{"id":18239,"date":"2014-04-03T14:20:29","date_gmt":"2014-04-03T17:20:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=18239"},"modified":"2014-04-03T14:20:29","modified_gmt":"2014-04-03T17:20:29","slug":"proteina-ja-testada-no-combate-ao-cancer-pode-tratar-um-dos-tipos-de-degeneracao-macular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/proteina-ja-testada-no-combate-ao-cancer-pode-tratar-um-dos-tipos-de-degeneracao-macular\/","title":{"rendered":"Prote\u00edna j\u00e1 testada no combate ao c\u00e2ncer pode tratar um dos tipos de degenera\u00e7\u00e3o macular"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A degenera\u00e7\u00e3o macular relacionada \u00e0 idade (DMRI) est\u00e1 entre as cinco principais causas para a cegueira no Brasil e \u00e9 a segunda mais incidente entre os idosos, ficando atr\u00e1s somente da catarata. Uma diferen\u00e7a fundamental, contudo, \u00e9 que a \u00faltima tem tratamento e cura. J\u00e1 a DMRI n\u00e3o \u00e9 revers\u00edvel e, em alguns casos, pode levar \u00e0 perda de vis\u00e3o quase imediatamente. Estudos buscam novas formas de reverter ou mesmo estacionar o quadro. Entre os trabalhos mais promissores, est\u00e1 o de um grupo de cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Trinity, na Irlanda, que criou uma terapia a partir de uma prote\u00edna que vem sendo testada para o tratamento do c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>A pesquisa, coordenada pela professora de imunologia Sarah Doyle, foi publicada na edi\u00e7\u00e3o desta quinta-feira (03) da Science Translational Medicine. A principal propriedade da prote\u00edna interleucina-18 (IL-18) \u00e9 a capacidade de suprimir a produ\u00e7\u00e3o de vasos sangu\u00edneos anormais atr\u00e1s da retina, no fundo do olho, conforme ficou demonstrado com inje\u00e7\u00f5es aplicadas em camundongos.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o descontrolada de vasos acontece no tipo \u00famido da degenera\u00e7\u00e3o macular, a que pode provocar cegueira imediata. Nela, a barreira que impede o avan\u00e7o dos pequenos vasos para a retina come\u00e7a a sofrer uma degenera\u00e7\u00e3o. Dessa forma, os vasos j\u00e1 anormais come\u00e7am a invadir outras regi\u00f5es oculares.<\/p>\n<p>\u201cEsses vasos n\u00e3o funcionam corretamente. Eles s\u00e3o fr\u00e1geis e extravasam l\u00edquido. N\u00e3o s\u00e3o competentes e podem liberar sangue para dentro da retina\u201d, explica o oftalmologista Eduardo Novais, especialista em retina pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo que n\u00e3o participou do estudo. Esse processo acontece justamente na regi\u00e3o mais nobre da retina, conhecida como m\u00e1cula. Os novos vasos (neovasos) que formam a membrana neovascular levam a defeitos e a uma baixa visual muito rapidamente.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o invasiva <\/strong><br \/>\nPara essa forma de DMRI, o tratamento atual \u00e9 feito com o uso de medica\u00e7\u00f5es que inibem a atividade de uma mol\u00e9cula chamada fator de crescimento vascular endotelial (VEGF, na sigla em ingl\u00eas), que estimula o crescimento de novos vasos sangu\u00edneos. Subst\u00e2ncias anti-VEGF s\u00e3o injetadas diretamente no olho do paciente para absorverem o excesso do fator de crescimento, prevenindo os vasos an\u00f4malos de sangrarem. A nova t\u00e9cnica testada por Sarah Doyle \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o dessa terapia com as inje\u00e7\u00f5es de IL-18. O efeito conjunto mostrou-se mais duradouro. Al\u00e9m disso, em modelos pr\u00e9-cl\u00ednicos, constatou-se que a prote\u00edna pode ser administrada de uma forma n\u00e3o invasiva. Os pesquisadores consideram que esse fator, em espec\u00edfico, representa uma grande melhora sobre as op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas atuais.