{"id":19481,"date":"2014-07-24T15:08:05","date_gmt":"2014-07-24T18:08:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=19481"},"modified":"2014-07-24T15:08:05","modified_gmt":"2014-07-24T18:08:05","slug":"chip-descobre-o-diabetes-em-poucos-minutos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/chip-descobre-o-diabetes-em-poucos-minutos\/","title":{"rendered":"Chip descobre o diabetes em poucos minutos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Um microchip feito com nanopart\u00edculas de ouro pode facilitar o diagn\u00f3stico de pacientes com diabetes tipo 1. A tecnologia foi desenvolvida na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e reduz o tempo de confirma\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a de alguns dias para apenas poucos minutos. O dispositivo, descrito na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista Nature Medicine, \u00e9 simples o suficiente para ser usado fora de um hospital ou de um laborat\u00f3rio, assim como em grandes grupos de pessoas simultaneamente. Os criadores do chip j\u00e1 procuram a aprova\u00e7\u00e3o da FDA, a ag\u00eancia norte-americana que regula rem\u00e9dios e alimentos.<\/p>\n<p>O sistema \u00e9 preparado para detectar os autoanticorpos, prote\u00ednas produzidas pelo organismo que sofre da varia\u00e7\u00e3o autoimune da doen\u00e7a. S\u00e3o eles que atacam as c\u00e9lulas beta pancre\u00e1ticas, produtoras da insulina, causando o diabetes tipo 1. O teste atual encontra esses anticorpos usando materiais radioativos para detectar a luminesc\u00eancia deles, sendo que o resultado pode durar at\u00e9 tr\u00eas dias. Mas o chip criado pelos norte-americanos usa uma tecnologia plasm\u00f4nica para tornar esse processo mais r\u00e1pido e sens\u00edvel.<\/p>\n<p>O dispositivo \u00e9 capaz de sinalizar a presen\u00e7a dos biomarcadores t\u00edpicos do diabetes com 2 microlitros de sangue (uma \u00fanica gota tem 35 microlitros), permitindo que o teste seja feito com uma simples picada de agulha na ponta do dedo. O segredo do m\u00e9todo est\u00e1 nas nanopart\u00edculas de ouro depositadas sobre a placa de vidro. Elas intensificam o sinal fluorescente que indica a rea\u00e7\u00e3o entre um conjunto selecionado de ant\u00edgenos e seus respectivos anticorpos.<\/p>\n<p>Os ant\u00edgenos s\u00e3o impressos em conjuntos de tr\u00eas pontos para cada reagente na superf\u00edcie de ouro. O sangue do paciente \u00e9 dilu\u00eddo e colocado sobre o chip, que usa um material fluorescente para sinalizar a presen\u00e7a dos anticorpos t\u00edpicos do diabetes. \u201cA intensidade da fluoresc\u00eancia de cada ponto \u00e9 proporcional \u00e0 quantidade de anticorpos\u201d, explica Bo Zhang, doutorando da Universidade de Stanford e um dos autores do trabalho.<\/p>\n<p>O processo, defendem os pesquisadores, \u00e9 simples o suficiente para ser feito por uma pessoa sem treinamento em sa\u00fade. O pre\u00e7o estimado do chip plasm\u00f4nico \u00e9 de R$ 45 e cada pe\u00e7a poderia ser usada em at\u00e9 15 pessoas. A tecnologia foi testada em 39 pacientes e mostrou ser t\u00e3o precisa quanto o teste tradicional.<br \/>\n<strong><br \/>\nTeste necess\u00e1rio<\/strong><br \/>\nAntigamente, m\u00e9dicos determinavam se o paciente tinha diabetes 1 ou 2 com base na idade ou no peso dele: crian\u00e7as t\u00eam mais tend\u00eancia a desenvolver a vers\u00e3o autoimuine da doen\u00e7a, enquanto pessoas acima do peso costumam apresentar o problema metab\u00f3lico que caracteriza o segundo tipo. Mas a crescente obesidade infantil e o aumento do n\u00famero de pessoas que desenvolvem o diabetes tipo 1 durante a vida adulta tornaram esse diagn\u00f3stico mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>\u201cCom o aumento de peso da popula\u00e7\u00e3o, o diabetes tipo 2 tem aparecido mais cedo. Hoje, h\u00e1 crian\u00e7a e adulto com essa doen\u00e7a\u201d, alerta Mario Kedhi Carra, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). \u201c\u00c9 preciso saber qual o tipo, porque os tratamentos s\u00e3o diferentes.