{"id":18203,"date":"2014-03-31T14:57:57","date_gmt":"2014-03-31T17:57:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=18203"},"modified":"2014-03-31T14:57:57","modified_gmt":"2014-03-31T17:57:57","slug":"neurociencia-volta-se-cada-vez-mais-para-a-musicoterapia-na-melhora-de-doencas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/neurociencia-volta-se-cada-vez-mais-para-a-musicoterapia-na-melhora-de-doencas\/","title":{"rendered":"Neuroci\u00eancia volta-se cada vez mais para a musicoterapia na melhora de doen\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A musicoterapia nasceu nos hospitais do p\u00f3s-guerra. Era preciso trabalhar com os combatentes o aspecto emocional e mesmo alguns dist\u00farbios mentais provocados pelos horrores das batalhas. Diferentemente da musicaliza\u00e7\u00e3o, em que \u00e9 desenvolvida uma habilidade musical, ela tem um objetivo terap\u00eautico, e este \u00e9 obtido por meio da m\u00fasica. No Brasil e na Am\u00e9rica Latina, a pr\u00e1tica chegou nos anos 1960, mas s\u00f3 mais recentemente tem conquistado o reconhecimento da \u00e1rea m\u00e9dica, apesar de muitos dos seus benef\u00edcios j\u00e1 terem sido comprovados cientificamente.<\/p>\n<p>Formada em musicoterapia, Marina Freire foi buscar no mestrado em neuroci\u00eancias da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ferramentas para compreender melhor como o recurso pode ajudar os autistas. Estudos anteriores j\u00e1 sinalizaram que o c\u00e9rebro desses pacientes, que apresentam dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o social ou comportamentos estereotipados, percebe o som de modo diferente. Eles t\u00eam dificuldade, por exemplo, de fazer um processamento diferenciado do som principal e do som de fundo, o que poderia contribuir para essa dificuldade de se comunicarem.<\/p>\n<p>A pesquisadora quer entender como os autistas processam a m\u00fasica. Alguns s\u00e3o hipersens\u00edveis aos sons, outros tem esse sentido pouco agu\u00e7ado. \u201cA ideia \u00e9 aproveitar que ele tem esse processamento diferenciado para direcionar sua percep\u00e7\u00e3o auditiva para uma funcionalidade melhor que suas habilidades sociais. Se ele reagir pouco \u00e0 m\u00fasica, o trabalho engloba sensibiliz\u00e1-lo primeiro\u201d, explica Marina, que avalia os efeitos da improvisa\u00e7\u00e3o musical nas crian\u00e7as com autismo do Ambulat\u00f3rio de Psiquiatria Infantil do Hospital das Cl\u00ednicas da UFMG.<\/p>\n<p>Uma vez por semana, durante 40 minutos, eles s\u00e3o estimulados a manter contado com a terapeuta por meio da m\u00fasica. \u201cTrabalhamos intera\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. Apresento instrumentos de percuss\u00e3o, crio uma base no teclado ou viol\u00e3o, e tentamos \u2018conversar\u2019 com os sons. A m\u00fasica \u00e9 uma janela para ele se comunicar com o mundo, um meio l\u00fadico de se manifestar. Eles geralmente t\u00eam dificuldade de tocarem, mas no final da sess\u00e3o est\u00e3o bem mais soltos\u201d, observa a pesquisadora. Depois das 16 sess\u00f5es, aqueles que no in\u00edcio chegavam a ficar de costas para Marina j\u00e1 mostram melhoria do contato visual e da fala.<\/p>\n<p><strong>OUTROS BENEF\u00cdCIOS <\/strong><\/p>\n<p>A musicoterapia tem ajudado tamb\u00e9m muitas crian\u00e7as com s\u00edndrome de Down. Exerc\u00edcios para fortalecimento da musculatura bucal trabalhados na fonoaudiologia, por exemplo, ganham refor\u00e7o na terapia com m\u00fasica, que muitas vezes desperta mais por seu aspecto l\u00fadico. \u201cCantando e brincando com os instrumentos, eles fazem exerc\u00edcios que se somam ao trabalho da fisioterapia e fono sem nem perceberem, e assim se envolvem mais\u201d, conta a musicoterapeuta Maria Eug\u00eania Albinati, tamb\u00e9m doutora em ci\u00eancias da sa\u00fade, programa da Escola de Medicina da UFMG.