{"id":20296,"date":"2014-10-27T15:00:22","date_gmt":"2014-10-27T18:00:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=20296"},"modified":"2014-10-27T15:00:22","modified_gmt":"2014-10-27T18:00:22","slug":"droga-elimina-cancer-de-pulmao-em-ratos-e-testes-comecarao-em-humanos-em-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/droga-elimina-cancer-de-pulmao-em-ratos-e-testes-comecarao-em-humanos-em-2015\/","title":{"rendered":"Droga elimina c\u00e2ncer de pulm\u00e3o em ratos e testes come\u00e7ar\u00e3o em humanos em 2015"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Uma pequena prote\u00edna, mas com efeito devastador. Em a\u00e7\u00e3o, a TOPK promove o crescimento de tumores em tecidos humanos, especialmente aqueles considerados muito agressivos. Quanto maior for a quantidade dessa mol\u00e9cula, menor a sobrevida do paciente. Dedicada a cortar de vez o potencial destrutivo dela, uma equipe de cientistas liderada por Yusuke Nakamura, do Departamento de Medicina da Universidade de Chicago (EUA), parece ter encontrado uma feroz combatente da TOPK: a OTS964. Os experimentos, ainda em animais, foram relatados na edi\u00e7\u00e3o de hoje da revista cient\u00edfica Science Translational Medicine.<\/p>\n<p>A TOPK est\u00e1 expressa de maneira mais evidente no tecido tumoral que no saud\u00e1vel, especialmente em casos de c\u00e2ncer de mama triplo negativo e de pulm\u00e3o \u2014 ambos muito agressivos. O primeiro representa 20% de todos os tipos de c\u00e2ncer, e n\u00e3o h\u00e1 uma droga alvo ou equipamento espec\u00edfico para trat\u00e1-lo. Por esse motivo, as pacientes s\u00e3o submetidas a uma quimioterapia convencional. Segundo Nakamura, o maior desafio foi escolher as subst\u00e2ncias que seriam testadas. \u201cN\u00f3s selecionamos 300 mil compostos inicialmente. Depois, sintetizamos mais de mil e encontrei alguns que estavam propensos a trabalhar em seres humanos. Estamos focados no mais eficaz. Agora, achamos que temos algo muito promissor.\u201d<\/p>\n<p>Os estudos iniciais, com uma droga precursora chamada OTS514, indicaram que ela \u00e9 eficaz para matar as c\u00e9lulas cancer\u00edgenas, mas causa efeitos colaterais. O principal deles \u00e9 a interfer\u00eancia no processo de hematopoiese \u2014 a diferencia\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas do sangue. Nos testes, houve um aumento na produ\u00e7\u00e3o de plaquetas que pode resultar em maior ocorr\u00eancia de trombose. Ao mesmo tempo, ocorreu uma queda na produ\u00e7\u00e3o de leuc\u00f3cito, aumentando as chances de leucopenia, uma diminui\u00e7\u00e3o das defesas do organismo devido ao menor volume de gl\u00f3bulos brancos.<\/p>\n<p>Esses problemas, a princ\u00edpio, puderam ser superados com o uso de um lipossoma para envolver a medica\u00e7\u00e3o e entreg\u00e1-la com mais seguran\u00e7a \u00e0s c\u00e9lulas. Trata-se de pequenas bolsas redondas formadas por camadas duplas de fosfolip\u00eddios, consideradas as mais comuns dos vetores de transporte n\u00e3o virais de genes. A abordagem foi chamada pelos pesquisadores de \u201celimina\u00e7\u00e3o completa da toxicidade hematopoi\u00e9tica\u201d e, com ela, eles chegaram \u00e0 vers\u00e3o final da droga: a OTS964.