{"id":21202,"date":"2014-12-05T08:39:10","date_gmt":"2014-12-05T11:39:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=21202"},"modified":"2014-12-05T08:39:10","modified_gmt":"2014-12-05T11:39:10","slug":"pesquisadores-desvendam-como-o-tetano-ataca-o-organismo-e-abrem-caminho-para-novos-tratamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/pesquisadores-desvendam-como-o-tetano-ataca-o-organismo-e-abrem-caminho-para-novos-tratamentos\/","title":{"rendered":"Pesquisadores desvendam como o t\u00e9tano ataca o organismo e abrem caminho para novos tratamentos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Machucados provocados por objetos enferrujados ou sujos s\u00e3o um perigoso convite para um dos venenos mais potentes a amea\u00e7ar o corpo humano: a toxina produzida pela bact\u00e9ria Clostridium tetani, transmissora do t\u00e9tano. Por isso, quando uma pessoa se fere e h\u00e1 suspeita de contato com o micro-organismo, facilmente encontrado no solo, os profissionais de sa\u00fade logo recomendam uma nova dose da vacina, j\u00e1 que muitas pessoas n\u00e3o tomam o refor\u00e7o, que, depois da inf\u00e2ncia, deve ser aplicado a cada 10 anos.<\/p>\n<p>Essa preven\u00e7\u00e3o conseguiu tornar a enfermidade rara, mas, nem por isso, ela deixou de ser um mist\u00e9rio para a ci\u00eancia. At\u00e9 agora, especialistas n\u00e3o sabiam como a toxina, chamada tetanospasmina, ataca o sistema nervoso de uma pessoa desprotegida, causando espasmos musculares fort\u00edssimos que levam, em alguns casos, \u00e0 paralisia. Isso faz com que n\u00e3o exista tratamento para quem acaba infectado, geralmente por falta de imuniza\u00e7\u00e3o adequada. A resposta para o mist\u00e9rio, contudo, est\u00e1 publicada na edi\u00e7\u00e3o de hoje da revista Science e pode n\u00e3o s\u00f3 levar a formas de tratar o t\u00e9tano como a aumentar a compreens\u00e3o de outras doen\u00e7as neurol\u00f3gicas e at\u00e9 servir de inspira\u00e7\u00e3o para novas maneiras de introduzir medicamentos no corpo humano.<\/p>\n<p>\u201cEntender como o t\u00e9tano entra e \u00e9 transportado para o sistema nervoso central era meu sonho de estudante e foi o que me dirigiu para a neurobiologia. Tenho trabalhado com o mecanismo de a\u00e7\u00e3o das toxinas e neurotoxinas de Clostridium por toda a minha vida\u201d, conta ao Correio Giampietro Schiavo, principal autor do trabalho e professor do Instituto de Neurologia da University College London (UCL).<\/p>\n<p>Para realizar esse antigo desejo, Schiavo e colegas observaram a a\u00e7\u00e3o da tetanospasmina nas jun\u00e7\u00f5es neuromusculares (pontes moleculares entre m\u00fasculos e o sistema nervoso) de ratos. As an\u00e1lises mostraram que duas prote\u00ednas, chamadas nidogen-1 e nidogen-2, eram a pe\u00e7a-chave que procuravam. \u201cA fun\u00e7\u00e3o das nidogens \u00e9 envolver as c\u00e9lulas do corpo com uma membrana, que serve como prote\u00e7\u00e3o. Esse escudo faz com que elas se estabele\u00e7am nas jun\u00e7\u00f5es\u201d, explica o autor.<\/p>\n<p>O papel crucial das prote\u00ednas foi comprovado quando os cientistas conseguiram, ao agir sobre elas, impedir que o sistema nervoso de ratos infectados com a bact\u00e9ria Clostridium tetani fosse danificado. Usando pept\u00eddeos (biomol\u00e9culas formadas pela uni\u00e3o de dois amino\u00e1cidos) espec\u00edficos, o time impediu a a\u00e7\u00e3o das nidogens, evitando o ataque \u00e0s c\u00e9lulas dos animais. \u201cTestamos essa hip\u00f3tese e ela bloqueou a progress\u00e3o da paralisia esp\u00e1stica em ratinhos tratados. Acreditamos que pept\u00eddeos e tamb\u00e9m seus an\u00e1logos podem bloquear a intera\u00e7\u00e3o das nidogens\u201d, destaca Schiavo.<\/p>\n<p>Sem precedentes<br \/>\nPara o pesquisador, os resultados devem ajudar a preencher uma lacuna na medicina, melhorando o tratamento de pessoas que acabam infectadas por falta de imuniza\u00e7\u00e3o. \u201cO \u00fanico tratamento dispon\u00edvel \u00e9 a vacina, que \u00e9 eficaz, mas preventiva. Ela n\u00e3o pode ser utilizada em pacientes que j\u00e1 exibem sintomas\u201d, ressalta Schiavo. Segundo ele, o uso dos pept\u00eddeos pode ser uma alternativa de terapia no futuro. \u201cOs pept\u00eddeos ou seus derivados podem bloquear a entrada da toxina mesmo depois de ela entrar em contato com os neur\u00f4nios. Isso \u00e9 completamente sem precedentes\u201d, completa.