{"id":18843,"date":"2014-05-23T14:39:13","date_gmt":"2014-05-23T17:39:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=18843"},"modified":"2014-05-23T14:39:13","modified_gmt":"2014-05-23T17:39:13","slug":"vida-longa-e-resultado-da-interacao-entre-genes-e-fatores-como-a-alimentacao-comprova-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/vida-longa-e-resultado-da-interacao-entre-genes-e-fatores-como-a-alimentacao-comprova-estudo\/","title":{"rendered":"Vida longa \u00e9 resultado da intera\u00e7\u00e3o entre genes e fatores como a alimenta\u00e7\u00e3o, comprova estudo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O arsenal anti-idade nunca teve tantas op\u00e7\u00f5es. A fonte da juventude est\u00e1 ao alcance de qualquer um \u2014 nas prateleiras das farm\u00e1cias, basta escolher entre uma infinidade de cremes, s\u00e9runs e lo\u00e7\u00f5es. Sem contar com procedimentos de consult\u00f3rio, como subst\u00e2ncias preenchedoras de rugas e lasers que apagam manchas senis. Contudo, enquanto o botox disfar\u00e7a as marcas superficiais do tempo, dentro do organismo, o rel\u00f3gio n\u00e3o para. Por isso, cientistas que investigam a longevidade est\u00e3o cada vez mais empenhados em descobrir quais s\u00e3o e como agem os genes do envelhecimento, em conjunto com outros fatores.<\/p>\n<p>Hoje, as pesquisas n\u00e3o se restringem \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de um grupo de genes respons\u00e1veis por encurtar ou alongar a vida. Os estudos se concentram na intera\u00e7\u00e3o do DNA com quest\u00f5es ambientais, explica Chen-Tseh Zhu, bi\u00f3logo da Universidade de Brown e autor de um artigo publicado recentemente no jornal PLoS Genetics que analisa essa rela\u00e7\u00e3o. \u201cO envelhecimento \u00e9 um processo muito complexo, h\u00e1 muitas c\u00e9lulas, muitos genes e muitas quest\u00f5es externas contribuindo simultaneamente para isso\u201d, diz. \u201cAo observar quais s\u00e3o essas rela\u00e7\u00f5es, podemos, por exemplo, entender como determinado perfil gen\u00e9tico vai responder a certos tipos de alimenta\u00e7\u00e3o, aumentando ou n\u00e3o a expectativa de vida. Estudos que levam em conta fatores \u00fanicos \u2014 gen\u00e9ticos ou diet\u00e9ticos \u2014 geralmente n\u00e3o chegam a resultados satisfat\u00f3rios\u201d, diz.<\/p>\n<p>De acordo com David Rand, pesquisador da Universidade de Yale especializado em DNA mitocondrial e coautor do artigo, tradicionalmente, o foco dos estudos de longevidade tem sido procurar um gene que aumente a expectativa de vida ou identificar uma dieta que fa\u00e7a o mesmo. \u201cAs investiga\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas est\u00e3o nos ensinando muitas coisas a respeito da biologia do envelhecimento\u201d, reconhece. \u201cMas, sozinho, um gene ou um par de gene n\u00e3o vai determinar a longevidade. N\u00f3s temos que entender melhor como a ingest\u00e3o cal\u00f3rica, por exemplo, desencadear\u00e1 a resposta metab\u00f3lica desses genes\u201d, afirma Rand. Ele faz um paralelo com a medicina personalizada. Da mesma forma que, no futuro, acredita-se que o genoma vai nortear o tratamento de cada paciente, o bi\u00f3logo aposta que as receitas de longevidade depender\u00e3o do perfil de DNA individual.<\/p>\n<p>Para chegar a essa conclus\u00e3o, Rand e Zhum geraram 18 linhagens de moscas, manipulando genes nucleares e mitocondriais (o material gen\u00e9tico herdado da parte da m\u00e3e e que se encontra na mitoc\u00f4ndria, em vez de no n\u00facleo da c\u00e9lula). As dros\u00f3filas mutantes, que ent\u00e3o carregavam um mix de DNA, foram alimentadas com um menu composto por cinco ra\u00e7\u00f5es diferentes, com mais prote\u00edna e a\u00e7\u00facar ou mais calorias, por exemplo.<\/p>\n<p>O cientistas observaram que apenas o ingrediente ou s\u00f3 o gene n\u00e3o influenciavam tanto a longevidade. Moscas contendo genes sabidamente associados a uma expectativa de vida maior n\u00e3o necessariamente viveram mais. Ou seja, o card\u00e1pio podia eliminar essa aparente vantagem biol\u00f3gica. Da mesma forma, ingerir menos a\u00e7\u00facar e mais prote\u00ednas n\u00e3o significou um prolongamento de vida em moscas desprivilegiadas geneticamente.<\/p>\n<p>O que aumentou a longevidade dos insetos foi a combina\u00e7\u00e3o da dieta mais apropriada para determinados genes. Dependendo do mix de DNA que cada mosca carregava, por exemplo, comer muito doce as fez viverem mais que aquelas cujo card\u00e1pio era mais saud\u00e1vel. \u201cTemos que nos debru\u00e7ar mais sobre essa abordagem para entender como v\u00e1rios genes \u2014 mitocondriais e nucleares \u2014 que afetam o envelhecimento interagem entre eles primeiramente. Depois de encontrar a combina\u00e7\u00e3o certa, ent\u00e3o acreditamos ser poss\u00edvel investigar como esse conjunto vai responder a diferentes tipos de mol\u00e9culas que comp\u00f5e os alimentos. A\u00ed, sim, teremos uma \u2018receita\u2019 mais confi\u00e1vel de longevidade\u201d, aposta Rand.