{"id":22824,"date":"2015-02-10T10:28:06","date_gmt":"2015-02-10T13:28:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=22824"},"modified":"2015-02-10T10:28:06","modified_gmt":"2015-02-10T13:28:06","slug":"entenda-a-relacao-entre-cesariana-marcada-e-o-risco-de-prematuridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/entenda-a-relacao-entre-cesariana-marcada-e-o-risco-de-prematuridade\/","title":{"rendered":"Entenda a rela\u00e7\u00e3o entre cesariana marcada e o risco de prematuridade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Com 37 semanas, a empres\u00e1ria Magali Alvarenga, 34 anos, descobriu pela secret\u00e1ria do m\u00e9dico que acompanhava seu pr\u00e9-natal que o especialista estaria em viagem na semana que antecederia a data prov\u00e1vel do parto de seu segundo filho e para quem pagaria R$ 7 mil, al\u00e9m das despesas com o plano de sa\u00fade. Ela conta que o ginecologista j\u00e1 tinha acompanhado o parto de seu primeiro filho, Eric, de 3 anos, que nasceu de cesariana. \u201cEle sabia que eu queria parto normal, mas me ofereceu adiantar a cirurgia para a 38\u00aa semana, antes de viajar\u201d, relata. Magali foi categ\u00f3rica e disse que n\u00e3o queria marcar data, que queria entrar em trabalho de parto e n\u00e3o gostaria de uma segunda cesariana. \u201cAt\u00e9 parece que faria uma cesariana para acompanhar agenda de m\u00e9dico\u201d, desabafa.<\/p>\n<p>Magali pediu, ent\u00e3o, uma indica\u00e7\u00e3o de outro especialista, mas ouviu do m\u00e9dico que a acompanhava no pr\u00e9-natal que ele tinha como pol\u00edtica s\u00f3 indicar um segundo nome se houvesse necessidade. Eles teriam ainda uma semana e meia antes do compromisso do profissional fora de Belo Horizonte&#8230; A empres\u00e1ria fingiu concordar, mas foi em busca de outra pessoa. \u201cEu preferia ter meu filho com um plantonista do que tir\u00e1-lo antes da hora\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>A m\u00e3e de Eric e Breno, que tem 15 dias de vida, diz ter encontrado um m\u00e9dico \u201csuper a favor do parto normal que n\u00e3o colocou a minha primeira ces\u00e1rea como impedimento e ainda n\u00e3o cobrava \u2018por fora\u2019\u201d. A data prevista para o ca\u00e7ula nascer era 24 de janeiro, mas no dia 22, o garotinho deu sinais de que queria vir ao mundo. \u201cDurante a madrugada senti minhas primeiras contra\u00e7\u00f5es e fui para o hospital, fiquei 6 horas em trabalho de parto, o m\u00e9dico me sugeriu esperar mais um pouco, mas eu j\u00e1 estava com muita dor e optei pela cesariana. O Breno estava sentado e nasceu com 4,045 quilos\u201d, finaliza a empres\u00e1ria.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Magali ilustra bem um fen\u00f4meno no Brasil que tem sido chamado de paradoxo epidemiol\u00f3gico, ou seja, nas regi\u00f5es mais desenvolvidas (Sul e Sudeste) \u00e9 maior a incid\u00eancia de prematuridade. Um estudo do Unicef em parceria com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mostra que, a cada ano que passa, aumenta o n\u00famero de beb\u00eas que nascem prematuros por aqui. Em 2000, o \u00edndice era de 7%; em 2014 chegou a 12,5% e coloca o Brasil no mesmo patamar dos pa\u00edses de baixa renda, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade. Na Inglaterra, por exemplo, esse \u00edndice \u00e9 55% menor. \u201cPesquisas apontam uma estreita rela\u00e7\u00e3o entre prematuridade e cesariana marcada\u201d, afirma a coordenadora da Linha de Cuidados Neonatais do Hospital Sofia Feldman, a m\u00e9dica neonatologista Raquel Lima.