{"id":29280,"date":"2016-03-01T11:16:11","date_gmt":"2016-03-01T14:16:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=29280"},"modified":"2016-03-01T11:16:11","modified_gmt":"2016-03-01T14:16:11","slug":"tudo-depende-do-combate-ao-mosquito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/tudo-depende-do-combate-ao-mosquito\/","title":{"rendered":"\u201cTudo depende do combate ao mosquito\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a evolu\u00e7\u00e3o dos boletins, vemos que os n\u00fameros do zika e da microcefalia continuam a crescer. \u00c9 poss\u00edvel dizer que vivemos ou estamos pr\u00f3ximos do pico do problema? Ou, se n\u00e3o for o caso, quando atingiremos esse ponto m\u00e1ximo?<br \/>\nEvitamos fazer previs\u00f5es, pois sabemos que os instrumentos t\u00e9cnicos para fazer esse tipo de an\u00e1lise s\u00e3o imprecisos. Enquanto a gente trabalhar com o n\u00famero de casos acumulado, eles sempre v\u00e3o crescer. Segundo uma avalia\u00e7\u00e3o preliminar da pr\u00f3pria Secretaria de Sa\u00fade de Pernambuco, n\u00f3s j\u00e1 passamos do pico de ocorr\u00eancias de microcefalia no estado. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber ainda sobre os outros estados. N\u00e3o d\u00e1 para saber quando isso vai acontecer. Quando pensamos na situa\u00e7\u00e3o de Pernambuco, \u00e9 mais f\u00e1cil pensar que o n\u00famero de casos subiu muito rapidamente e j\u00e1 come\u00e7ou a cair, mas tudo depende do sucesso das estrat\u00e9gias de combate ao mosquito. Esse \u00e9 o grande instrumento de preven\u00e7\u00e3o para que a gente n\u00e3o volte, dentro de alguns meses, a um novo aumento de casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E em rela\u00e7\u00e3o ao Sudeste?<br \/>\nPara o Sudeste ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer previs\u00e3o. Com as informa\u00e7\u00f5es que temos, o Nordeste foi a regi\u00e3o com maior circula\u00e7\u00e3o do zika em 2015. Esperamos que todo o esfor\u00e7o dos governos e da sociedade para reduzir os focos do mosquito, possa funcionar para que a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no Sudeste n\u00e3o seja t\u00e3o intensa quanto foi no ano passado no Nordeste. Mas ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter a medida do impacto dessas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando ser\u00e1?<br \/>\nPelos instrumentos que temos hoje, pela possibilidade de fazer compara\u00e7\u00f5es, provavelmente o indicador mais \u00fatil que temos seja o n\u00famero de casos de dengue. Ainda n\u00e3o tivemos tempo para que as medidas adotadas produzam redu\u00e7\u00e3o da dengue porque trabalhamos com dados de algumas semanas anteriores. Trabalhamos hoje com dados de ontem. Esperamos que agora, entrando mar\u00e7o, comecemos a ter capacidade de comparar o que est\u00e1 acontecendo ao que era esperado. Temos visto a dengue, como todo ano aumentando. Vamos precisar comparar a curva deste ano com a dos anos anteriores, isto \u00e9, o n\u00famero de casos a cada semana, para saber se conseguimos ter uma ascen\u00e7\u00e3o menor que a m\u00e9dia hist\u00f3rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As estat\u00edsticas indicam que o maior n\u00famero de casos est\u00e1 no Nordeste. Como o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade v\u00ea essa rela\u00e7\u00e3o? H\u00e1 programas e a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para a regi\u00e3o?<br \/>\nO Minist\u00e9rio vem adotando medidas de car\u00e1ter nacional e, claro, escuta as secretarias estaduais e municipais, pois elas realizam as a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e controle. Quem tem a possibilidade de adaptar as medidas nacionais \u00e0s diferentes realidades s\u00e3o essas secretarias. N\u00f3s sabemos que o trabalho est\u00e1 muito intenso em todo o Nordeste e em Pernambuco, em particular, h\u00e1 mais tempo que os outros. Mas quem pode lan\u00e7ar m\u00e3o de programas espec\u00edficos s\u00e3o estados ou munic\u00edpios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos grandes debates \u00e9 se o Brasil tem condi\u00e7\u00f5es de ofertar suporte para atender as crian\u00e7as com microcefalia. Sabe-se que foram divulgadas iniciativas na \u00e1rea da sa\u00fade. O que tem sido e ser\u00e1 feito do ponto de vista educacional e de capacita\u00e7\u00e3o de profissionais para melhorar a rede de apoio \u00e0s v\u00edtimas e combater o mosquito?<br \/>\nNa sa\u00fade posso dizer que existe uma \u00e1rea do Minist\u00e9rio, a Secretaria da Gest\u00e3o do Trabalho da Educa\u00e7\u00e3o na Sa\u00fade, que j\u00e1 colocou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o diversas iniciativas de capacita\u00e7\u00e3o, especialmente com o apoio da Universidade do SUS (Una-SUS) e da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz. H\u00e1 v\u00e1rias iniciativas para capacita\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia e outras para telessa\u00fade testadas inclusive na Para\u00edba. E a \u00e1rea de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade tem refor\u00e7ado a orienta\u00e7\u00e3o aos profissionais da rede p\u00fablica. Foram feitos protocolos que s\u00e3o verdadeiros manuais para atendimento a crian\u00e7as e apoio \u00e0s fam\u00edlias. Na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um enorme engajamento tamb\u00e9m, especialmente pensando na possibilidade de as crian\u00e7as de ensino fundamental e m\u00e9dio levarem informa\u00e7\u00e3o para serem agentes de mudan\u00e7a em casa. Iniciativas tamb\u00e9m t\u00eam ocorrido no ensino superior, principalmente nos cursos da da sa\u00fade. Mas sabemos que esse trabalho n\u00e3o acontece em todos os lugares porque s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es heterog\u00eaneas. O que podemos dizer \u00e9 que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o tem participado de forma intensa do esfor\u00e7o e tem interagido com as secretarias estaduais e municipais. Essa foi a orienta\u00e7\u00e3o dada pela presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 recomenda\u00e7\u00f5es para que mulheres evitem engravidar nesse momento. Qual \u00e9 o impacto desse surto sobre as taxas de natalidade do Brasil e como esse fen\u00f4meno \u00e9 analisado pelo governo?