{"id":18600,"date":"2014-05-01T10:44:57","date_gmt":"2014-05-01T13:44:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=18600"},"modified":"2014-05-02T13:21:30","modified_gmt":"2014-05-02T16:21:30","slug":"cfm-rebate-declaracoes-da-presidente-da-republica-contra-medicos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/cfm-rebate-declaracoes-da-presidente-da-republica-contra-medicos-brasileiros\/","title":{"rendered":"CFM rebate declara\u00e7\u00f5es da Presidente da Rep\u00fablica contra m\u00e9dicos brasileiros"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/CFM.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" class=\"alignleft size-full wp-image-18601\" title=\"CFM\" src=\"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/CFM.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"277\" srcset=\"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/CFM.jpg 275w, https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/CFM-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/CFM-180x180.jpg 180w, https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/CFM-55x55.jpg 55w\" sizes=\"(max-width: 275px) 100vw, 275px\" \/><\/a>No Dia do Trabalhador (1\u00ba de maio),\u00a0o Conselho Federal de Medicina (CFM) rebateu as declara\u00e7\u00f5es da Presidente da Rep\u00fablica Dilma Rousseff que afirmou que m\u00e9dicos cubanos s\u00e3o mais atenciosos que os brasileiros. Em nota divulgada \u00e0 imprensa, a entidade aponta que tal declara\u00e7\u00e3o representa mais uma agress\u00e3o direta e gratuita aos 400 mil profissionais que t\u00eam se empenhado diuturnamente no suporte \u00e0s pol\u00edticas de sa\u00fade e no atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o nas redes p\u00fablica e privada.<\/p>\n<p>O CFM ainda enfatiza \u00e0 Presidente que a Medicina brasileira est\u00e1 entre as melhores do mundo. &#8220;Seus representantes s\u00e3o refer\u00eancia internacional no diagn\u00f3stico e no tratamento de doen\u00e7as e, apesar da aus\u00eancia de est\u00edmulos do Estado e das parcas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, agem como her\u00f3is em postos de sa\u00fade, em ambulat\u00f3rios e nos hospitais e prontos-socorros, constantemente abarrotados por cidad\u00e3os com dificuldade de acesso \u00e0 assist\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No documento, o CFM ainda destaca os sucessivos relat\u00f3rios e levantamentos (nacionais e internacionais) que apontam um cen\u00e1rio de guerra, no qual m\u00e9dicos e pacientes s\u00e3o v\u00edtimas. Entre os dados h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es da OMS, do\u00a0Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Sa\u00fade (CNES), al\u00e9m do\u00a0Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU). Para o CFM, esta colet\u00e2nea\u00a0confirma o estado de urg\u00eancia e crise a qual passa a\u00a0sa\u00fade p\u00fablica brasileira.<\/p>\n<p>Leia abaixo a \u00edntegra da\u00a0carta aberta \u00e0 Presidente.<\/p>\n<p><strong>CARTA ABERTA \u00c0 PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF<\/strong><\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 1\u00ba de maio de 2014<\/p>\n<p>Excelent\u00edssima Presidente da Rep\u00fablica Federativa do Brasil<\/p>\n<p>Senhora Dilma Vana Rousseff<\/p>\n<p>Neste 1\u00ba de maio, data em que internacionalmente se comemora o Dia do Trabalhador, n\u00f3s, m\u00e9dicos brasileiros, de forma respeitosa, expressamos nosso sentimento de tristeza e de indigna\u00e7\u00e3o com coment\u00e1rios atribu\u00eddos \u00e0 Vossa Excel\u00eancia.<\/p>\n<p>De acordo com not\u00edcias publicadas pela imprensa, Vossa Excel\u00eancia disse que &#8220;eles (m\u00e9dicos cubanos) s\u00e3o mais atenciosos que os brasileiros&#8221;. Tal afirma\u00e7\u00e3o representa mais uma agress\u00e3o direta e gratuita aos 400 mil profissionais que t\u00eam se empenhado diuturnamente no suporte \u00e0s pol\u00edticas de sa\u00fade e no atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o nas redes p\u00fablica e privada.