{"id":29383,"date":"2016-03-07T09:19:33","date_gmt":"2016-03-07T12:19:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=29383"},"modified":"2016-03-07T09:19:33","modified_gmt":"2016-03-07T12:19:33","slug":"calor-em-pernambuco-facilita-para-o-aedes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/calor-em-pernambuco-facilita-para-o-aedes\/","title":{"rendered":"Calor em Pernambuco facilita para o Aedes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Pernambuco est\u00e1 ficando mais quente a cada d\u00e9cada e continuar\u00e1 a esquentar nos pr\u00f3ximos quarenta anos. A descoberta e a previs\u00e3o foram realizadas a partir de estudos estat\u00edsticos complexos utilizando os registros de temperatura em Pernambuco desde os anos 1950 at\u00e9 2011. Pesquisadores do Instituto Agron\u00f4mico de Pernambuco (Ipa), respons\u00e1veis pela an\u00e1lise, tamb\u00e9m descobriram que a quantidade de chuvas no Estado est\u00e1 diminuindo. As mudan\u00e7as registradas v\u00e3o na esteira do aquecimento global e tornam o clima do estado ainda mais prop\u00edcio \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o do Aedes aegypti. O estudo, publicado pela primeira vez na revista cient\u00edfica norte-americana Earth Science &amp; Climatica Change no final do ano passado, mostra a mudan\u00e7a em cinco pontos de Pernambuco: Recife, na Regi\u00e3o Metropolitana; Vit\u00f3ria de Santo Ant\u00e3o, na Zona da Mata; Caruaru, no Agreste; Petrolina e Arararipina, ambas no Sert\u00e3o. S\u00e3o as \u00fanicas cidades pernambucanas que t\u00eam registros ininterruptos do clima de pelos menos 40 anos. \u201cTodas as cidades apresentaram aumento da temperatura m\u00e1xima. A que mais esquentou, Araripina, viu o term\u00f4metro subir 1,2 graus por d\u00e9cada entre 1962 e 2011. Esse \u00e9 um recorde na Am\u00e9rica Latina. Para se ter uma ideia, o segundo lugar \u00e9 Vit\u00f3ria, que aumentou quase meio grau por d\u00e9cada\u201d, explicou uma das autoras do artigo, ameteorologista do Ipa Francis Lacerda, que estudou o assunto em sua tese de doutorado. Com os n\u00fameros, os meteorologistas podem estimar o clima pernambucano at\u00e9 2050. E o calor vai continuar a aumentar. As chuvas se tornar\u00e3o mais escassas. \u201cCome\u00e7amos a perceber uma diminui\u00e7\u00e3o no n\u00edvel pluviom\u00e9trico e podemos notar uma altera\u00e7\u00e3o nos ciclos hidrol\u00f3gicos. As chuvas mudam de comportamento. Ent\u00e3o,\u00a0chove menos e mais espa\u00e7adamente na \u00e9poca de chuvas, o que pode causar s\u00e9rios problemas. Umdeles \u00e9 a seguran\u00e7a alimentar. Culturas como o milho e o feij\u00e3o provavelmente n\u00e3o se adaptar\u00e3o e os agricultores ir\u00e3o tentar mant\u00ea-las vivas utilizando a \u00e1gua incorretamente ou aplicando mais agrot\u00f3xicos\u201d, previu Francis. Para o meteorologista GeraldoMajella, o problema deve ser agravado principalmente por causa da ainda crescente urbaniza\u00e7\u00e3o e do desmatamento. \u201cN\u00f3s j\u00e1 somos deficit\u00e1rios em recursos h\u00eddricos por natureza, mas estamos cobrindo artificialmente o solo e a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 aumentando. Isso piora o problema inicial. E com o aumento do calor, a chuva evapora mais, tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso saber que tipo de interven\u00e7\u00f5es fazer. A transposi\u00e7\u00e3o funciona apenas quando h\u00e1 \u00e1gua. Quando n\u00e3o h\u00e1, intensifica a seca. Passamos por um processo de aridifica\u00e7\u00e3o\u201d. Recife \u00e9 a cidade pesquisada que\u00a0mais deixa de chover. A cada d\u00e9cada, a m\u00e9dia de chuva anual diminui em 44 mil\u00edmetros. Petrolina vememsegundo lugar registrrando diminui\u00e7\u00e3o de 42 mil\u00edmetros por d\u00e9cada.. Tanto a falta de recursos h\u00eddricos quanto o aumento da temperatura podem trazer consequ\u00eancias negativas para o pernambucano, al\u00e9m das que os pesquisadores do Ipa j\u00e1 citam. De acordo com a coordenadora do Programa de Controle de Dengue, Chikungunya e Zika, Claudenice Pontes. \u201cH\u00e1 tr\u00eas anos, quase n\u00e3o v\u00edamos casos da doen\u00e7a em cidades como Triunfo, comclimasmais amenos e alta altidude, porque essas s\u00e3o caracter\u00edsticas desfavor\u00e1veis para o mosquito. Hoje, todo o Estado est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de risco, sem exce\u00e7\u00e3o. Minha suspeita \u00e9 que um aumento de temperatura est\u00e1 relacionado a isso\u201d, palpitou. Quanto aos n\u00edveis pluviom\u00e9tricos, a coordenadora explicou que \u00e9 comum achar que o mosquito vai ter menos lugares para se reproduzir caso chova menos. Mas essa l\u00f3gica n\u00e3o s aplica \u00e0 realidade. \u201cQuant mais a popula\u00e7\u00e3o prev\u00ea risco d falta d\u2019\u00e1gua, mais estoca \u00e1gu de maneira incorreta. Cidade como Afogados da Ingazeira, n Sert\u00e3o, mesmo quentes e secas n\u00e3o est\u00e3o livres da doen\u00e7a\u201d, esclareceu. No ano passado, prefeito do Recife Geraldo Julio afirmou que 75% dos focos d Aedes na cidade est\u00e3o dentro das resid\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ESTIAGEM<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00faltimo dia 16, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, atrav\u00e9s d publica\u00e7\u00e3o no Di\u00e1rio Oficial d Uni\u00e3o, decretou situa\u00e7\u00e3o d alerta em Pernambuco por causa da previs\u00e3o de s\u00e9ria estiagem entre junho deste ano janeiro de 2017. A preocupa\u00e7\u00e3o do Governo Federal est\u00e1 ligada aos inc\u00eandios, porque a intensifica\u00e7\u00e3o da seca \u00e9 uma da principais causas do alastramento do fogo nas matas brasileiras. Por outro lado, a prolifera\u00e7\u00e3o do Aedes devido ao comprometimento do abastecimento de \u00e1guas, tamb\u00e9m um motivo de preocupa\u00e7\u00e3o. \u201cSe uma estiagemprejudicar a barragens, comcerteza vai piorar a situa\u00e7\u00e3o do Aedes e da doen\u00e7as causadas por eles devido ao armazenamento dom\u00e9stico de \u00e1gua\u201d, avaliou coordenadora de controle \u00e0s arboviroses. Atualmente, o Agreste j\u00e1 enfrenta uma s\u00e9ria crise de abastecimento h\u00eddrico devido Barragem de Juc\u00e1zinho, em Surubim, que trabalha co apenas 1,4% de seu volume, pior da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pernambuco est\u00e1 ficando mais quente a cada d\u00e9cada e continuar\u00e1 a esquentar nos pr\u00f3ximos quarenta anos. A descoberta e a previs\u00e3o foram realizadas a partir de estudos estat\u00edsticos complexos utilizando os registros de temperatura em Pernambuco desde os anos 1950 at\u00e9 2011. 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