{"id":23402,"date":"2015-03-13T09:37:03","date_gmt":"2015-03-13T12:37:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=23402"},"modified":"2015-03-13T09:37:03","modified_gmt":"2015-03-13T12:37:03","slug":"pesquisa-desenvolve-nova-terapia-contra-o-queloide","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/pesquisa-desenvolve-nova-terapia-contra-o-queloide\/","title":{"rendered":"Pesquisa desenvolve nova terapia contra o queloide"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A cicatriza\u00e7\u00e3o normal gera uma marca quase impercept\u00edvel no local em que ocorreu a les\u00e3o ou a sutura cir\u00fargica. Essa \u00e9 a regra. Entre a mais famosa das exce\u00e7\u00f5es, est\u00e1 o queloide, problema menos comum e mais complicado do que o imaginado. Muitas pessoas confundem uma cicatriz um pouco mais alta ou larga com um queloide, mas n\u00e3o conseguem perceber a amplitude do problema quando realmente diagnosticado. Ele tem o aspecto endurecido devido \u00e0 hipercicatriza\u00e7\u00e3o, que gera o ac\u00famulo de fibras e col\u00e1geno esteticamente desfavor\u00e1vel e, muitas vezes, inc\u00f4modo. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 garantia de solu\u00e7\u00e3o com os tratamentos dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Radioterapia, inje\u00e7\u00f5es de corticoide, betaterapia (uso de raios beta), laser e cremes siliconados revezam-se entre as melhores op\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, talvez venha das m\u00e3os de cientistas do Hospital Henry Ford, em Detroit, nos Estados Unidos, a melhor solu\u00e7\u00e3o: eles prop\u00f5em uma terapia gen\u00e9tica para o tratamento definitivo do problema. Os pesquisadores identificaram que o gene AHNAK pode oferecer uma melhor compreens\u00e3o sobre como os queloides se desenvolvem.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 isso, a equipe liderada por Lamont Jones, vice-presidente do Departamento de Cirurgia Pesco\u00e7o, Cabe\u00e7a e Otorrinolaringologia do hospital, \u00e9 a primeira a demonstrar que a altera\u00e7\u00e3o nesse gene pode ter um papel significativo no desenvolvimento biol\u00f3gico ou n\u00e3o do queloide. \u201cTemos agora uma melhor compreens\u00e3o de como esse gene se encaixa no quadro mais amplo do processo de cicatriza\u00e7\u00e3o de feridas, o que pode ser importante na preven\u00e7\u00e3o de cicatrizes em geral\u201d, garante Jones.<\/p>\n<p>O queloide forma \u00e1reas de pele levantadas e firmes. \u00c9 mais frequente no peito, nos ombros, nas orelhas (ap\u00f3s furar a orelha), nos bra\u00e7os e no rosto. Ao contr\u00e1rio das cicatrizes regulares, n\u00e3o diminui ao longo do tempo e, muitas vezes, se estende para fora do local da ferida. Uma combina\u00e7\u00e3o de tratamentos pode ser utilizada, dependendo do indiv\u00edduo; mas entre 50% e 100% das vezes volta ap\u00f3s o tratamento.<\/p>\n<p>\u201cEssa descoberta \u00e9 uma grande promessa para a melhor compreens\u00e3o de como os queloides funcionam, al\u00e9m de oferecer um alvo em potencial para tratamentos mais eficazes e inovadores\u201d, resume Jones. O trabalho foi apresentado, neste ano, no Encontro de Se\u00e7\u00f5es Triol\u00f3gicas Combinadas, em San Diego (EUA).<\/p>\n<p>Ades\u00e3o celular<br \/>\nDo AHNAK \u00e9 transcrita uma prote\u00edna localizada na membrana celular de c\u00e9lulas epiteliais e no n\u00facleo e no citoplasma de outros tipos de c\u00e9lulas, como os fibroblastos. Estudos anteriores levantaram a possibilidade de esse gene contribuir para a ades\u00e3o entre as c\u00e9lulas, mas, para seu estudo, Jones o investigou como um potencial biomarcador de queloides. Ele e a equipe examinaram amostras de tecido fresco queloidal e normal para a express\u00e3o do gene. Tr\u00eas das cinco amostras de queloide apresentaram uma grande redu\u00e7\u00e3o na express\u00e3o do gene quando comparadas \u00e0s normais.<\/p>\n<p>A express\u00e3o do AHNAK foi consistente com a metila\u00e7\u00e3o, um processo que permite aos investigadores procurar anormalidades gen\u00e9ticas dentro de amostras tumorais. \u201cIdentificar esse gene dessa forma coloca a nossa investiga\u00e7\u00e3o um passo mais perto de sair do balc\u00e3o de laborat\u00f3rio para as mesas de cabeceira dos pacientes\u201d, aposta Jones.