<\/p>\n<p>Para estabelecer essa rela\u00e7\u00e3o com exatid\u00e3o mais estudos s\u00e3o necess\u00e1rios, mas um exemplo brasileiro refor\u00e7a essa associa\u00e7\u00e3o. Pediatra, epidemiologista e coordenadora da Comiss\u00e3o Perinatal da Secretaria Municipal de Sa\u00fade de Belo Horizonte, S\u00f4nia Lansky cita um modelo que tem sido adotado pela Unimed Brasil para reduzir os \u00edndices de cesarianas em suas maternidades. Na unidade de Jaboticabal, em S\u00e3o Paulo, o projeto conseguiu reduzir a incid\u00eancia de cesariana de 99,3% para 50% e baixar a zero a incid\u00eancia de prematuridade, isso em apenas um ano, entre 2012 e 2013. Al\u00e9m disso, aconteceu uma redu\u00e7\u00e3o de 60% no n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es em UTI neonatal. \u201cA observa\u00e7\u00e3o em curso dos efeitos para redu\u00e7\u00e3o de cesariana no Brasil est\u00e3o apontando claramente a rela\u00e7\u00e3o com a prematuridade\u201d, afirma Lansky.<\/p>\n<p>A cesariana marcada, sem indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, \u00e9 um problema porque o tempo de uma gravidez n\u00e3o \u00e9 exato, alguns beb\u00eas v\u00eam ao mundo com 38 semanas e outros com 42. O risco de fazer uma cesariana na 38\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o \u00e9 que o beb\u00ea pode ter apenas 36 semanas, ou seja, nasceria prematuro. \u00c9 sempre bom lembrar que a prematuridade \u00e9 a principal causa de mortalidade infantil no primeiro m\u00eas de vida. Um estudo que gerou burburinho na semana passada, divulgado pelo Perinatal Institute, uma ONG brit\u00e2nica, mostra que a data prov\u00e1vel de parto (DPP) quase nunca \u00e9 precisa: apenas 4% dos beb\u00eas nascem na data estimada. Ou seja, a estimativa da DPP falha em 96% das vezes.<\/p>\n<p>Entenda a contagem<br \/>\nDiretor cl\u00ednico do Hospital Sofia Feldman, o ginecologista e obstetra Jo\u00e3o Batista Lima explica que o padr\u00e3o internacional da contagem da idade gestacional parte do \u00faltimo dia da menstrua\u00e7\u00e3o. \u201cA essa data, soma-se 280 dias\u201d, explica. Segundo ele, se ap\u00f3s o ultrasson \u2013 que precisa ser feito no primeiro trimestre de gravidez \u2013 houver uma diferen\u00e7a superior a cinco dias entre a data da \u00faltima menstrua\u00e7\u00e3o e idade gestacional que o exame mostra, o m\u00e9dico passa a considerar a informa\u00e7\u00e3o do exame.<\/p>\n<p>O especialista afirma ainda que o Col\u00e9gio Americano de Ginecologia e Obstetr\u00edcia e a Sociedade de Medicina Fetal dos Estados Unidos elaborou uma subdivis\u00e3o que define o que \u00e9 considerado \u2018gesta\u00e7\u00e3o a termo\u2019. \u201cExiste uma expectativa de que a OMS passe a adotar essa defini\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m\u201d, enfatiza. Atualmente, a OMS considera \u2018a termo\u2019 quando o beb\u00ea nasce entre 37 e 42 semanas. Veja como \u00e9 a subdivis\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 sendo adotada:<\/p>\n<p>termo precoce: de 37 a 38 semanas e 6 dias<br \/>\ntermo completo: de 39 a 40 semanas e 6 dias &#8211; Momento ideal pra os beb\u00eas nascerem.<br \/>\ntermo tardio: de 41 a 41 semanas e 6 dias<br \/>\np\u00f3s-termo: ap\u00f3s 42 semanas<\/p>\n<p>Ou seja, antes de 37 semanas (ou 36 semanas e 6 dias) o beb\u00ea \u00e9 considerado prematuro. \u201cNo Brasil j\u00e1 come\u00e7amos a usar essas refer\u00eancias at\u00e9 para alertar as mulheres de que n\u00e3o se deve fazer uma cesariana eletiva (marcada) antes de 39 semanas\u201d, refor\u00e7a Jo\u00e3o Batista. Para ele, no entanto, como nenhum m\u00e9todo de data\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso ele n\u00e3o recomenda cesariana antes de 40 semanas. Essa refer\u00eancia, de acordo com o ginecologista, \u00e9, inclusive, utilizada como indicador de qualidade das maternidades no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para