{"id":18413,"date":"2014-04-16T15:01:10","date_gmt":"2014-04-16T18:01:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=18413"},"modified":"2014-04-16T15:01:10","modified_gmt":"2014-04-16T18:01:10","slug":"tecnicas-especificam-nivel-de-consciencia-de-paciente-em-coma-e-chances-de-melhora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/tecnicas-especificam-nivel-de-consciencia-de-paciente-em-coma-e-chances-de-melhora\/","title":{"rendered":"T\u00e9cnicas especificam n\u00edvel de consci\u00eancia de paciente em coma e chances de melhora"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O grande \u00eddolo das pistas de f\u00f3rmula 1 Michael Schumacher est\u00e1 internado, h\u00e1 quatro meses, no Hospital de Grenoble, na Fran\u00e7a, ap\u00f3s sofrer um grave acidente ao esquiar pelos Alpes. Mesmo sem despertar totalmente do coma induzido, a agente dele informou, no in\u00edcio desta semana, que o heptacampe\u00e3o j\u00e1 apresenta \u201csinais de consci\u00eancia\u201d. No entanto, a equipe m\u00e9dica \u00e9 muito reticente em declarar que isso possa representar qualquer tipo de melhora e em fazer qualquer men\u00e7\u00e3o ao progn\u00f3stico do piloto alem\u00e3o. O cuidado \u00e9 resultado da grande dificuldade em determinar em qual n\u00edvel de consci\u00eancia se encontra uma pessoa desacordada. Pesquisadores da B\u00e9lgica acreditam estar mais pr\u00f3ximos dessa defini\u00e7\u00e3o, conforme trabalho publicado hoje na Lancet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO cientista Johan Stender e colegas do Hospital da Universidade de Li\u00e8ge relatam o uso de duas t\u00e9cnicas de imagem cerebral para melhorar a precis\u00e3o do diagn\u00f3stico e do progn\u00f3stico em 126 pacientes com les\u00e3o cerebral grave, sendo 81 em estado minimamente consciente, 41 com s\u00edndrome de vig\u00edlia sem resposta, conhecida como estado vegetativo, e quatro com a s\u00edndrome de encarceramento ou de locked-in. Os pesquisadores utilizaram avalia\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas padronizadas durante tarefas de imagens mentais. A ativa\u00e7\u00e3o detectada pelos exames utilizados \u00e9 indireta, uma vez que foram escolhidas a tomografia por emiss\u00e3o de p\u00f3sitrons (PET) e a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional (fMRI).<\/p>\n<p>A primeira tem rela\u00e7\u00e3o com a atividade metab\u00f3lica e usa um marcador espec\u00edfico para isso, a glicose. Onde houver uma maior concentra\u00e7\u00e3o de glicose, pode-se atribuir ao local uma maior atividade metab\u00f3lica relacionada, consequentemente, a mais atividade cerebral. J\u00e1 a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica \u00e9 feita por meio de um marcador de oxig\u00eanio, ou seja, ligada \u00e0 oxigena\u00e7\u00e3o da \u00e1rea analisada. \u00c9 atribu\u00edda \u00e0 de maior incid\u00eancia do elemento qu\u00edmico um maior fluxo sangu\u00edneo e, por consequ\u00eancia, maior atividade. \u201cNossos resultados sugerem que a imagem PET pode revelar os processos cognitivos que n\u00e3o s\u00e3o vis\u00edveis por meio de testes de cabeceira tradicionais e poderia complementar substancialmente avalia\u00e7\u00f5es comportamentais padr\u00e3o para identificar os pacientes que n\u00e3o respondem ou aqueles \u2018vegetativos\u2019 que t\u00eam potencial para a recupera\u00e7\u00e3o a longo prazo\u201d, diz Steven Laureys, um dos autores.<\/p>\n<p>No geral, o PET foi melhor do que a fMRI na distin\u00e7\u00e3o de pacientes consciente e inconscientes, com cerca de 74% de precis\u00e3o na previs\u00e3o do grau de recupera\u00e7\u00e3o no ano seguinte, contra 56% . Segundo a neurologista S\u00f4nia Brucki, membro da Academia Brasileira de Neurologia, um dos pontos mais importantes do trabalho \u00e9 a capacidade de mostrar um progn\u00f3stico do paciente com maior precis\u00e3o. \u201cNa verdade, sabe-se, com o acompanhamento de casos ao longo dos anos, que quem est\u00e1 em estado minimamente consciente est\u00e1 mais pr\u00f3ximo de uma melhor recupera\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de consci\u00eancia.\u201d Um problema, no entanto, \u00e9 a dificuldade do diagn\u00f3stico cl\u00ednico, proporcionando in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es em que a classifica\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de consci\u00eancia do paciente pode estar equivocada. \u201cNa pr\u00e1tica, vamos lidar com o paciente com a consci\u00eancia diminu\u00edda, seja qual for a causa, do mesmo modo: aguardando e acompanhando a evolu\u00e7\u00e3o dele\u201d, complementa Brucki.<\/p>\n<p>Ao conseguir estabelecer o n\u00edvel de consci\u00eancia \u2014 do mais leve ao que teve maior preju\u00edzo \u2014, \u00e9 comum que os estados de maior dano tamb\u00e9m tenham uma evolu\u00e7\u00e3o menos favor\u00e1vel. \u201cH\u00e1 maior mortalidade, menor chance de recuperar o n\u00edvel de consci\u00eancia. Isso sabemos por meio da cl\u00ednica e do acompanhamento.