<\/p>\n<p>Segundo Murilo Drummond, professor titular do Instituto de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o Carlos Chagas e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia, \u00e9 preciso ter muita calma com as perspectivas do estudo. A terapia gen\u00e9tica ainda n\u00e3o \u00e9 uma realidade da cl\u00ednica m\u00e9dica dermatol\u00f3gica, ressalta ele. \u201cNo momento, n\u00e3o aplicamos isso, pois consideramos ainda em fase anterior de investiga\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Ele explica que o queloide \u00e9 uma forma anormal de cicatriza\u00e7\u00e3o com uma predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. Costuma ser mais com comum na ra\u00e7a negra, mas pode acometer todas as pessoas. \u201cDesde crian\u00e7a, com facilidade, se percebe (o problema) at\u00e9 mesmo em uma picada de inseto, um machucado. \u00c9 importante saber se a pessoa tem essa predisposi\u00e7\u00e3o.\u201d Drummond ressalta que, identificada a tend\u00eancia, se no futuro a pessoa precisar fazer uma cirurgia maior, ela poder\u00e1 tomar algumas provid\u00eancias para evitar o problema.<\/p>\n<p>Machucado selado<br \/>\nContribuem efetivamente para o processo de cicatriza\u00e7\u00e3o de ferimentos. S\u00e3o ativados por mediadores qu\u00edmicos de cicatriza\u00e7\u00e3o, se deslocam at\u00e9 a regi\u00e3o ferida da pele e ficam hipertrofiados (excessivamente desenvolvidos). Assim, produzem enorme quantidade de fibras e subst\u00e2ncia amorfa. Em pouco tempo, a les\u00e3o \u00e9 envolta por uma rede de fibroblastos e pequenos vasos sangu\u00edneos. Os fibroblastos grandes passam, ent\u00e3o, a se contrair facilmente, o que sela a les\u00e3o.<\/p>\n<p>Risco de confus\u00e3o<br \/>\nMesmo sendo um problema de certa forma comum, o queloide \u00e9 objeto de confus\u00e3o entre os pacientes e at\u00e9 mesmo os m\u00e9dicos. Em muitos casos, a marca em destaque n\u00e3o se trata do problema, mas de uma cicatriz hipertr\u00f3fica. \u201cNela, a pessoa se machuca e fica uma cicatriz feia. Ela, por\u00e9m, \u00e9 molinha, poss\u00edvel de mexer. N\u00e3o tem esse aspecto de madeira que tem o queloide\u201d, diferencia o dermatologista Murilo Drummond.<\/p>\n<p>A cirurgia \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel para a cicatriz hipertr\u00f3fica quando outros tratamentos t\u00f3picos n\u00e3o surtem efeito. Segundo a cirurgi\u00e3 membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Pl\u00e1stica Andrea Yuan, o resultado, nesse caso, \u00e9 muito melhor. A cirurgia pl\u00e1stica para o queloide \u00e9 o \u00faltimo recurso. \u201cAinda assim, \u00e9 comum chegar a esse ponto, especialmente se for grande. O queloide aparece muito no ombro, na regi\u00e3o tor\u00e1cica e na face. Ent\u00e3o, tende a ficar muito vis\u00edvel e incomodar.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Yuan, h\u00e1 casos que n\u00e3o s\u00e3o resolvidos nem com cirurgia. \u201c\u00c0s vezes, a cicatriz que deixamos para retirar o queloide pode ficar maior que a anterior e ainda pode voltar a aparecer o problema nessa segunda cicatriz\u201d, explica. A cirurgi\u00e3 conta que, para evitar esse problema, se recomenda preparar a preven\u00e7\u00e3o antes mesmo da cirurgia. \u201cAcabou o procedimento j\u00e1 pode come\u00e7ar a radioterapia e as inje\u00e7\u00f5es de corticoide na cicatriz\u201d, diz.<\/p>\n<p>Terapias diversas<br \/>\n\u201cA grande quest\u00e3o est\u00e1 em identificar se \u00e9 uma cicatriz queloidiana ou hipertr\u00f3fica. A \u00faltima n\u00e3o tem o fator gen\u00e9tico. Na primeira, h\u00e1 um aumento da produ\u00e7\u00e3o de fibras durante a cicatriza\u00e7\u00e3o, que ultrapassa o limite da ferida. Existem formas de prevenir ou mesmo, se j\u00e1 existe o queloide, regredir a situa\u00e7\u00e3o. Pode ser colocada, fita de silicone ou de corticoide, que inibem o processo inflamat\u00f3rio. Uma vez que foi formado, h\u00e1 a indica\u00e7\u00e3o de cirurgia ou de inje\u00e7\u00e3o de corticoide. Tamb\u00e9m temos a op\u00e7\u00e3o de radioterapia.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cicatriza\u00e7\u00e3o normal gera uma marca quase impercept\u00edvel no local em que ocorreu a les\u00e3o ou a sutura cir\u00fargica. Essa \u00e9 a regra. Entre a mais famosa das exce\u00e7\u00f5es, est\u00e1 o queloide, problema menos comum e mais complicado do que o imaginado. 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