<\/p>\n<p>Gena, como \u00e9 conhecida, sistematizou sete recursos musicais que podem ser aplicados \u00e0 sa\u00fade de crian\u00e7as e adolescentes e que podem ser usados de acordo com cada finalidade. Os jogos e brincadeiras musicais mobilizam, ajudam na orienta\u00e7\u00e3o espacial, no v\u00ednculo f\u00edsico, equil\u00edbrio, deslocamento e trabalham recursos psicomotores. A aprecia\u00e7\u00e3o promove as rea\u00e7\u00f5es, enquanto o recurso do canto desenvolve a fala, a respira\u00e7\u00e3o e a postura. Os instrumentos musicais valorizam diversos movimentos, enquanto a cria\u00e7\u00e3o musical (pode ser composi\u00e7\u00e3o, improviso, arranjo ou par\u00f3dia) mobiliza a express\u00e3o pessoal.<\/p>\n<p>\u201cSe ele n\u00e3o d\u00e1 conta, descobre que pode fazer a parte mais f\u00e1cil. N\u00e3o \u00e9 preciso obedecer. Criar \u00e9 mais importante que a m\u00fasica em si. \u00c9 mais f\u00e1cil quando se aprende com a m\u00fasica. A fala aciona apenas o hemisf\u00e9rio esquerdo do c\u00e9rebro, mas no canto os dois hemisf\u00e9rios trabalham. Isso estimula tudo, e a mem\u00f3ria funciona mais\u201d, explica a especialista. J\u00e1 a express\u00e3o corporal e a dan\u00e7a colaboram com o aspecto motor, enquanto o s\u00e9timo recurso, o ensaio e a apresenta\u00e7\u00e3o, preparam a pessoa para a intera\u00e7\u00e3o social. \u201cEla tem a chance de se sentir a pessoa mais importante, e n\u00e3o aquela que d\u00e1 trabalho.\u201d<\/p>\n<p>A musicoterapia tamb\u00e9m foi usada em outros hospitais da universidade e revelou uma mobiliza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as em tratamento. Maria Eug\u00eania levou as sess\u00f5es para as salas de medicamento, onde alguns pacientes passavam at\u00e9 quatro horas fazendo hemodi\u00e1lise e transfus\u00e3o, por exemplo. O trabalho se voltou para crian\u00e7as e adolescentes com c\u00e2ncer, paralisia cerebral e doen\u00e7as degenerativas. \u201cO som mobiliza as crian\u00e7as. Elas ficavam alegres, mesmo deitadas em uma cama de hospital. A atitude delas depois da m\u00fasica<br \/>\n\u00e9 diferente.\u201d<\/p>\n<p><strong>Musicalize seu filho<\/strong><\/p>\n<p>Nenhuma arte \u00e9 t\u00e3o acess\u00edvel quanto a m\u00fasica, permitindo pais, de qualquer condi\u00e7\u00e3o, estimularem os filhos, principalmente os beb\u00eas. Segundo Bet\u00e2nia Parizzi, o importante \u00e9 variar. \u201cPode at\u00e9 ser rock, desde que n\u00e3o seja s\u00f3 rock.\u201d<\/p>\n<p>Um jeito de falar experimentado em todo o mundo, o \u201cmanh\u00eas\u201d, quando os adultos automaticamente falam duas oitavas mais agudo com os menores, deve ser estimulado. Isso porque, no primeiro ano de vida, a crian\u00e7a n\u00e3o fala nem canta, mas se comunica por meio dos sons. \u201cO manh\u00eas \u00e9 vital para o desenvolvimento do beb\u00ea. Ele n\u00e3o se importa com o conte\u00fado sem\u00e2ntico da fala. Voc\u00ea pode dizer algo ruim que ele n\u00e3o entende, s\u00f3 entende os sons e as express\u00f5es faciais\u201d, explica.<\/p>\n<p>O ideal, inclusive, \u00e9 que os adultos que se relacionam com esses beb\u00eas aprendam a usar ainda mais contrastes na hora de falar com o manh\u00eas, acionando outros contrastes e timbres. Outra dicas da especialista \u00e9 evitar sons mais graves, n\u00e3o enrolar demais o beb\u00ea de forma a conter seus movimentos, e oferecer obras musicais diversificadas. Cantar tamb\u00e9m tem mais efeito que apenas colocar um disco na vitrola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Pernambuco.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A musicoterapia nasceu nos hospitais do p\u00f3s-guerra. Era preciso trabalhar com os combatentes o aspecto emocional e mesmo alguns dist\u00farbios mentais provocados pelos horrores das batalhas. 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