{"id":21286,"date":"2014-12-10T10:32:31","date_gmt":"2014-12-10T13:32:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=21286"},"modified":"2014-12-10T10:32:31","modified_gmt":"2014-12-10T13:32:31","slug":"cientistas-conseguem-silenciar-virus-da-herpes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/cientistas-conseguem-silenciar-virus-da-herpes\/","title":{"rendered":"Cientistas conseguem silenciar v\u00edrus da herpes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Longe de ser escravo da pr\u00f3pria biologia, no decorrer da vida, o ser humano pode seguir ou n\u00e3o sua \u201cprograma\u00e7\u00e3o\u201d gen\u00e9tica. As chamadas modifica\u00e7\u00f5es epigen\u00e9ticas s\u00e3o fatores que atuam diretamente sobre a express\u00e3o dos genes, como se os ligassem ou desligassem. Ou seja, a informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 no DNA, mas se ser\u00e1 ativada depender\u00e1 de outros elementos, incluindo o ambiente. Essa din\u00e2mica \u00e9 vista por especialistas como uma grande arma contra doen\u00e7as cuja origem parece estar no c\u00f3digo gen\u00e9tico dos pacientes.<\/p>\n<p>Uma equipe da Universidade de Louisiana State, nos Estados Unidos, encontrou uma nova forma de usar a estrat\u00e9gia. Adotando uma droga epigen\u00e9tica j\u00e1 conhecida, o grupo liderado pelo pesquisador James Hill, do Centro de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da institui\u00e7\u00e3o, conseguiu silenciar a reativa\u00e7\u00e3o do v\u00edrus do herpes no organismo de animais, abrindo a possibilidade para um novo tratamento da infec\u00e7\u00e3o em humanos futuramente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAcredita-se que cerca de 90% da popula\u00e7\u00e3o mundial tenha a forma latente do v\u00edrus, que fica abrigada, normalmente, no interior do n\u00facleo celular, onde tamb\u00e9m est\u00e1 armazenado o DNA. Ali, ele fica escondido e distante de qualquer a\u00e7\u00e3o do sistema imune ou de terapias. Por um motivo ainda n\u00e3o esclarecido, em algumas pessoas, o micro-organismo se torna reativo, e a doen\u00e7a se manifesta de tempos em tempos.<\/p>\n<p>Estudos anteriores mostraram que uma prote\u00edna chamada LSD1, encontrada tamb\u00e9m na c\u00e9lula hospedeira, parecia envolvida nesse processo, ao modificar determinadas prote\u00ednas do hospedeiro que controlam o acesso ao DNA. Com essa informa\u00e7\u00e3o em m\u00e3os, os cientistas norte-americanos decidiram aplicar em camundongos, coelhos e porcos infectados com o herpes-v\u00edrus uma droga chamada tranilcipromina, conhecida por sua capacidade de bloquear a atividade da LSD1. A consequ\u00eancia foi o impedimento da manifesta\u00e7\u00e3o dos sintomas ou a redu\u00e7\u00e3o deles.<\/p>\n<p>Os resultados, publicados na edi\u00e7\u00e3o de hoje da revista Science Translational Medicine, indicam que, mesmo durante a lat\u00eancia, o material gen\u00e9tico do v\u00edrus est\u00e1 sujeito a altera\u00e7\u00f5es epigen\u00e9ticas que podem ser reguladas com as drogas. Os autores do trabalho acreditam que, ao bloquear um componente celular, em vez de um viral, o tratamento pode minimizar a evolu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus resistentes \u00e0s drogas.