\u201d Por\u00e9m, a neurologista lembra que algumas medidas s\u00e3o usadas para prever o potencial de recupera\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, como o potencial evocado somato-sensitivo. Ele pode dar uma ideia de quanto da comunica\u00e7\u00e3o entre o tronco e o c\u00f3rtex est\u00e1 destru\u00edda. \u201cSe n\u00e3o h\u00e1 mais essa comunica\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais dif\u00edcil que a pessoa se recupere.\u201d<\/p>\n<p>Brucki explica que, acima de tr\u00eas meses, o estado \u00e9 considerado mais persistente. A partir disso, qu\u00e3o maior for o tempo para a recupera\u00e7\u00e3o, mais dif\u00edcil ser\u00e1 ela. Testar novos m\u00e9todos para diagn\u00f3stico e progn\u00f3stico, segundo a neurologista, s\u00e3o importantes n\u00e3o s\u00f3 para o cuidado com os pacientes, mas tamb\u00e9m para poder estabelecer as not\u00edcias que ser\u00e3o repassadas \u00e0 fam\u00edlia dele. \u201cEnt\u00e3o, quanto maior for o n\u00famero de m\u00e9todos que possam afirmar com mais seguran\u00e7a o que se est\u00e1 falando, melhor.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00cdndice de conectividade<\/strong><br \/>\nAlguns dos autores do trabalho divulgado hoje na Lancet tamb\u00e9m compuseram a equipe que trabalhou com a pesquisadora brasileira Karina Casali (veja Para saber mais) em um experimento tamb\u00e9m de estrat\u00e9gias que possam determinar com maior precis\u00e3o o diagn\u00f3stico e progn\u00f3stico de pacientes em coma. Casali, professora do Instituto de Ci\u00eancia e Tecnologia da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), conta que sua pesquisa consiste no estudo de um \u00edndice para medidas de consci\u00eancia ou conectividade cerebral. \u201cA conectividade que a gente mediu estava relacionada n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 \u00e1rea espec\u00edfica sendo ativada, mas tamb\u00e9m a como que elas estavam conectadas.\u201d Foi dado um est\u00edmulo eletromagn\u00e9tico e a resposta a ele foi analisada temporal e espacialmente no c\u00e9rebro dos pacientes. \u201cPodemos ver como as \u00e1reas eram acionadas e como estavam interligadas. A partir da\u00ed, tir\u00e1vamos o \u00edndice que permite medir essa conectividade\u201d, explica.<\/p>\n<p>Segundo Casali, a diferen\u00e7a para os exames de imagem propostos pelo trabalho de Stender \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 c\u00e1lculo para medir a conectividade entre as \u00e1reas, mas quanto delas \u00e9 ativada a partir de um est\u00edmulo. \u201cA pesquisa da B\u00e9lgica tem um enfoque cl\u00ednico. Eles, inclusive, falam que a proposta seria uma tentativa de complementar as medidas j\u00e1 existentes, tanto para a quest\u00e3o de diagn\u00f3stico quanto para o progn\u00f3stico.\u201d A brasileira considera a estrat\u00e9gia indireta e complementar e, por esse fator, n\u00e3o permite dizer exatamente que h\u00e1 perda ou aumento da atividade cerebral de fato. \u201cTrata-se de uma aproxima\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o da aquisi\u00e7\u00e3o das imagens est\u00e1 limitada a uma frequ\u00eancia de amostragem que pode ser uma frequ\u00eancia muito baixa ligada \u00e0 cogni\u00e7\u00e3o. Dif\u00edcil dizer, se n\u00e3o for detectado nada com a imagem, que n\u00e3o existe nenhum processo de ativa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos extrapolar.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Promessa brasileira<\/strong><br \/>\nO protocolo usado para medir o n\u00edvel de consci\u00eancia de um paciente tem uma estimativa de erro pr\u00f3xima a 40%, e a solu\u00e7\u00e3o para esse drama desafiador pode estar nas m\u00e3os de brasileiros. Em artigo publicado, em agosto de 2013, na revista Science Translational Medicine, a equipe internacional de pesquisadores liderada por Adenauer Casali, hoje ligado ao Instituto do Cora\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo, e a mulher dele, Karina Casali, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, relata uma t\u00e9cnica promissora para essa an\u00e1lise. A ideia \u00e9 que o estado de consci\u00eancia sempre carrega consigo muita informa\u00e7\u00e3o: cores, formas, sons, temperatura, mem\u00f3ria, emo\u00e7\u00e3o etc. Tudo isso preenche ou forma uma experi\u00eancia consciente. A t\u00e9cnica permite detectar a conectividade do c\u00e9rebro dos pacientes e, ent\u00e3o, estimar se h\u00e1 um processamento cerebral ou n\u00e3o. Os testes foram feitos com 32 pessoas saud\u00e1veis e 20 indiv\u00edduos divididos em grupos com diagn\u00f3stico de estado vegetativo, minimamente conscientes e s\u00edndrome de encarceramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Pernambuco.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grande \u00eddolo das pistas de f\u00f3rmula 1 Michael Schumacher est\u00e1 internado, h\u00e1 quatro meses, no Hospital de Grenoble, na Fran\u00e7a, ap\u00f3s sofrer um grave acidente ao esquiar pelos Alpes. Mesmo sem despertar totalmente do coma induzido, a agente dele informou, no in\u00edcio desta semana, que o heptacampe\u00e3o j\u00e1 apresenta \u201csinais de consci\u00eancia\u201d. 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