{"id":27679,"date":"2015-11-16T09:01:49","date_gmt":"2015-11-16T12:01:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=27679"},"modified":"2015-11-16T09:01:49","modified_gmt":"2015-11-16T12:01:49","slug":"medicina-faz-apostas-para-reduzir-cancer-de-prostata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/medicina-faz-apostas-para-reduzir-cancer-de-prostata\/","title":{"rendered":"Medicina faz apostas para reduzir c\u00e2ncer de pr\u00f3stata"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Rio de Janeiro &#8211; Quem tratar, quando tratar e como tratar. Esses s\u00e3o os tr\u00eas principais pilares de novas discuss\u00f5es acerca do manejo de pacientes com c\u00e2ncer de pr\u00f3stata no Pa\u00eds. A doen\u00e7a, que \u00e9 o segundo tumor mais prevalente entre os homens, com quase 70 mil novos casos por ano, tende a crescer ainda mais nos pr\u00f3ximos anos, muito pelo envelhecimento natural da popula\u00e7\u00e3o masculina que passou a ter uma maior expectativa de vida. Neste cen\u00e1rio, frear a avalanche de novos casos \u00e9 improv\u00e1vel. Por isso, os desafios da medicina voltam os esfor\u00e7os para alternativas de cura da doen\u00e7a, reduzindo a mortalidade e a morbidade dos homens diagnosticados. A palavra-chave para eles agora \u00e9 personaliza\u00e7\u00e3o dos cuidados cada vez menos invasivos e aliados \u00e0 tecnologia. Este foi um dos temas do III Congresso Internacional Oncologia D\u2019OR e da XII Maratona Urol\u00f3gica, realizados no \u00faltimo fim de semana no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O coordenador cient\u00edfico do grupo D\u2019OR, doutor em oncologia pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e membro da Sociedade Internacional de Urologia (SIU), Daniel Herchenhorn explicou que a ci\u00eancia tem buscado cada dia mais prezar pela qualidade de vida dos homens na hora da escolha pelo arsenal de tratamento. \u201cO c\u00e2ncer de pr\u00f3stata \u00e9 um tumor que gera muita morbidade. Isso porque a cirurgia e a radioterapia s\u00e3o tratamentos em que h\u00e1, muitas vezes, a perda da qualidade de vida do paciente. O homem pode ter altera\u00e7\u00f5es na parte urin\u00e1ria, pode ter impot\u00eancia\u201d, confirmou o especialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o assunto \u00e9 custo x benef\u00edcio entre diagnosticar e tratar o tumor, h\u00e1 uma pol\u00eamica dentro e fora dos consult\u00f3rios. \u201cIsso gera um grande debate entre diagnosticar sempre muito cedo a doen\u00e7a e come\u00e7ar um tratamento imediato. Muitas vezes o homem n\u00e3o sente nada quando descobre a doen\u00e7a em fase inicial, a\u00ed o m\u00e9dico apresenta tratamentos, que muitas vezes geram efeitos colaterais que o paciente n\u00e3o tem e que podem afetar a vida, inclusive a parte sexual\u201d, comentou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DIAGN\u00d3STICO &#8211; \u00c9 por isso que as condutas m\u00e9dicas tendem a ser mais criteriosas sobre o perfil do paciente e terapias a serem utilizadas, causando o menor impacto na sa\u00fade integral. Herchenhorn destacou que muitas dessas escolhas dependem da descoberta do tumor em fase inicial, coisa que \u00e9 dif\u00edcil em v\u00e1rias regi\u00f5es do Brasil. \u201cNo Pa\u00eds, na Am\u00e9rica Latina e em pa\u00edses em desenvolvimento temos uma situa\u00e7\u00e3o bem diferente da dos Estados Unidos, por exemplo, onde o lema \u00e9 \u2018 tratar al\u00e9m do que \u00e9 necess\u00e1rio e diagnosticar al\u00e9m do necess\u00e1rio\u2019. Aqui a maior parte dos homens chega com a doen\u00e7a tardia. N\u00e3o \u00e9 porque n\u00e3o buscam os m\u00e9dicos por medo ou preconceito, mas n\u00e3o conseguem ter um profissional que fa\u00e7a o toque retal, que fa\u00e7a uma ultrassom, que fa\u00e7a uma cirurgia\u201d, criticou. \u00c9 o acompanhamento regular de sa\u00fade que coloca tanto o m\u00e9dico quanto paciente em condi\u00e7\u00f5es seguras de escolher terapias curativas eficazes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o tumor ainda est\u00e1 localizado, ou seja, n\u00e3o se espalhou para outras \u00e1reas fora da pr\u00f3stata ou para os ossos, o leque de tratamentos \u00e9 grande e as chances de cura maiores. O gestor cient\u00edfico do D\u2019OR enumerou as op\u00e7\u00f5es. Existe a cirurgia, que se divide na opera\u00e7\u00e3o aberta cl\u00e1ssica e a cirurgia rob\u00f3tica, uma novidade no Brasil. Ela ainda \u00e9 pouco utilizada no Pa\u00eds, mas