{"id":20108,"date":"2014-10-08T11:40:16","date_gmt":"2014-10-08T14:40:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=20108"},"modified":"2014-10-08T11:40:16","modified_gmt":"2014-10-08T14:40:16","slug":"cresce-numero-de-mulheres-infectadas-com-hiv-em-relacoes-estaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/cresce-numero-de-mulheres-infectadas-com-hiv-em-relacoes-estaveis\/","title":{"rendered":"Cresce n\u00famero de mulheres infectadas com HIV em rela\u00e7\u00f5es est\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Maria Aparecida Lemos, de 59 anos, \u00e9 professora aposentada. Depois de se separar do marido, teve relacionamento est\u00e1vel durante tr\u00eas anos. Dois anos depois que o namoro acabou, Cida, como \u00e9 conhecida pelos amigos, adoeceu. Perdeu cabelo, viu surgirem manchas na pele, chegou a perder 47kg. Enquanto isso ocorria, procurou v\u00e1rios m\u00e9dicos na tentativa de encontrar um diagn\u00f3stico. A via-cr\u00facis em busca de uma resposta para os seus problemas acabou quando um reumatologista resolveu pedir que ela fizesse um teste de HIV. O resultado n\u00e3o poderia ser mais supreendente para uma profissional da educa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o namorava h\u00e1 pelo menos 24 meses e que sempre foi monog\u00e2mica, certinha e fiel em sua vida amorosa: soropositiva. Por causa da demora em descobrir a doen\u00e7a, Cida foi acometida por uma infec\u00e7\u00e3o oportunista e perdeu a vis\u00e3o.<\/p>\n<p>A contamina\u00e7\u00e3o pela Aids por meio de relacionamentos heterossexuais est\u00e1veis entre as mulheres \u00e9 assustadora \u2013 e muito mais comum do que se imagina. Do total de casos de Aids notificados entre mulheres no Brasil em 2012, segundo dados divulgados pelo Sistema de Informa\u00e7\u00f5es de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan) no final de 2013, 86,8% decorreram de rela\u00e7\u00f5es heterossexuais com pessoas infectadas com o HIV. O restante ocorreu por transmiss\u00e3o sangu\u00ednea e vertical. E isso n\u00e3o \u00e9 de agora. De acordo com a epidemiologista holandesa e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Para Sa\u00fade Socioeducativa, Irene Adams, que publicou o primeiro trabalho sobre as mulheres e Aids num congresso internacional em 1989, de l\u00e1 para c\u00e1 nada mudou. Em 2001, num outro trabalho publicado, ela mostrou que os heterossexuais s\u00f3 descobrem que t\u00eam Aids quando est\u00e3o morrendo. \u201cSe fossem homossexuais, a descoberta seria imediata\u201d, garante.<\/p>\n<p>\u201cComo m\u00e9dica especializada em Aids, um assunto que me preocupa h\u00e1 muito tempo \u00e9 o desconhecimento da epidemia entre mulheres. O tratamento hoje \u00e9 muito eficaz. O que propaga a epidemia \u00e9 que as pessoas n\u00e3o sabem que s\u00e3o portadoras do v\u00edrus\u201d, explica. Essa situa\u00e7\u00e3o fica ainda mais complicada quando os envolvidos s\u00e3o do sexo feminino, j\u00e1 que as mulheres at\u00e9 hoje continuam enfrentando dificuldades de negociar o uso de preservativos com seus parceiros. Hoje j\u00e1 n\u00e3o existem apenas grupos de risco ou vulnerabilidade para a Aids, e sim uma popula\u00e7\u00e3o-chave, como no caso das mulheres heterossexuais com relacionamento est\u00e1vel. \u201cPara um grupo de mulheres, pedir que o parceiro use camisinha \u00e9 um problema, mesmo que ela desconfie que ele est\u00e1 sendo infiel. Quando faz isso, ela pr\u00f3pria come\u00e7a a ser acusada de infidelidade. Em muitos casos, apanha do marido e depende dele para se sustentar\u201d, observa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cida, a professora aposentada mostrada no in\u00edcio da mat\u00e9ria, \u00e9 uma das sete soropositivas que participaram do document\u00e1rio Positivas, produzido e dirigido por Suzanna Lira, que