u00e3o esteja operando muito bem, e que em algumas \u00e1reas voc\u00ea pode contornar essa defici\u00eancia de maneira bem satisfat\u00f3ria. Mas, na linguagem e leitura, esse contorno \u00e9 dif\u00edcil&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os especialistas dizem que um dos destaques do estudo do MIT \u00e9 que ele isolou a habilidade de processar o discurso vocal, da leitura e das habilidades que envolvem o significado da linguagem. As senten\u00e7as eram b\u00e1sicas, como &#8221;O garoto estava l\u00e1 quando o sol subiu&#8220;, e os sons em mandarim n\u00e3o significavam nada para os ouvintes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wagner sugeriu, que algo como a tarefa do reconhecimento vocal poderia ser usada para identificar jovens crian\u00e7as propensas \u00e0 dislexia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os testes diagn\u00f3sticos frequentemente exigem a separa\u00e7\u00e3o dos sons e palavras. Pode pedir-se a uma crian\u00e7a que diga a palavra &#8216;cowboy\u2019 sem dizer &#8216;boy\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8221;Para crian\u00e7as pequenas, \u00e9 uma tarefa realmente dif\u00edcil&#8220;, diz Wagner.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8221;Algumas vezes, elas simplesmente v\u00e3o dizer &#8216;cowboy sem dizer boy\u2019, porque foi exatamente o que foi pedido a elas. O Santo Graal seria a cria\u00e7\u00e3o de tarefas que possam ser aplicadas em crian\u00e7as de 3 anos de idade&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Shaywitz diz que os estudos tamb\u00e9m t\u00eam implica\u00e7\u00f5es para o ensino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se uma professora perguntasse &#8216;Johnny, qual \u00e9 a capital do estado de Nova York?&#8217;, Johnny faria &#8216;Uh, uh, uh\u2019 e o professor diria, &#8216;Oh Deus, voc\u00ea n\u00e3o sabe\u2019&#8221;, diz Shaywitz. \u201c\u00c9 mais prov\u00e1vel que isso seja um problema de reten\u00e7\u00e3o de palavras do que falta de conhecimento. Se ela reformulasse para, &#8216;A capital \u00e9 Houston ou Albany?&#8217;, Johnny teria maior probabilidade de responder corretamente\u201d.<\/p>\n<p>Fonte:<strong>The New York Times <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitas pessoas consideram a dislexia como sendo apenas um problema de leitura, no qual as crian\u00e7as misturam as letras e interpretam erroneamente palavras escritas. 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