ele, do ponto de vista t\u00e9cnico, a cirurgia de extra\u00e7\u00e3o fetal antes de 39 semanas \u00e9 uma conduta errada, mas condizente com a cultura de cesariana que assola o pa\u00eds: na rede privada o \u00edndice \u00e9 88%, na rede p\u00fablica, 46%, enquanto a recomenda\u00e7\u00e3o da OMS \u00e9 de 15%. \u201cProgressivamente est\u00e3o sendo feitas cesarianas mais precocemente. Esperar significa aumentar a chance de a mulher entrar em trabalho de parto espont\u00e2neo, o que apesar de n\u00e3o impedir a cirurgia foge ao crit\u00e9rio de parto planejado\u201d, explica. Jo\u00e3o Batista diz que os beb\u00eas que nascem de cesariana no pa\u00eds t\u00eam, em m\u00e9dia, duas semanas a menos de idade gestacional em rela\u00e7\u00e3o aos que nascem de parto normal.<\/p>\n<p>Ginecologista, obstetra e membro da Associa\u00e7\u00e3o de Ginecologistas e Obstetras e de Minas Gerais (SOGIMIG), Marcos Taveira afirma que o trabalho de parto \u00e9 a \u00fanica certeza de que o beb\u00ea est\u00e1 pronto para nascer. Num mundo hipot\u00e9tico, segundo ele, se a mulher soubesse com certeza absoluta a data da \u00faltima menstrua\u00e7\u00e3o, existiria uma grande chance de a estimativa da data de parto corresponder \u00e0 idade gestacional mostrada pelo ultrasson. \u201cSe o exame \u00e9 realizado nas primeiras nove semanas de gesta\u00e7\u00e3o, temos um \u2018erro\u2019 na estimativa que varia de tr\u00eas a cinco dias, o que \u00e9 considerado pequeno. Se o exame for realizado entre 9 at\u00e9 12 semanas, a diferen\u00e7a aumenta para cinco a sete dias. De 20 a 28 semanas, a diferen\u00e7a da idade gestacional varia entre 14 a 20 dias e, a partir de 28 semanas pode chegar a 30 dias de diferen\u00e7a\u201d, detalha.<\/p>\n<p>Segundo Taveira, mesmo se a mulher tiver certeza absoluta da data da \u00faltima menstrua\u00e7\u00e3o e o resultado do ultrasson coincidir dentro da margem de erro sete dias, pode acontecer de o beb\u00ea nascer prematuro com uma cesariana de 39 semanas. \u201cO imponder\u00e1vel acontece, 100% de certeza n\u00e3o h\u00e1 como. Para ter seguran\u00e7a absoluta, a mulher tem que entrar em trabalho de parto\u201d, salienta. Para ele, no entanto, a mulher que deseja uma cesariana n\u00e3o quer entrar em trabalho de parto porque n\u00e3o quer sentir contra\u00e7\u00e3o. \u201cDo ponto de vista de conforto, n\u00e3o seria o ideal\u201d, diz.<\/p>\n<p>Marcos Taveira refor\u00e7a o risco de fazer uma cesariana antes da 39a semana: \u201co beb\u00ea pode ter problemas respirat\u00f3rios, s\u00edndrome do pulm\u00e3o encharcado e necessidade de UTI\u201d. O m\u00e9dico afirma que a ideia da cesariana com data marcada est\u00e1 sendo muito combatida atualmente: \u201cO importante nesse contexto todo, \u00e9 o conceito de que cada dia que o beb\u00ea passa dentro do \u00fatero da m\u00e3e \u00e9 vantajoso para ele, desde que sem risco para m\u00e3e ou para o feto. \u00c9 algo que est\u00e1 bem incorporado por todos os m\u00e9dicos. Mesmo em gesta\u00e7\u00f5es de alto risco, todo o esfor\u00e7o \u00e9 para ir o mais longe poss\u00edvel. O combate \u00e0 prematuridade est\u00e1 sendo feito com unhas e dentes\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<p>Opini\u00e3o de pediatra<br \/>\nRaquel Lima e S\u00f4nia Lansky defendem a espera pelo trabalho de parto para n\u00e3o arriscar em prematuridade ou imaturidade. Para elas, \u00e9 a forma mais segura para se evitar riscos para a crian\u00e7a. \u201cUm beb\u00ea que nasce com menos de 39 semanas tem duas ou tr\u00eas vezes mais risco de morbidade\u201d, afirma Raquel Lima. Entre eles, patologias respirat\u00f3rias, dist\u00farbios metab\u00f3licos, mais chance de ter hipoglicemia, icter\u00edcia mais severa e dificuldade de suc\u00e7\u00e3o para mamar.