\u201d<\/p>\n<p>H\u00e1 quatro d\u00e9cadas, o m\u00e9todo fluorescente era adotado nos laborat\u00f3rios, mas levava ainda mais tempo que o teste atual e ainda dependia do uso de uma l\u00e2mina com p\u00e2ncreas humano. O anticorpo reagia ao material e acusava a presen\u00e7a do biomarcador com pontos fluorescentes. O princ\u00edpio \u00e9 o mesmo usado no chip plasm\u00f4nico, mas o novo m\u00e9todo \u00e9 muito mais simples e usa a nanotecnologia para aumentar consideravelmente a sensibilidade do exame.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico S\u00e9rgio Atala Dib, professor de endocrinologia na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), acredita que a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica possa ser usada para identificar pacientes de diabetes tipo 1 em grandes grupos de pessoas, algo que seria inimagin\u00e1vel com os custos e a log\u00edstica dos testes de antigamente. Mas o chip plasm\u00f4nico tamb\u00e9m teria utilidade em consult\u00f3rios e laborat\u00f3rios. \u201cA maior quest\u00e3o aqui \u00e9 o volume do soro, porque muitas vezes tamb\u00e9m temos de fazer o teste em crian\u00e7as, e n\u00e3o podemos tirar muito sangue delas\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>O chip poderia ainda ser utilizado como forma de teste preventivo em familiares de pacientes com diabetes tipo 1, p\u00fablico com maior possibilidade de desenvolver a enfermidade. Isso permitiria aos m\u00e9dicos descobrir pessoas que t\u00eam os autoanticorpos nocivos, mas que ainda n\u00e3o desenvolveram o problema. \u201cNa pr\u00f3xima etapa, vamos trabalhar com modelos tipogr\u00e1ficos para testes port\u00e1teis, o que deve facilitar a identifica\u00e7\u00e3o precoce de crian\u00e7as em risco\u201d, revela Bo Zhang.<br \/>\n<strong><br \/>\nPalavra de especialista<\/strong><br \/>\n<em><br \/>\nGeraldo Picheth, professor do Departamento de An\u00e1lises Cl\u00ednicas da Universidade Federal do Paran\u00e1<\/em><\/p>\n<p>Aplica\u00e7\u00e3o promissora<br \/>\n&#8220;N\u00e3o se trata de novos biomarcadores para o diagn\u00f3stico do diabetes tipo 1, mas, sim, de nova tecnologia para identifica\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de biomarcadores (autoanticorpos), j\u00e1 em uso h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas, em uma nova plataforma. Esse \u00e9 um estudo promissor. Ser\u00e3o necess\u00e1rios muitos outros at\u00e9 que essa tecnologia esteja dispon\u00edvel no diagn\u00f3stico de rotina, caso seja referendada e aprovada. Agora, o n\u00famero de pacientes testados no trabalho \u00e9 muito pequeno para extrapolar a efici\u00eancia do chip para o diagn\u00f3stico em uma popula\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Pernambuco.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um microchip feito com nanopart\u00edculas de ouro pode facilitar o diagn\u00f3stico de pacientes com diabetes tipo 1. A tecnologia foi desenvolvida na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e reduz o tempo de confirma\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a de alguns dias para apenas poucos minutos. 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