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que foi dito, Senhora Presidente, a Medicina brasileira est\u00e1 entre as melhores do mundo. Seus representantes s\u00e3o refer\u00eancia internacional no diagn\u00f3stico e no tratamento de doen\u00e7as e, apesar da aus\u00eancia de est\u00edmulos do Estado e das parcas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, agem como her\u00f3is em postos de sa\u00fade, em ambulat\u00f3rios e nos hospitais e prontos-socorros, constantemente abarrotados por cidad\u00e3os com dificuldade de acesso \u00e0 assist\u00eancia.<\/p>\n<p>Talvez o desespero de alguns poucos m\u00e9dicos diante de uma demanda crescente, da aus\u00eancia de suporte e da incompet\u00eancia dos gestores cause a falsa impress\u00e3o de insensibilidade. Na verdade, Senhora Presidente, s\u00e3o profissionais que foram brutalizados pelo Estado. Desmotivados e sem esperan\u00e7a, tentam seguir adiante sem as m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es de exercer uma medicina de qualidade e nem de estimular uma boa rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente.<\/p>\n<p>Cientes deste quadro, por meio de nossas entidades de representa\u00e7\u00e3o, n\u00f3s, m\u00e9dicos brasileiros, j\u00e1 lhe entregamos pessoalmente propostas para mudar essa realidade. Entre elas, estavam o aumento de investimentos em sa\u00fade, a moderniza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o de uma carreira p\u00fablica para os m\u00e9dicos e outros profissionais do SUS. Nunca obtivemos resposta. Apenas acompanhamos pela TV o an\u00fancio de um programa de importa\u00e7\u00e3o de profissionais que est\u00e1 longe de resolver de forma estruturante o caos da sa\u00fade.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros mostram que a sa\u00fade p\u00fablica brasileira est\u00e1 em crise. Os sucessivos relat\u00f3rios e levantamentos (nacionais e internacionais) apontam um cen\u00e1rio de guerra, no qual m\u00e9dicos e pacientes s\u00e3o v\u00edtimas. Relembramos a Vossa Excel\u00eancia apenas alguns dados e informa\u00e7\u00f5es que d\u00e3o uma p\u00e1lida ideia do que o pa\u00eds atravessa.<\/p>\n<p>\u2022 O Brasil ficou em \u00faltimo lugar &#8211; entre 48 na\u00e7\u00f5es \u2013 num estudo internacional sobre a efici\u00eancia dos servi\u00e7os de sa\u00fade, o qual cruzou dados do Banco Mundial, do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) e da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (ONU). A frente, ficaram pa\u00edses como o Chile, a Argentina, o Equador e a Arg\u00e9lia.<\/p>\n<p>\u2022 O governo \u00e9 respons\u00e1vel por apenas 47% de tudo o que \u00e9 gasto em sa\u00fade no pa\u00eds, segundo dados da OMS. Na m\u00e9dia mundial, o setor p\u00fablico garante 56% dessa cobertura.Em pa\u00edses com sistemas universais como o brasileiro (Inglaterra, Canad\u00e1, Espanha, Portugal e Fran\u00e7a) ficam acima de 70%.<\/p>\n<p>\u2022 O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Sa\u00fade (CNES) mostra que, desde janeiro de 2010, foram desativados quase 13 mil leitos na rede p\u00fablica de sa\u00fade, ou seja, uma m\u00e9dia de 10 por dia. Os cortes t\u00eam prejudicado, especialmente, as interna\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas de psiquiatria (- 7.449 leitos), pediatria (-5.992), obstetr\u00edcia (-3.431) e cirurgia geral (-340).<\/p>\n<p>\u2022 An\u00e1lise do or\u00e7amento da Uni\u00e3o prova que dos R$ 47,3 bilh\u00f5es gastos com investimentos pelo Governo Federal, em 2013, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade foi respons\u00e1vel por apenas 8,2% dessa quantia. Do total de R$ 9,4 bilh\u00f5es dispon\u00edveis para investimentos em unidades de sa\u00fade, em 2013, o governo desembolsou somente R$ 3,9 bilh\u00f5es, incluindo os restos a pagar quitados (compromissos assumidos em anos anteriores rolados para os exerc\u00edcios seguintes).<\/p>\n<p>\u2022 Os dados mostram ainda que nos \u00faltimos 13 anos (2001 a 2013) foram autorizados R$ 80,5 bilh\u00f5es espec\u00edficos para investimentos. No entanto, apenas R$ 33 bilh\u00f5es foram efetivamente gastos e outros R$ 47,5 bilh\u00f5es deixaram de ser investidos. Em outras palavras, de cada R$ 10 previstos para a melhoria da infraestrutura em sa\u00fade, R$ 6 deixaram de ser aplicados.<\/p>\n<p>\u2022 Com este recurso, seria poss\u00edvel adquirir 386 mil ambul\u00e2ncias (69 para cada munic\u00edpio brasileiro); construir 237 mil Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade (UBS) de porte I (43 por cidade); edificar 34 mil Unidades de Pronto Atendimento (UPA) de porte I (seis por cidade) ou, ainda, aumentar em 936 o n\u00famero de hospitais p\u00fablicos de m\u00e9dio porte.