conta a hist\u00f3ria e a luta de sete mulheres que confiaram nos votos de fidelidade de seus parceiros e foram surpreendidas pelo v\u00edrus da Aids em suas vidas. \u201cQuando soube que estava com Aids, tive muita raiva de mim. Fui irrespons\u00e1vel e ao mesmo tempo respons\u00e1vel pelo que aconteceu comigo porque permiti que meu parceiro deixasse de usar preservativo. No come\u00e7o at\u00e9 que us\u00e1vamos, mas o tempo passou e paramos. A gente acha que o amor imuniza e que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de maiores cuidados e, se somos fi\u00e9is, para que usar preservativos? Mas isso \u00e9 um erro\u201d, sustenta. De acordo com a professora, pior do que receber a not\u00edcia da doen\u00e7a foi perder a vis\u00e3o e, com ela, sua independ\u00eancia. \u201cFiquei um ano chorando, com raiva da vida, de mim e de Deus. Mas depois percebi que doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 castigo. Reagi e me transformei em ativista da luta contra a Aids\u201d, conta.<\/p>\n<p>Janela imunol\u00f3gica O infectologista Ant\u00f4nio Carlos Toledo J\u00fanior explica que \u00e9 justamente o fato de essas mulheres n\u00e3o fazerem parte do grupo de risco que as exp\u00f5e \u00e0 possibilidade de contamina\u00e7\u00e3o. \u201cO risco \u00e9 dos parceiros. Por isso, muitas vezes essas mulheres descobrem tardiamente o problema. N\u00e3o procuram assist\u00eancia por ignorar que podem estar contaminadas. N\u00e3o raro, o diagn\u00f3stico \u00e9 dado primeiro ao parceiro e s\u00f3 depois o exame \u00e9 pedido \u00e0 parceira\u201d, explica. Apesar do maior n\u00famero de casos de contamina\u00e7\u00e3o entre mulheres, ele acredita que o n\u00famero de diagn\u00f3sticos \u00e9 maior hoje. \u201cEstamos vivendo um momento dif\u00edcil: a banaliza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, decorrente dos avan\u00e7os no tratamento.\u201d Ainda segundo ele, os exames precisam ser feitos, mas n\u00e3o sem aconselhamento m\u00e9dico, j\u00e1 que h\u00e1 casos de falsos positivos e falsos negativos. \u201cA pessoa pode estar no per\u00edodo de janela imunol\u00f3gica, que chega a seis meses. O importante \u00e9 procurar um m\u00e9dico e se aconselhar para fazer o exame\u201d, orienta.<strong><\/p>\n<p>Trabalho de peso<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 26 anos, a epidemiologista Irene Adams fundou em Belo Horizonte a A\u00e7\u00e3o Multiprofissional com Meninos em Risco, mais conhecida como Cl\u00ednica Ammor, para a preven\u00e7\u00e3o, detec\u00e7\u00e3o precoce e acompanhamento da infec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus HIV\/Aids entre meninos e meninas em risco social. A ideia nasceu de um projeto de pesquisa com o objetivo de determinar os fatores de risco como base para um trabalho de preven\u00e7\u00e3o da Aids e de doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis (DSTs) entre crian\u00e7as e jovens moradores de rua. Trabalhando como uma cl\u00ednica ambulatorial, a Ammor \u00e9 hoje refer\u00eancia entre a popula\u00e7\u00e3o em risco social e baseia seu atendimento em tr\u00eas atividades: atendimento m\u00e9dico (enfermagem, pronto atendimento, check up, planejamento familiar, ginecologia, psicologia cl\u00ednica, nutri\u00e7\u00e3o), interven\u00e7\u00f5es educativas entre os jovens e capacita\u00e7\u00e3o dos educadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Pernambuco.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Aparecida Lemos, de 59 anos, \u00e9 professora aposentada. Depois de se separar do marido, teve relacionamento est\u00e1vel durante tr\u00eas anos. Dois anos depois que o namoro acabou, Cida, como \u00e9 conhecida pelos amigos, adoeceu. Perdeu cabelo, viu surgirem manchas na pele, chegou a perder 47kg. 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