nos EUA j\u00e1 ocorre em 90% dos casos. H\u00e1 ainda a radioterapia, que deve ser preferencialmente pela t\u00e9cnica de IMRV. A braquiterapia, um tipo de radioterapia, onde s\u00e3o implantadas sementes de radia\u00e7\u00e3o na pr\u00f3stata do paciente. Outra op\u00e7\u00e3o em voga hoje \u00e9 vigil\u00e2ncia ativa. \u201cEle serve para pacientes que, eventualmente e por crit\u00e9rio bem definidos, n\u00e3o v\u00e3o precisar de tratamento imediato. Mas isso n\u00e3o significa n\u00e3o fazer nada. \u00c9 na verdade observar o paciente e tratar no momento adequado\u201d, frisou. J\u00e1 para casos onde o paciente n\u00e3o pode fazer cirurgia ou radioterapias, seja pela idade avan\u00e7ada, seja pela baixa expectativa de vida por outras doen\u00e7as se pode fazer um controle medicamentoso, chamado de tratamento hormonal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Homens t\u00eam medo de incontin\u00eancia e impot\u00eancia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos maiores medos dos homens acometidos por tumor de pr\u00f3stata \u00e9 a cirurgia para a retirada da gl\u00e2ndula doente. O pavor envolve a perda da fun\u00e7\u00e3o sexual e a incontin\u00eancia urin\u00e1ria. Longe de ser mito, a duas morbidades tem taxas importantes quando se trata do m\u00e9todo cir\u00fargico tradicional. \u201cOs nervos que chegam ao p\u00eanis para dar ere\u00e7\u00e3o passam pela pr\u00f3stata, ent\u00e3o quando a gente faz um tratamento radical o paciente, em 80% a 90% dos casos, pode ficar com impot\u00eancia sexual. H\u00e1 tamb\u00e9m um \u00edndice alto de incontin\u00eancia urin\u00e1ria\u201d, contou o urologista e cirurgi\u00e3o rob\u00f3tico, Rodrigo Frota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comparativamente, essas complica\u00e7\u00f5es caem quando comparadas com as experi\u00eancias da cirurgia rob\u00f3tica, o que representam uma revolu\u00e7\u00e3o no tratamento. \u201cNa opera\u00e7\u00e3o aberta, o paciente pode demorar at\u00e9 um ano usando fralda para recuperar sua contin\u00eancia urin\u00e1ria e tem chance alta, em torno de 80%, de ficar impotente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o rob\u00f4 o paciente vai demorar um m\u00eas com fralda e tem uma chance de 60% a 70% de recuperar sua fun\u00e7\u00e3o sexual\u201d, disse Frota. O m\u00e9dico explicou que a t\u00e9cnica \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o da cirurgia laparosc\u00f3pica, agora assistida por um rob\u00f4. No que a cirurgia laparosc\u00f3pica tradicional se diferencia da rob\u00f3tica? \u201cEla n\u00e3o tem incis\u00e3o, s\u00e3o pequenos furos, o \u00edndice de sangramento \u00e9 menor. Dessa forma, o trauma na cavidade dentro do nosso organismo \u00e9 menor. As pin\u00e7as s\u00e3o acopladas a uma plataforma rob\u00f3tica, e o cirurgi\u00e3o controla o rob\u00f4. H\u00e1 travas de seguran\u00e7a, de tremor, de movimentos. A vis\u00e3o \u00e9 muito melhor e a liberdade de movimentos do cirurgi\u00e3o tamb\u00e9m. Isso traduz em refer\u00eancia de resultados\u201d, informou sobre precis\u00e3o e seguran\u00e7a da t\u00e9cnica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frota comentou que a opera\u00e7\u00e3o rob\u00f3tica, criada primeiramente para os procedimentos de troca de v\u00e1lvulas do cora\u00e7\u00e3o, caiu com luva para os procedimentos urol\u00f3gicos. \u201cHoje em dia nos EUA mais de 95% dos tratamentos oncol\u00f3gicos, urol\u00f3gicos, e muitas vezes ginecol\u00f3gicos, s\u00e3o feitos por essa tecnologia. Na Europa chega de 60% a 70%. Mas no Brasil ainda estamos caminhando\u201d, comentou. Segundo ele, temos somente 16 plataformas rob\u00f3ticas no Pa\u00eds, uma em Porto Alegre, uma em Fortaleza, quatro no Rio de Janeiro e dez em S\u00e3o Paulo. Das de S\u00e3o Paulo est\u00e3o as \u00fanicas tr\u00eas dispon\u00edveis pelo SUS. \u201cEnquanto isso os Estados Unidos t\u00eam 2,4 mil plataformas rob\u00f3ticas. A Turquia, 30\u201d, exemplificou. Outro entrave a ser batido para popularizar as cirurgias por rob\u00f4 \u00e9 a quest\u00e3o comercial, uma vez que os planos de sa\u00fade ainda n\u00e3o contrataram o procedimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro &#8211; Quem tratar, quando tratar e como tratar. Esses s\u00e3o os tr\u00eas principais pilares de novas discuss\u00f5es acerca do manejo de pacientes com c\u00e2ncer de pr\u00f3stata no Pa\u00eds. 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