{"id":17588,"date":"2014-02-07T12:40:34","date_gmt":"2014-02-07T15:40:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=17588"},"modified":"2014-02-07T12:46:22","modified_gmt":"2014-02-07T15:46:22","slug":"so-medico-nao-basta-precisa-haver-infraestrutura-diz-medica-cubana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/so-medico-nao-basta-precisa-haver-infraestrutura-diz-medica-cubana\/","title":{"rendered":"&#8216;S\u00f3 m\u00e9dico n\u00e3o basta, precisa haver infraestrutura&#8217;, diz m\u00e9dica cubana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Para a m\u00e9dica cubana Ramona Rodriguez, o Mais M\u00e9dicos n\u00e3o resolve o  problema da sa\u00fade p\u00fablica do pa\u00eds, pois falta estrutura nos hospitais e  postos de sa\u00fade para onde os profissionais estrangeiros foram enviados. A  m\u00e9dica, que deixou o programa no \u00faltimo s\u00e1bado (1\u00ba) disse que <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/pa\/para\/cidade\/pacaja.html\">Pacaj\u00e1<\/a> (PA), para onde foi enviada, n\u00e3o tinha instrumentos e os rem\u00e9dios necess\u00e1rios para atender a popula\u00e7\u00e3o de forma adequada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 preciso medica\u00e7\u00e3o, instrumentos. Isso faltava, o que dificultava muito o nosso trabalho&#8221;, afirmou ao G1 nesta quinta-feira (6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramona Matos Rodriguez abandonou o programa Mais M\u00e9dicos ao perceber  que os profissionais de outros pa\u00edses recebiam sal\u00e1rio de R$ 10 mil,  enquanto a remunera\u00e7\u00e3o dos cubanos era de US$ 400. Outros US$ 600 eram  depositados em contas de Cuba para serem entregues aos m\u00e9dicos somente  ap\u00f3s o t\u00e9rmino do contrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e9dica se mudou para o Brasil em outubro de 2013 e come\u00e7ou a trabalhar em Pacaj\u00e1\u00a0 no in\u00edcio de novembro.<\/p>\n<p>Ela criticou o formato do programa. &#8220;Acho que Brasil precisa de mais  m\u00e9dicos, mas s\u00f3 isso n\u00e3o basta. Tem que ter infraestrutura que permita  ao profissional da sa\u00fade fazer o atendimento. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com a palavra,  com as m\u00e3os, que se pode curar o outro&#8221;, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e9dica disse que decidiu abandonar o programa por se sentir  &#8220;enganada&#8221;. Em entrevista \u00e0 imprensa, disse que s\u00f3 p\u00f4de ler o contrato e  saber do sal\u00e1rio alguns dias antes de embarcar. Em Cuba, por\u00e9m, o  governo cubano j\u00e1 havia divulgado a inten\u00e7\u00e3o do Brasil de contratar  m\u00e9dicos estrangeiros desde novembro de 2012.\u00a0 No Brasil, o governo  brasileiro lan\u00e7ou oficialmente o programa em setembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falta de liberdade<br \/>\nRamona tamb\u00e9m relatou as restri\u00e7\u00f5es de liberdade que tinha na cidade de  Pacaj\u00e1. Todos os seus passos tinham que ser relatados a um supervisor  cubano do programa, que mora em Bel\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela precisava de autoriza\u00e7\u00e3o para almo\u00e7ar ou passear em outras cidades,  ainda que no mesmo estado, e tinha que comunicar qualquer &#8220;rela\u00e7\u00e3o mais  s\u00e9ria&#8221; com brasileiros ou estrangeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O governo cubano mandava n\u00e3o falar, manter a privacidade, n\u00e3o divulgar  nada do contrato para outras pessoas. O representante tinha que nos  controlar, saber onde vamos, o que fazemos, com quem nos relacionamos&#8221;,  afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e9dica explicou que, se desejasse sair de Pacaj\u00e1, ainda que por uma  tarde, comunicava a uma supervisora que morava na mesma casa, que, por  sua vez, enviava um e-mail ao chefe \u2014 o supervisor mais graduado, de  Bel\u00e9m. A sa\u00edda s\u00f3 era liberada quando chegava a autoriza\u00e7\u00e3o por meio  eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das cl\u00e1usulas do contrato assinado por ela para vir ao Brasil diz  que, em caso de casamento com estrangeiro, o intercambista cubano se  submete \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o de Cuba, n\u00e3o se isentando do cumprimento das  obriga\u00e7\u00f5es do acordo, a n\u00e3o ser por autoriza\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o M\u00e9dica Cubana  no Brasil, que monitora os m\u00e9dicos da ilha no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Namoro e amigos tinha que ser relatado. Se voc\u00ea, por exemplo, vai sair  para outra cidade, tem que avisar. Poder\u00edamos conversar com  brasileiros, mas qualquer rela\u00e7\u00e3o mais s\u00e9ria teria que ser informado  previamente a eles, para que enviassem orienta\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fam\u00edlia<br \/>\nA m\u00e9dica afirma ainda que teme pela seguran\u00e7a e bem estar da fam\u00edlia,  que ainda mora em Cuba. Ela tem uma filha, que tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e9dica, uma neta  de dois anos, uma irm\u00e3 e um irm\u00e3o. Ramona \u00e9 m\u00e9dica h\u00e1 27 anos e tinha  um consult\u00f3rio m\u00e9dico em Havana. Recebia do Estado o equivalente a US$  36 por m\u00eas e morava em um apartamento &#8220;fornecido pelo governo de Cuba&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao deixar o pa\u00eds, a m\u00e9dica pediu que a irm\u00e3 ficasse no apartamento.  Segundo Ramona, ao saber que ela havia deixado o programa Mais M\u00e9dicos, a  Sa\u00fade P\u00fablica Cubana, \u00f3rg\u00e3o que regula a atua\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos em Cuba,  ordenou que o apartamento fosse desocupado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eles determinaram que ela deixasse a casa e tirasse as coisas de l\u00e1&#8221;,  disse. Ramona afirmou que a fam\u00edlia &#8220;por enquanto&#8221; n\u00e3o recebeu amea\u00e7as  do governo cubano. &#8220;Estou ligando todos os dias para checar. Como eu sou  uma traidora da p\u00e1tria n\u00e3o vou poder voltar nunca ao meu pa\u00eds&#8221;, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a m\u00e9dica, a prioridade agora \u00e9 conseguir permiss\u00e3o permanente  para ficar no Brasil ou nos Estados Unidos. Ela tamb\u00e9m quer fazer o  exame do Revalida, prova necess\u00e1ria para que m\u00e9dicos formados no  exterior se formem no Brasil. &#8220;Quero trabalhar para ganhar a vida. Se eu  voltar a Cuba vou ser presa. Pris\u00e3o perp\u00e9tua talvez. Por falar demais.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para a m\u00e9dica cubana Ramona Rodriguez, o Mais M\u00e9dicos n\u00e3o resolve o problema da sa\u00fade p\u00fablica do pa\u00eds, pois falta estrutura nos hospitais e postos de sa\u00fade para onde os profissionais estrangeiros foram enviados. 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