<\/p>\n<p>O tratamento tem como alvo um est\u00e1gio muito inicial do ciclo infeccioso e sintomas reduzidos da doen\u00e7a, al\u00e9m do derramamento (liberta\u00e7\u00e3o de part\u00edculas virais) e recidiva da les\u00e3o. Se esses dados forem confirmados em humanos, as terapias epifarmac\u00eauticas podem fornecer uma \u00e1rea terap\u00eautica promissora para o tratamento da doen\u00e7a ainda muito prevalente ao longo da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEstrat\u00e9gia promissora<br \/>\nSegundo Hill, seu trabalho mostra uma an\u00e1lise abrangente da inibi\u00e7\u00e3o epigen\u00e9tica de infec\u00e7\u00e3o viral e reativa\u00e7\u00e3o de piscinas latentes. Essa demonstra\u00e7\u00e3o seria um contraste para as abordagens atuais de combate a infec\u00e7\u00f5es virais como as que tentam purgar reservat\u00f3rio latentes, como para o HIV, com a reativa\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. \u201cA supress\u00e3o epigen\u00e9tica pode representar uma abordagem aos antivirais com enorme potencial derivada de estudos de epigen\u00e9tica viral e o surgimento do campo de epifarmac\u00eauticos\u201d, acredita o cientista, lembrando que terapias epigen\u00e9ticas est\u00e3o sendo rapidamente desenvolvidas como tratamentos de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o inicial, o v\u00edrus do herpes entra em um estado latente em c\u00e9lulas nervosas sensoriais e periodicamente acontece a reativa\u00e7\u00e3o, que produz a doen\u00e7a. Normalmente, quando manifestada, provoca les\u00f5es orais ou genitais recorrentes e pode contribuir para a doen\u00e7a ocular ceratite herp\u00e9tica \u2014 uma das principais causas de cegueira. Mesmo sem sintomas, as pessoas infectadas podem lan\u00e7ar e transmitir o v\u00edrus. Os tratamentos atuais, que t\u00eam como alvo as prote\u00ednas virais, n\u00e3o controlam efetivamente o derramamento ou a reativa\u00e7\u00e3o do v\u00edrus latente. Para Nancy Bellei, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia e professora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), a tentativa de tratar o v\u00edrus com drogas epigen\u00e9ticas \u00e9 bastante interessante e inovadora.<\/p>\n<p>\u201cImagine se consegu\u00edssemos pegar um paciente que j\u00e1 teve herpes no passado, sujeito, portanto, a uma reativa\u00e7\u00e3o, e administr\u00e1ssemos essa droga. Ela iria \u00e0 c\u00e9lula do paciente, entraria no n\u00facleo e encontraria o material gen\u00e9tico que n\u00e3o \u00e9 de funcionamento celular do paciente, mas sim inativo, chamado heterocromatina. E, nesse meio, silenciaria esse v\u00edrus do herpes\u201d, projeta Bellei, ainda que alerte para a necessidade de muitos outros estudos at\u00e9 esse ponto. Ela ressalta tamb\u00e9m que outra potencial vantagem da terapia \u00e9 que esse silenciamento seria transmitido quando a c\u00e9lula se dividisse. \u201cSe isso n\u00e3o acontecesse, na hora que ela se dividisse, o v\u00edrus seria reativado.\u201d O tratamento seria, ent\u00e3o, uma garantia de que o micro-organismo ficaria sempre inativo.<\/p>\n<p>Esconderijo<br \/>\nUm dos maiores desafios hoje na busca pela erradica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus da imunodefici\u00eancia humana (HIV) do organismo de pessoas sob tratamento est\u00e1 nos chamados reservat\u00f3rios ou \u201csantu\u00e1rios\u201d. Eles s\u00e3o compostos de c\u00e9lulas infectadas afastadas da corrente sangu\u00ednea e com o v\u00edrus em estado latente. Juntas, essas duas condi\u00e7\u00f5es fazem com que elas n\u00e3o sejam atingidas pelos antirretrovirais, contribuindo para a manuten\u00e7\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Longe de ser escravo da pr\u00f3pria biologia, no decorrer da vida, o ser humano pode seguir ou n\u00e3o sua \u201cprograma\u00e7\u00e3o\u201d gen\u00e9tica. As chamadas modifica\u00e7\u00f5es epigen\u00e9ticas s\u00e3o fatores que atuam diretamente sobre a express\u00e3o dos genes, como se os ligassem ou desligassem. 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