<\/p>\n<p>Segundo ela, quando o beb\u00ea nasce, o pediatra realiza exames para avaliar a idade gestacional da crian\u00e7a. Entre os mais conhecidos est\u00e3o o m\u00e9todo de Capurro e o New Ballard que consistem em avaliar caracter\u00edsticas f\u00edsicas da crian\u00e7a. \u201cCada caracter\u00edstica f\u00edsica analisada recebe uma pontua\u00e7\u00e3o que permite estimar a idade pela m\u00e9dia das notas\u201d. Por exemplo, quanto mais fina a pele, mais prematura \u00e9 a crian\u00e7a. As preguinhas dos p\u00e9s tamb\u00e9m s\u00e3o um indicador: rec\u00e9m-nascido sem nenhuma \u2018dobrinha\u2019 provavelmente tem uma idade gestacional menor. A partir desses testes, que incluem tamb\u00e9m a forma\u00e7\u00e3o da genit\u00e1lia e caracter\u00edsticas da orelha, o pediatra avalia se a idade gestacional calculada (feita pelo obstetra) \u00e9 compat\u00edvel com a idade gestacional estimada (feita pelo pediatra) e a informa\u00e7\u00e3o entra no registro da Declara\u00e7\u00e3o dos Nascidos Vivos.<\/p>\n<p>Para S\u00f4nia Lansky, o Brasil tem a oportunidade de incluir o pediatra no acompanhamento \u00e0 gestante. \u201cTemos hoje uma rela\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica, quase solit\u00e1ria, da mulher com o m\u00e9dico, que prejudica a informa\u00e7\u00e3o. O pediatra seria mais um profissional que poderia ajudar na assist\u00eancia ao parto\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A especialista chama aten\u00e7\u00e3o para outro indicador \u2013 al\u00e9m da prematuridade. \u201cOs \u00edndices de baixo peso ao nascer tamb\u00e9m t\u00eam aumentado no Brasil, a m\u00e9dia \u00e9 pr\u00f3xima a 2,5 quilos\u201d, alerta. Para se ter uma ideia, 2,5 quilos \u00e9 peso de beb\u00ea prematuro que nasce entre 37 e 38 semanas, segundo ela. \u201cN\u00e3o atingimos mais nem 40 semanas de gesta\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a m\u00e9dia esperada, e nem 3 quilos, que \u00e9 m\u00e9dia da normalidade de peso. N\u00e3o se v\u00ea mais beb\u00ea com 3 quilos no setor privado\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para ela, mesmo uma cesariana com 39 semanas sem trabalho de parto \u00e9 tirar um beb\u00ea que est\u00e1 imaturo em algum n\u00edvel. S\u00f4nia Lansky refor\u00e7a: \u201cn\u00e3o \u00e9 prematuro, mas \u00e9 considerado termo precoce\u201d. A pediatra explica que esse beb\u00ea est\u00e1 imaturo em algum n\u00edvel da fisiologia e do sistema biol\u00f3gico. \u201cEle tem imaturidade neurol\u00f3gica, pulmonar, intestinal e dos rins. Ele n\u00e3o tem problema grave como o prematuro, que n\u00e3o consegue respirar, mas tamb\u00e9m ter\u00e1 dificuldades respirat\u00f3rias. As \u00faltimas semanas da gesta\u00e7\u00e3o s\u00e3o importantes para o mecanismo fino do desenvolvimento. Interromper esse desenvolvimento fino ou amadurecimento final do beb\u00ea pode levar \u00e0 obesidade, diabetes, hipertens\u00e3o na inf\u00e2ncia e na vida adulta. Tudo isso, muito provavelmente pela priva\u00e7\u00e3o do trabalho de parto, que \u00e9 quando ocorre a intera\u00e7\u00e3o da carga gen\u00e9tica da m\u00e3e com o filho, e que protege os beb\u00eas de doen\u00e7as, alergias e existem associa\u00e7\u00f5es at\u00e9 com o autismo\u201d, pondera.<\/p>\n<p>Quase um m\u00eas de diferen\u00e7a<br \/>\nA psic\u00f3loga Aretha Castro \u00e9 m\u00e3e de duas meninas: Marina, de 5 anos, e Carolina, de 3 anos e meio. \u201cN\u00e3o queria cesariana em nenhuma das vezes. Na gravidez da Marina fui diagnosticada na 24\u00aa semana com diabetes gestacional. Fiz acompanhamento com nutricionista e endocrinologista para controlar o quadro usual de m\u00e3e e beb\u00ea engordarem muito. Mas aconteceu o inverso: ao inv\u00e9s de engordar, paramos de ganhar peso. No \u00faltimo m\u00eas, perdi um quilo. Fiz dieta para fugir do risco do gigantismo. Tenho 1,49 cm e meu marido, 1,85 e vivi aquele mito de que n\u00e3o conseguiria parir por ser uma mulher pequena. Ouvia sempre da minha m\u00e9dica: \u2018se ela ficar muito grande, voc\u00ea n\u00e3o ter\u00e1 parto normal\u2019\u201d, conta.