<\/p>\n<p><strong>Influ\u00eancia da m\u00e3e<\/strong><br \/>\nO pesquisador do Instituto de Biologia do Envelhecimento Max Plank Nils-G\u00f6ran Larsson destaca que as linhas de investiga\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica da dura\u00e7\u00e3o da vida est\u00e3o, cada vez mais, considerando o papel do DNA mitocondrial. \u201cA mitoc\u00f4ndria \u00e9 a \u2018usina\u2019 energ\u00e9tica da c\u00e9lula. Embora diversas variantes estejam associadas \u00e0 longevidade, essa \u00e9 uma das mais importantes\u201d, defende. Ao longo da vida, o material gen\u00e9tico que fica dentro da mitoc\u00f4ndria muda mais que o pr\u00f3prio DNA nuclear, com um grande impacto no processo de envelhecimento. Essas muta\u00e7\u00f5es, gradualmente, afetam a produ\u00e7\u00e3o de energia da c\u00e9lula.<\/p>\n<p>Recentemente, um estudo de Larsson descobriu que o envelhecimento n\u00e3o \u00e9 influenciado apenas pelos danos no DNA mitocondrial acumulados ao longo da vida de um indiv\u00edduo. Na verdade, cada pessoa j\u00e1 nasce com avarias nesse material, passado pela m\u00e3e. As muta\u00e7\u00f5es que ocorreram no DNA mitocondrial da genitora s\u00e3o herdadas pelo filho, o que, de acordo com o pesquisador, tamb\u00e9m afeta o ritmo de envelhecimento. \u201cSe herdamos muta\u00e7\u00f5es mitocondriais de nossa m\u00e3e, envelhecemos mais rapidamente\u201d, diz. Contudo, assim como David Rand e Chen-Tseh Zhu, ele insiste na import\u00e2ncia da intera\u00e7\u00e3o do material gen\u00e9tico com fatores ambientais. \u201cAcreditamos que a defini\u00e7\u00e3o do grau de influ\u00eancia dos genes mitocondriais, assim como dos nucleares, se d\u00e1 pelo conjunto do DNA e dos h\u00e1bitos individuais. Ainda n\u00e3o sabemos se o estilo de vida \u00e9 capaz de interferir na forma como os danos herdados refletem na longevidade\u201d, esclarece.<\/p>\n<p>A vantagem de tra\u00e7ar planos<br \/>\nTer um prop\u00f3sito na vida pode ser um dos fatores externos associados \u00e0 longevidade, segundo um estudo publicado na Psychological Science, a revista da Associa\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancia Psicol\u00f3gica dos Estados Unidos. \u201cNossa descoberta aponta que buscar uma dire\u00e7\u00e3o para a vida e tra\u00e7ar objetivos pode ajud\u00e1-lo a viver mais, independentemente da idade\u201d, disse Patrick Hill, pesquisador da Universidade de Carleton, no Canad\u00e1, e principal autor do estudo. \u201cQuanto mais cedo algu\u00e9m se direcionar na vida, mais cedo esses efeitos protetivos ocorrem\u201d, garante.<\/p>\n<p>Estudos anteriores sugeriram que descobrir um prop\u00f3sito diminui os riscos de mortalidade. Mas Hill destaca que nenhuma dessas pesquisas havia investigado se os benef\u00edcios do direcionamento varia ao longo do tempo. Ent\u00e3o, ele resolveu tirar a prova, a partir de dados de um estudo americano que contou com a participa\u00e7\u00e3o de 6 mil pessoas. Hill se concentrou nas vari\u00e1veis psicol\u00f3gicas, em particular aquelas que avaliavam as experi\u00eancias e as emo\u00e7\u00f5es positivas e negativas dos volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ao longo de 14 anos de acompanhamento, 569 participantes (cerca de 9% da amostra) morreram. Eram justamente os que haviam relatado ter menos prop\u00f3sitos de vida e menor quantidade de rela\u00e7\u00f5es positivas. Dar um sentido \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia foi um fator que consistentemente previu o risco baixo de mortalidade, em rela\u00e7\u00e3o a pessoas mais jovens, de meia idade ou mais velhas. \u201cTer uma proposta de vida resultou em benef\u00edcios similares para as pessoas, mesmo para os aposentados, um conhecido fator de risco de mortalidade. Essas descobertas sugerem que h\u00e1 algo \u00fanico a respeito do sentido que damos \u00e0s nossas vidas\u201d, diz Hill.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Pernambuco.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O arsenal anti-idade nunca teve tantas op\u00e7\u00f5es. A fonte da juventude est\u00e1 ao alcance de qualquer um \u2014 nas prateleiras das farm\u00e1cias, basta escolher entre uma infinidade de cremes, s\u00e9runs e lo\u00e7\u00f5es. Sem contar com procedimentos de consult\u00f3rio, como subst\u00e2ncias preenchedoras de rugas e lasers que apagam manchas senis. 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