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Alberto Chebabo, infectologista do Laborat\u00f3rio Exame, a pesquisa se destaca justamente por aumentar as possibilidades de tratamento. \u201cHoje em dia, n\u00e3o possu\u00edmos nenhum tipo de tratamento voltado para o t\u00e9tano, al\u00e9m da vacina antitet\u00e2nica. Os medicamentos utilizados para quem tem a doen\u00e7a s\u00e3o alternativos e usados para combater sintomas, como relaxantes musculares que diminuem os espasmos sofridos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Edgar Nunes de Moraes, chefe do Departamento de Geriatria do Hospital Universit\u00e1rio da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tamb\u00e9m \u00e9 otimista com os caminhos abertos pelo estudo de Schiavo e colaboradores. \u201cO grande problema do t\u00e9tano \u00e9 que n\u00e3o possu\u00edmos medicamentos que tratem diretamente a a\u00e7\u00e3o da sua neurotoxina. Com rem\u00e9dios que agem diretamente na a\u00e7\u00e3o dessa enfermidade, o sofrimento do paciente pode diminuir e suas chances de sobreviv\u00eancia podem aumentar\u201d, acredita.<\/p>\n<p>Outras enfermidades<br \/>\nA descri\u00e7\u00e3o de como a neurotoxina do t\u00e9tano age no organismo pode auxiliar tamb\u00e9m no combate a outros dist\u00farbios neurol\u00f3gicos. \u201cEntender como o t\u00e9tano se comporta vai nos ajudar a desenvolver melhores tratamentos para os neur\u00f4nios motores e sensitivos, tornando-os mais eficazes em doses menores e reduzindo os efeitos colaterais\u201d, destaca Schiavo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na avalia\u00e7\u00e3o de Moraes, da UFMG, esse \u00e9 um dos grandes ganhos do trabalho. \u201cA \u00e1rea de pesquisa em doen\u00e7as neuromusculares pode ganhar uma s\u00e9rie de possibilidades com essa t\u00e9cnica de interfer\u00eancia, principalmente quanto ao botulismo, que \u00e9 parecido com o t\u00e9tano. \u00c9 claro que estamos falando de um estudo inicial, feito com ratos, por\u00e9m, futuramente, podemos ter a esperan\u00e7a de conseguir o mesmo sucesso em humanos\u201d, completa.<\/p>\n<p>Os cientistas respons\u00e1veis pelo estudo pretendem levar a pesquisa adiante e veem at\u00e9 mesmo a possibilidade de usar a estrat\u00e9gia da toxina para se fixar nas c\u00e9lulas como inspira\u00e7\u00e3o para desenvolver novas formas de aplicar rem\u00e9dios. A ideia seria usar as prote\u00ednas nidogens a favor da sa\u00fade. Em vez de ajudarem a entrada da tetanospasmina, elas garantiriam doses de medicamentos diretamente nas c\u00e9lulas do sistema nervoso. E as perspectivas da equipe s\u00e3o muito mais amplas, garante Schiavo. \u201cAs nidogens s\u00e3o apenas o primeiro elemento do complexo sistema receptor da toxina tet\u00e2nica que descobrimos. Estamos agora \u00e0 ca\u00e7a de outras subst\u00e2ncias\u201d, ressalta o autor da pesquisa.<\/p>\n<p>Sem ar<br \/>\nBotulismo \u00e9 uma doen\u00e7a considerada rara e muito grave, causada pela toxina produzida pela bact\u00e9ria Clostridium botulinum. Ela pode ser encontrada no solo, em produtos agr\u00edcolas e em organismos marinhos, como peixes. A porta de entrada da bact\u00e9ria no corpo humano s\u00e3o machucados e tamb\u00e9m a ingest\u00e3o dos alimentos infectados. A toxina do botulismo provoca paralisia dos m\u00fasculos, principalmente os respirat\u00f3rios, que impedem a respira\u00e7\u00e3o e podem provocar morte por asfixia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Machucados provocados por objetos enferrujados ou sujos s\u00e3o um perigoso convite para um dos venenos mais potentes a amea\u00e7ar o corpo humano: a toxina produzida pela bact\u00e9ria Clostridium tetani, transmissora do t\u00e9tano. Por isso, quando uma pessoa se fere e h\u00e1 suspeita de contato com o micro-organismo, facilmente encontrado no solo, os profissionais de sa\u00fade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[]},"categories":[9],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21202"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21202"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21202\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21203,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21202\/revisions\/21203"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}