{"id":18385,"date":"2014-04-14T11:09:33","date_gmt":"2014-04-14T14:09:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=18385"},"modified":"2014-04-14T11:09:33","modified_gmt":"2014-04-14T14:09:33","slug":"mais-da-metade-das-brasileiras-desconhece-a-endometriose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/mais-da-metade-das-brasileiras-desconhece-a-endometriose\/","title":{"rendered":"Mais da metade das brasileiras desconhece a endometriose"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ela afeta mais de 170 milh\u00f5es de mulheres em todo o mundo, causa dor, sangramento irregular e \u00e9 tamb\u00e9m uma das principais causas da infertilidade e perda de qualidade de vida entre a popula\u00e7\u00e3o feminina. No Brasil, s\u00e3o cerca de 6 milh\u00f5es de mulheres sofrendo com a endometriose, sendo que 53% desconhecem a doen\u00e7a. O dado alarmante vem de pesquisa realizada este ano pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE), com apoio da Bayer. O levantamento foi feito com 10 mil mulheres, com idade acima de 18 anos, em Belo Horizonte, Bras\u00edlia, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Salvador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA pesquisa revelou que, em Porto Alegre, 68% das mulheres n\u00e3o sabem o que \u00e9 a endometriose, enquanto, em Manaus, o n\u00famero subiu para 82%. Em S\u00e3o Paulo e Bras\u00edlia, 52% disseram nunca ter ouvido falar da doen\u00e7a. Em Recife, 72% das mulheres afirmaram j\u00e1 ter ouvido falar sobre o assunto; em Curitiba e Salvador, o percentual de conhecimento foi de 64%, e no Rio de Janeiro, de 54%. E refor\u00e7a tamb\u00e9m que as mulheres ainda n\u00e3o est\u00e3o bem informadas sobre a endometriose, o que acaba dificultando a detec\u00e7\u00e3o e tratamento da doen\u00e7a. Na capital mineira, apenas 27% das mulheres abordadas responderam conhecer a doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ginecologista Benito Ceccato, professor da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas de Minas Gerais, explica que o endom\u00e9trio \u00e9 a membrana que reveste a cavidade uterina, \u201ccuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 receber o ovo fecundado. A placenta vai ser formada no endom\u00e9trio e ser\u00e1 a conex\u00e3o do beb\u00ea com a m\u00e3e, fornecendo os nutrientes necess\u00e1rios para o desenvolvimento fetal. Todo m\u00eas, o endom\u00e9trio prepara-se para receber o \u00f3vulo fecundado e, caso n\u00e3o ocorra a gravidez, ele descama junto do sangue (menstrua\u00e7\u00e3o)\u201d. \u201cAssim, a endometriose \u00e9 a presen\u00e7a de tecido similar ao endom\u00e9trio fora da cavidade uterina, que tamb\u00e9m responde \u00e0s varia\u00e7\u00f5es hormonais, podendo descamar e sangrar durante o per\u00edodo menstrual\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO especialista esclarece que a endometriose pode ocorrer, teoricamente, em qualquer parte do organismo, sendo descritos casos raros de localiza\u00e7\u00e3o, por exemplo, na cicatriz umbilical, septo nasal e na pleura. \u201cAs localiza\u00e7\u00f5es mais comuns s\u00e3o a cavidade peritoneal (perit\u00f4nio \u00e9 a membrana que recobre os \u00f3rg\u00e3os do abd\u00f4men), os ov\u00e1rios, os ligamentos uterinos e intestinos. Os tipos, portanto, est\u00e3o relacionados com sua localiza\u00e7\u00e3o: peritoneal, ovariana, profunda (quando acomete os ligamentos uterinos e o intestino terminal) e de outras localiza\u00e7\u00f5es. Ressalte-se que a endometriose pode aparecer em mais de uma localiza\u00e7\u00e3o na mesma paciente.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO especialista ressalta que as causas definitivas da endometriose ainda s\u00e3o pouco definidas. \u201cFatores gen\u00e9ticos e imunol\u00f3gicos est\u00e3o relacionados com a g\u00eanese da doen\u00e7a. \u00c9 sabido, tamb\u00e9m, que mulheres que postergam a gravidez, com perfil empreendedor, t\u00eam maior propens\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a. Os sintomas est\u00e3o mais relacionados com o per\u00edodo menstrual. O mais cl\u00e1ssico \u00e9 a dismenorreia (desconforto e c\u00f3licas menstruais) intensa e progressiva (piora com o passar do tempo).\u201d Quando a doen\u00e7a surge em \u00f3rg\u00e3os como a bexiga, pode haver sangramento ao urinar (hemat\u00faria), e quando a endometriose atinge o septo nasal, sangramento nessa regi\u00e3o (epistaxe).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nCeccato salienta que os sintomas intensos da endometriose pioram muito a qualidade de vida das mulheres acometidas pela doen\u00e7a, que sofrem durante o per\u00edodo menstrual n\u00e3o apenas com as c\u00f3licas e o desconforto, mas tamb\u00e9m com sintomas psicol\u00f3gicos associados, que podem comprometer o relacionamento familiar e social. \u201cAs mulheres no per\u00edodo reprodutivo est\u00e3o propensas \u00e0 doen\u00e7a. H\u00e1 fatores gen\u00e9ticos e imunol\u00f3gicos bem definidos que predisp\u00f5em o desenvolvimento dela, assim como fatores comportamentais, como a posterga\u00e7\u00e3o da gravidez.