<br \/>\nN\u00e3o sabemos se haver\u00e1 impacto nem o tamanho dele, porque h\u00e1 um tempo de cerca de nove a 10 meses que separa o conhecimento da ocorr\u00eancia da epidemia de algum poss\u00edvel impacto. Em outubro e novembro de 2015 se come\u00e7ou a falar de microcefalia, ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que l\u00e1 em agosto, setembro, surja algum efeito. Existem as informa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o divulgadas nos boletins com n\u00fameros de casos notificados de microcefalia e outras que n\u00e3o, mas cada estado tem essas informa\u00e7\u00f5es. H\u00e1 um sistema nacional sobre o n\u00famero de nascidos vivos a cada m\u00eas, semana, mas esse sistema tem uma defasagem. Ainda estamos trabalhando com informa\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as nascidas em 2015. Essa \u00e9 uma caracter\u00edsticas do sistema. Existe um prazo para que as informa\u00e7\u00f5es sejam inclu\u00eddas, que n\u00e3o \u00e9 o mesmo prazo que as notifica\u00e7\u00f5es de microcefalia. \u00c0s vezes, h\u00e1 crian\u00e7as que nasceram fora dos hospitais, cujas informa\u00e7\u00f5es demoram mais para ser enviadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos especialistas questionam a efic\u00e1cia de programas de combate ao mosquito nos \u00faltimos 30 anos no Brasil. Houve erros na condu\u00e7\u00e3o de programas? H\u00e1 previs\u00e3o de alguma mudan\u00e7a nos m\u00e9todos usados at\u00e9 agora?<br \/>\nOs programas come\u00e7aram a ser desenvolvidos, inicialmente, de maneira localizada. O mosquito n\u00e3o estava presente na maior parte do pa\u00eds. Fizemos v\u00e1rias vers\u00f5es de planos e programas. Os governos foram mudando o formato do combate ao mosquito. O que \u00e9 feito hoje \u00e9 uma estrat\u00e9gia j\u00e1 tradicional no Brasil, que existe praticamente em todo mundo. \u00c9 a orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, a visita aos im\u00f3veis para a elimina\u00e7\u00e3o dos focos, o uso de larvicidas noscriadouros que n\u00e3o podem ser eliminados e o uso de inseticida para diminuir a infesta\u00e7\u00e3o do mosquito adulto. Esse aparente insucesso possivelmente teria sido muito maior caso essas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o estivessem em opera\u00e7\u00e3o. Provavelmente ter\u00edamos uma infesta\u00e7\u00e3o muito maior no pa\u00eds inteiro. Existem tecnologias faladas atualmente, mas praticamente todas est\u00e3o em fase experimental, nunca foram testadas em larga escala. Uma das prioridades do minist\u00e9rio \u00e9 o trabalho conjunto com grupos de pesquisa para ampliar a escala dessas interven\u00e7\u00f5es. Para que uma ou v\u00e1rias delas, em combina\u00e7\u00e3o, possam ser aplicadas em grandes regi\u00f5es. Estados e munic\u00edpios tamb\u00e9m t\u00eam autonomia para definir estrat\u00e9gias diferentes, mais adequadas para sua realidade. Os m\u00e9todos usados s\u00e3o aqueles considerados mais efetivos internacionalmente. Temos expectativa enorme de que outros m\u00e9todos demonstrem maior impacto e certamente ser\u00e3o adotados, mas isso ainda n\u00e3o \u00e9 uma realidade. Ainda n\u00e3o temos comprova\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia de m\u00e9todos que possam ser adotados de maneira ampla no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a popula\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ficar tranquila quanto ao zika e quando as mulheres poder\u00e3o pensar em engravidar sem riscos?<br \/>\n\u00c9 imposs\u00edvel dar essa resposta hoje. N\u00f3s n\u00e3o conhecemos ainda a din\u00e2mica da doen\u00e7a em nosso pa\u00eds. \u00c9 poss\u00edvel que n\u00f3s tenhamos uma redu\u00e7\u00e3o importante da circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus com a redu\u00e7\u00e3o da infesta\u00e7\u00e3o do mosquito e tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que em muitas localidades tenha havido grande circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e j\u00e1 tenhamos tantas pessoas imunes que a epidemia se extingua por si s\u00f3. Mas n\u00e3o temos como fazer qualquer afirma\u00e7\u00e3o ainda. N\u00e3o depende apenas das pesquisas desenvolvidas, mas do comportamento natural da epidemia tamb\u00e9m. N\u00f3s n\u00e3o sabemos como ser\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com a evolu\u00e7\u00e3o dos boletins, vemos que os n\u00fameros do zika e da microcefalia continuam a crescer. \u00c9 poss\u00edvel dizer que vivemos ou estamos pr\u00f3ximos do pico do problema? Ou, se n\u00e3o for o caso, quando atingiremos esse ponto m\u00e1ximo? 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