<\/p>\n<p>O oftalmologista Eduardo Novais considera que os resultados s\u00e3o muito promissores. \u201cEles frisam que est\u00e3o propondo um tratamento combinado com a terapia que j\u00e1 existe. O medicamento isolado tem efeito, mas, junto, levou a melhores resultados.\u201d Trabalhos anteriores da equipe irlandesa mostravam que a falta de IL-18 agrava a DMRI \u00famida, e os novos experimentos confirmaram a efic\u00e1cia da prote\u00edna pode controlar a produ\u00e7\u00e3o de vasos sangu\u00edneos.<\/p>\n<p>\u201cTem\u00edamos, inicialmente, que a IL-18 causasse danos \u00e0s c\u00e9lulas sens\u00edveis da retina, porque a subst\u00e2ncia normalmente est\u00e1 associada \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o. Mas, surpreendentemente, vimos que baixas doses n\u00e3o tiveram efeitos adversos sobre a retina e ainda suprimiram o crescimento anormal de vasos\u201d, comemora Doyle. Segundo Novais, como ainda n\u00e3o s\u00e3o conhecidos todos os mecanismos que levam \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o macular, a cada momento surge uma estrat\u00e9gia terap\u00eautica para uma parte diferente do processo. \u201c\u00c9 uma doen\u00e7a multifatorial, com v\u00e1rias causas. Ent\u00e3o, a cada hora, h\u00e1 uma investiga\u00e7\u00e3o sobre um dos mecanismos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Tratamento complicado <\/strong><br \/>\nA degenera\u00e7\u00e3o macular envolve uma perda de vis\u00e3o central de tal forma que as pessoas em est\u00e1gios avan\u00e7ados s\u00e3o incapazes de ler, ver televis\u00e3o, conduzir ou utilizar computadores. Renato Neves, diretor do Hospital de Olhos de S\u00e3o Paulo, conta que a enfermidade tem um tratamento complicado e, somente h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos, surgiram novas drogas capazes de secar a membrana neovascular. \u201cEsse \u00e9 o mesmo objetivo que tem o tratamento com a interleucina-18. Mas vale ressaltar que o estudo de Doyle ainda \u00e9 b\u00e1sico, feito com camundongos para testar sua efetividade\u201d, diz. O oftalmologista, fundador e presidente da Funda\u00e7\u00e3o Eye Care, garante que a principal busca da pesquisa no campo gira em torno de uma nova alternativa para a regress\u00e3o dos vasos e a preserva\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o.<\/p>\n<p>A interleucina \u00e9 uma subst\u00e2ncia que existe dentro do pr\u00f3prio organismo, capaz de reverter o quadro de degenera\u00e7\u00e3o que, para Neves, \u00e9 t\u00e3o importante quanto outras em teste para tratar a doen\u00e7a. A rela\u00e7\u00e3o com subst\u00e2ncias anticancer\u00edgenas n\u00e3o \u00e9 uma novidade para o especialista. \u201cExistem hoje na cl\u00ednica inje\u00e7\u00f5es de drogas que eram utilizadas antes em tratamento contra o c\u00e2ncer e que tratam esses vasinhos logo no come\u00e7o da fase vascular. Uma inje\u00e7\u00e3o desse antiangiog\u00eanico consegue secar e prevenir que a pessoa perca a vis\u00e3o\u201d, descreve.<\/p>\n<p>Em casos mais leves, a inje\u00e7\u00e3o chega a resolver o problema permanentemente. Condi\u00e7\u00f5es mais graves pedem tr\u00eas ou mais aplica\u00e7\u00f5es para controle. \u201c\u00c9 como uma quimioterapia. N\u00e3o h\u00e1 n\u00famero limite. Voc\u00ea est\u00e1 fazendo um tratamento prolongado para reverter o processo. Tem gente que faz mais de 12, mas n\u00e3o \u00e9 o normal.