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um mal assintom\u00e1tico<\/strong><\/p>\n<p>Rivia Mara Lamaita, presidente do Comit\u00ea de Reprodu\u00e7\u00e3o Humana da Associa\u00e7\u00e3o de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais, diz que a incid\u00eancia de endometriose na popula\u00e7\u00e3o feminina \u00e9 vari\u00e1vel, devido \u00e0 presen\u00e7a de uma grande porcentagem de mulheres que s\u00e3o assintom\u00e1ticas e \u00e0s limita\u00e7\u00f5es dos exames de imagem para evidenciar um diagn\u00f3stico preciso da doen\u00e7a. \u201c\u00c9 uma afec\u00e7\u00e3o ginecol\u00f3gica comum, presente na mulher principalmente durante seu per\u00edodo reprodutivo, podendo ser encontrada tamb\u00e9m entre adolescentes. As estimativas da doen\u00e7a dependem da popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sendo avaliada.\u201d<\/p>\n<p>Segundo a m\u00e9dica, observa-se uma preval\u00eancia da doen\u00e7a em achados acidentais cir\u00fargicos em torno de 1,6 casos por 1 mil pacientes. Em mulheres assintom\u00e1ticas, o problema est\u00e1 presente em entre 2% e 22% delas; entre 20% e 50% em pacientes que n\u00e3o conseguem engravidar espontaneamente; e nas portadoras de dor p\u00e9lvica, a preval\u00eancia fica entre 40% e 50%.\u201d<\/p>\n<p>A m\u00e9dica esclarece que as principais consequ\u00eancias da doen\u00e7a s\u00e3o a dismenorreia incapacitante (dores t\u00e3o fortes, que a mulher acaba se afastando das atividades di\u00e1rias, como trabalho, vida social, academia), que habitualmente leva a paciente ao uso excessivo de analg\u00e9sicos para controle do quadro ou ao pronto-atendimento para medica\u00e7\u00f5es intravenosas, e tamb\u00e9m o insucesso de tentativas de um casal com desejo de engravidar. \u201cA dor p\u00e9lvica c\u00edclica ou ac\u00edclica, associada ao quadro de dispareunia (dor que aparece nos \u00f3rg\u00e3os genitais durante ou logo ap\u00f3s as rela\u00e7\u00f5es sexuais) ou \u00e0 mudan\u00e7a do h\u00e1bito intestinal ou \u00e0 dor ao evacuar, limitam e atrapalham a qualidade de vida da mulher, que se depara com limita\u00e7\u00f5es sociais durante esse per\u00edodo. Muitas vezes, h\u00e1 uma demora no diagn\u00f3stico da endometriose e a paciente vai experimentando um estresse enorme frente \u00e0 falta de controle do quadro. A progress\u00e3o da doen\u00e7a tamb\u00e9m pode alterar o funcionamento de outros \u00f3rg\u00e3os e at\u00e9 obstru\u00e7\u00f5es quando comprometem o intestino ou bexiga. \u201c<\/p>\n<p>TERAPIA INDIVIDUAL\u00a0Rivia ressalta que n\u00e3o h\u00e1 uma terapia curativa para a endometriose e o tratamento deve ser individualizado e voltado para as queixas relevantes de cada paciente. \u201cOs sintomas de dor p\u00e9lvica s\u00e3o tratados com analg\u00e9sicos potentes e anti-inflamat\u00f3rios, e a supress\u00e3o hormonal na mulher auxilia muito no controle da endometriose. Podem ser usados contraceptivos combinados ou somente com progest\u00e1genos. Em casos mais graves, at\u00e9 bloqueios mais intensos com an\u00e1logos do GnRH (horm\u00f4nio estimulante de gonadotrofinas). H\u00e1 casos que somente se beneficiar\u00e3o com interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas.\u201d<\/p>\n<p>O invent\u00e1rio da cavidade p\u00e9lvica, um exame bem minucioso feito por videolaparoscopia, \u00e9 um dos melhores para obter um diagn\u00f3stico preciso para endometriose. \u201cDurante essa interven\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo que \u00e9 feito o diagn\u00f3stico, \u00e9 poss\u00edvel realizar a retirada dos focos comprometedores da endometriose e, assim, amenizar a doen\u00e7a e melhorar seus sintomas. Depois desse tratamento, as pacientes inf\u00e9rteis sem comprometimento tub\u00e1rio e sem outros fatores de infertilidade associados podem melhorar sua chance de engravidar, tanto de forma espont\u00e2nea como com aux\u00edlio de um especialista.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Pernambuco.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela afeta mais de 170 milh\u00f5es de mulheres em todo o mundo, causa dor, sangramento irregular e \u00e9 tamb\u00e9m uma das principais causas da infertilidade e perda de qualidade de vida entre a popula\u00e7\u00e3o feminina. No Brasil, s\u00e3o cerca de 6 milh\u00f5es de mulheres sofrendo com a endometriose, sendo que 53% desconhecem a doen\u00e7a. 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