<\/p>\n<p><strong>Menos t\u00f3xica<\/strong><br \/>\nPara os testes, um tumor de pulm\u00e3o agressivo foi transplantado em camundongos. Os autores aguardaram at\u00e9 ele atingir 150mm c\u00fabicos e, em seguida, o medicamento foi administrado por via intravenosa em seis cobaias duas vezes por semana, durante tr\u00eas semanas. Os tumores reduziram rapidamente e continuaram a diminuir at\u00e9 mesmo depois do fim do tratamento. Em cinco dos seis animais, sumiram completamente, sendo que em tr\u00eas dentro de 25 dias do primeiro tratamento e em dois em 29 dias. Aqueles que receberam a droga revestida de lipossoma n\u00e3o apresentaram toxicidade detect\u00e1vel.<\/p>\n<p>A OTS964 tamb\u00e9m se mostrou eficaz quando tomada em doses maiores e por via oral. \u201c\u00c9 raro ver a regress\u00e3o completa de tumores em um modelo de camundongo. Muitos medicamentos podem reprimir o crescimento, mas \u00e9 incomum v\u00ea-los erradicados. Raramente isso foi relatado\u201d, comemora Nakamura. Hoje, eles trabalham no desenvolvimento de um teste com humanos, que deve ser iniciado no primeiro semestre de 2015.<\/p>\n<p>Segundo a biologista molecular Dirce Maria Carraro, chefe do Laborat\u00f3rio de Gen\u00f4mica e Biologia Molecular do A.C.Camargo Cancer Center, \u00e9 muito promissora a identifica\u00e7\u00e3o de um inibidor nessa etapa do estudo. \u201cEles abrem perspectivas importantes. Claro que agora temos que esperar os testes cl\u00ednicos de fase I, II e III para saber qual vai ser o comportamento em humanos tanto para o encolhimento do tumor quanto para a inibi\u00e7\u00e3o\u201d, pondera.<\/p>\n<p>A especialista explica que, mesmo os c\u00e2nceres sendo muito agressivos, existem pacientes que conseguem sobreviver a eles por meio do tratamento convencional, que age sobre todas as c\u00e9lulas que estiverem se duplicando. \u201cJ\u00e1 o tratamento-alvo (o proposto pelos cientistas de Chicago) est\u00e1 mais direcionado para a c\u00e9lula do tumor, tem como foco alguma prote\u00edna que \u00e9 mais expressa na doen\u00e7a\u201d, diferencia.<\/p>\n<p>Entre as consequ\u00eancias da a\u00e7\u00e3o mais espec\u00edfica, est\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o dos efeitos colaterais e da toxicidade. Ainda assim, os primeiros foram observados com o uso da OTS964. \u201cMedicamentos oncol\u00f3gicos t\u00eam um n\u00edvel de toxicidade alto e extremamente aceito porque \u00e9 preciso combater o c\u00e2ncer, uma doen\u00e7a altamente letal\u201d, diz Carraro.<\/p>\n<p><strong>Sinal de grandes novidades<\/strong><br \/>\n\u201cTodo o mecanismo de a\u00e7\u00e3o novo pode atuar em uma situa\u00e7\u00e3o em que drogas que j\u00e1 temos n\u00e3o funcionam mais. Essa \u00e9 uma possibilidade. O fato de ter sido utilizado em camundongos transplantados com tumores humanos \u00e9 muito interessante, mas s\u00f3 vamos ter certeza de qualquer coisa quando houver testes em humanos. Vale observar que, j\u00e1 nesse est\u00e1gio, a droga teve efeitos colaterais. \u00c9 uma perspectiva. Uma not\u00edcia boa sem muita certeza ainda. Precisamos de estudos em humanos, mas as grandes novidades tendem a come\u00e7ar assim.\u201d<\/p>\n<p><strong>Auro del Giglio, chefe do Departamento da Oncologia Cl\u00ednica do Instituto Brasileiro de Controle do C\u00e2ncer<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Pernambuco.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pequena prote\u00edna, mas com efeito devastador. Em a\u00e7\u00e3o, a TOPK promove o crescimento de tumores em tecidos humanos, especialmente aqueles considerados muito agressivos. Quanto maior for a quantidade dessa mol\u00e9cula, menor a sobrevida do paciente. 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