<\/p>\n<p>\u2022 De acordo com dados oficiais, apenas 11% das a\u00e7\u00f5es previstas no Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC 2) para a \u00e1rea da sa\u00fade foram conclu\u00eddas desde 2011, ano de lan\u00e7amento da segunda edi\u00e7\u00e3o programa. Das 24.066 a\u00e7\u00f5es sob responsabilidade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade ou da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade (Funasa), pouco mais de 2.500 foram finalizadas at\u00e9 dezembro do ano passado. Cerca de 50% das a\u00e7\u00f5es previstas ainda continuam no papel, ou seja, nos est\u00e1gios de &#8220;a\u00e7\u00e3o preparat\u00f3ria&#8221;, &#8220;contrata\u00e7\u00e3o&#8221; ou &#8220;licita\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>\u2022 Relat\u00f3rio sist\u00eamico de fiscaliza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, elaborado pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), concluiu que, no que se refere ao tema da Assist\u00eancia Hospitalar no SUS, existem problemas graves, complexos e recorrentes, relacionados a: insufici\u00eancia de leitos; superlota\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancias hospitalares; car\u00eancia de profissionais de sa\u00fade; desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos no Pa\u00eds; falta de medicamentos e insumos hospitalares; aus\u00eancia de equipamentos ou equipamentos obsoletos, n\u00e3o instalados ou sem manuten\u00e7\u00e3o; inadequada estrutura f\u00edsica; e insufici\u00eancia de recursos de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. De acordo com o \u00f3rg\u00e3o, 64% de 116 hospitais visitados apresentam taxa de ocupa\u00e7\u00e3o da emerg\u00eancia maior do que a capacidade prevista, e em 19% essa situa\u00e7\u00e3o ocorre com alguma frequ\u00eancia. Em apenas 6% n\u00e3o ocorre essa superlota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2022 Relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e Minorias da C\u00e2mara dos Deputados (CDHM) \u2013 resultado de visitas a urg\u00eancias e emerg\u00eancias de todo o pa\u00eds \u2013 confirmou o quadro grave no qual se encontram essas \u00e1reas do atendimento, classificado como de pen\u00faria sist\u00eamica com falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e de condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para o atendimento, ferindo a dignidade e os direitos dos cidad\u00e3os brasileiros, previstos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos elencar uma s\u00e9rie de outros dados, informa\u00e7\u00f5es e relatos que revelam este cen\u00e1rio desolador e que sugere a necessidade de a\u00e7\u00f5es imediatas por parte do Governo. Com certeza, o Brasil tem urg\u00eancia de ser bem tratado e ignorar a realidade descrita de nada adianta. Para tanto, devem ser tomadas medidas efetivas, distantes do apelo midi\u00e1tico ou do marketing.<\/p>\n<p>Finalmente, acreditamos que mais que ningu\u00e9m a Senhora pode testemunhar sobre a compet\u00eancia, o respeito e o carinho com que os m\u00e9dicos brasileiros tratam seus pacientes, acompanhando-os nas duras etapas do diagn\u00f3stico e tratamento at\u00e9 a cura.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o compreendemos como esse conhecimento \u00edntimo de como n\u00f3s agimos quando chamados \u00e0 a\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja lembrado pelo Governo at\u00e9 em oportunidades festivas como a de hoje, 1\u00ba de Maio, data na qual n\u00f3s, m\u00e9dicos, assim como qualquer outro trabalhador, merec\u00edamos ao menos o reconhecimento pelo que temos feito por todos os nossos pacientes \u2013 inclusive a Senhora \u2013 e pela sa\u00fade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Respeitosamente,<\/p>\n<p><strong>CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA &#8211; CFM<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia do Trabalhador (1\u00ba de maio),\u00a0o Conselho Federal de Medicina (CFM) rebateu as declara\u00e7\u00f5es da Presidente da Rep\u00fablica Dilma Rousseff que afirmou que m\u00e9dicos cubanos s\u00e3o mais atenciosos que os brasileiros. 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