<\/p>\n<p>Com 37 semanas, Marina parou de ganhar peso. \u201cPensei, vou parar a dieta e come\u00e7ar a comer. Na sequ\u00eancia, fiz um ultrasson, ela voltou a \u2018engordar\u2019, mas a m\u00e9dica notou uma altera\u00e7\u00e3o na oxigena\u00e7\u00e3o cerebral. Ouvi dela: \u2018se fosse minha filha marcava uma ces\u00e1rea\u2019. Fiquei desorientada com o risco e passei por uma cesariana com 38 semanas e cinco dias. Marina nasceu com 2,450 quilos e 46,5 cm. Achei que o baixo peso tinha rela\u00e7\u00e3o com a dieta at\u00e9 nascer minha segunda filha com 52 cm e 3,380 quilos. Ou a Marina nasceu prematura ou imatura\u201d, acredita Aretha.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da segunda gesta\u00e7\u00e3o, a data prov\u00e1vel de parto chegou a ser estimada em 22 de julho, mas Carolina nasceu em 15 de agosto, uma diferen\u00e7a de quase um m\u00eas. A garotinha tamb\u00e9m veio ao mundo de cesariana, mas dessa vez, Aretha entrou em trabalho de parto. \u201cCom 39 semanas e 4 dias minha m\u00e9dica me ligou e disse que se eu n\u00e3o entrasse em trabalho de parto at\u00e9 a 40\u00aa, ela iria marcar a cesariana porque seria arriscado esperar em fun\u00e7\u00e3o do quadro de diabetes gestacional. Pedi para que ela esperasse at\u00e9 s\u00e1bado (quando eu completaria as 40 semanas), ela disse que era dia do anivers\u00e1rio dela e falou que se eu quisesse esperar teria que ir ao consult\u00f3rio dela assinar um documento assumindo os riscos. Eu respondi que assinava\u201d, recorda-se.<\/p>\n<p>Aretha conta que, naquele dia, conversou com Carolina pedindo para que a filha a ajudasse a entrar em trabalho de parto. \u201c\u00c0 noite fomos para o hospital sem a minha m\u00e9dica saber e j\u00e1 estava com 3 cm de dilata\u00e7\u00e3o e sentindo contra\u00e7\u00f5es. Minha ideia era que a Carol nascesse com plantonista, mas quem me atendeu conhecia a minha m\u00e9dica, viu o nome no cart\u00e3o de pr\u00e9-natal e ligou pra ela. Quando ela chegou me deu ocitocina para acelerar o trabalho de parto, eu cheguei a 10 cm de dilata\u00e7\u00e3o, mas ela avaliou que o quadro n\u00e3o estava evoluindo e, como eu era pequena, n\u00e3o teria passagem. Antes de fazer a cesariana, me disse: \u2018voc\u00ea experimentou de tudo de um parto normal, n\u00e3o era isso que voc\u00ea queria?\u2019\u201d, relembra a psic\u00f3loga.<\/p>\n<p>Apesar de Carolina ter ido direto para os bra\u00e7os da m\u00e3e ap\u00f3s o nascimento e mamado na primeira hora de vida &#8211; situa\u00e7\u00e3o que Aretha n\u00e3o viveu com Marina que precisou de ber\u00e7o aquecido e a m\u00e3e s\u00f3 foi v\u00ea-la 6 horas depois que veio ao mundo -, a psic\u00f3loga teve hemorragia e passou por uma cirurgia em que foi necess\u00e1rio retirar o \u00fatero e ficou dois dias no CTI longe da filha. Ela e o marido tinham o sonho de uma fam\u00edlia grande, com quatro filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com 37 semanas, a empres\u00e1ria Magali Alvarenga, 34 anos, descobriu pela secret\u00e1ria do m\u00e9dico que acompanhava seu pr\u00e9-natal que o especialista estaria em viagem na semana que antecederia a data prov\u00e1vel do parto de seu segundo filho e para quem pagaria R$ 7 mil, al\u00e9m das despesas com o plano de sa\u00fade. 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