\u201d<\/p>\n<p><strong>Brasileiro evita cirurgia por medo de ficar cego<\/strong><br \/>\nUma pesquisa encomendada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Refrativa (SBCR) e realizada pela MAAS Marketing em Belo Horizonte, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza e Recife, revelou que o medo de ficar cego \u00e9 o fator que mais pesa para uma pessoa optar por n\u00e3o fazer uma cirurgia nos olhos para corrigir algum problema. Entre os 700 entrevistados, 140 j\u00e1 haviam se submetido \u00e0 cirurgia de corre\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o; mas dos que descartam por completo a op\u00e7\u00e3o, 54% disseram ter medo de ficar cegos.<\/p>\n<p>O levantamento indicou ainda que quanto mais baixa a classe social, mais recente \u00e9 o uso de \u00f3culos ou lentes de contato, o que, para a SBCR, sinaliza que nessa camada da popula\u00e7\u00e3o a busca pela melhoria da qualidade visual \u00e9 postergada e tardia. \u201cIsso \u00e9 muito preocupante, j\u00e1 que mais de 70% de nosso contato com o mundo \u00e9 por meio da vis\u00e3o. O comprometimento desse sentido pode prejudicar seriamente o desenvolvimento cognitivo e social\u201d, avalia o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Refrativa, Renato Ambr\u00f3sio J\u00fanior, que anunciou os dados da pesquisa ontem \u00e0 noite no Rio de Janeiro, no 13\u00ba Congresso Nacional de Catarata e Cirurgia Refrativa.<\/p>\n<p>A pesquisa indicou que do total de pessoas abordadas, 58% delas relataram algum problema de vis\u00e3o. Do total, 560 eram portadoras de miopia, astigmatismo e hipermetropia e 140 j\u00e1 tinham passado pela opera\u00e7\u00e3o. A miopia (dificuldade de enxergar de longe) acomete quase 70% dos portadores de erros de refra\u00e7\u00e3o; enquanto o astigmatismo (vis\u00e3o dupla) atinge 58%; e a hipermetropia (dificuldade de enxergar de perto), 15% dos entrevistados.<\/p>\n<p>Entre as pessoas que optaram pelo procedimento cir\u00fargico, quase 66% disseram usar \u00f3culos ou lentes de contato h\u00e1 mais de cinco anos. Os principais motivadores da cirurgia foram a busca de \u201ccura\u201d, \u201csa\u00fade\u201d, \u201cindepend\u00eancia\u201d e \u201cliberdade\u201d. A t\u00e9cnica mais recorrente foi a corre\u00e7\u00e3o visual a laser por Lasik, citada por 57% dos entrevistados, em especial pelos que operaram mais recentemente. O laser PRK foi citado por 36,2% e menos de 1% fez refer\u00eancia ao bisturi, enquanto outra parcela n\u00e3o soube dizer a t\u00e9cnica utilizada.<\/p>\n<p>A pesquisa indicou tamb\u00e9m que dos 700 entrevistados \u2013 homens e mulheres de 20 a 54 anos, das classes A, B, C e D, ouvidos entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014 \u2013, 58% consultam mais de um oftalmologista. J\u00e1 entre os operados (140 pessoas), 67,4% se dizem fi\u00e9is a um \u00fanico especialista. Entre eles, 85,5% recomendariam o cirurgi\u00e3o. Em Belo Horizonte foi registrada a maior satisfa\u00e7\u00e3o dos entrevistados operados com seus respectivos cirurgi\u00f5es: mais de 85%. Para Ambr\u00f3sio J\u00fanior, \u201cos dados mostram a import\u00e2ncia da aten\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente durante a consulta e a necessidade de ampliar o acesso do paciente \u00e0 informa\u00e7\u00e3o segura e correta\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Pernambuco.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A degenera\u00e7\u00e3o macular relacionada \u00e0 idade (DMRI) est\u00e1 entre as cinco principais causas para a cegueira no Brasil e \u00e9 a segunda mais incidente entre os idosos, ficando atr\u00e1s somente da catarata. Uma diferen\u00e7a fundamental, contudo, \u00e9 que a \u00faltima tem tratamento e cura. 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