{"id":29388,"date":"2016-03-07T09:46:09","date_gmt":"2016-03-07T12:46:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=29388"},"modified":"2016-03-07T09:46:09","modified_gmt":"2016-03-07T12:46:09","slug":"mae-de-bebe-com-microcefalia-ensina-como-ir-alem-dos-medos-e-incertezas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/mae-de-bebe-com-microcefalia-ensina-como-ir-alem-dos-medos-e-incertezas\/","title":{"rendered":"M\u00e3e de beb\u00ea com microcefalia ensina como ir al\u00e9m dos medos e incertezas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O hospital particular, o plano de sa\u00fade, o cuidado extremo durante a gravidez. De pouco tudo isso parecia servir naquele momento. S\u00f3 no dia seguinte, j\u00e1 no quarto, Isabel teve de novo Matheus junto ao seu peito. Ela olhava, olhava e n\u00e3o via nada de errado. Foi quando veio o complemento da frase bruscamente disparada no dia anterior, na sala de parto. \u201cSeu filho tem microcefalia.\u201d Era setembro do ano passado. Ningu\u00e9m ainda havia ouvido falar sobre a explos\u00e3o de casos da anomalia. Os exames feitos na gesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o davam nenhuma sorologia positiva para o que, at\u00e9 ent\u00e3o, a medicina entendia como causadora da malforma\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se suspeitava do zika v\u00edrus. Nem se imaginava. Isabel ia descobrir, um pouco depois, que estava entre as primeiras m\u00e3es de beb\u00eas com microcefalia associada \u00e0 infec\u00e7\u00e3o transmitida pelo Aedes aegypti. Puxando pela mem\u00f3ria, depois de tantas perguntas para entender \u201cpor que?\u201d, lembrou da \u00fanica coisa que parecia ter sido diferente. Tinha acordado, aos tr\u00eas meses de gesta\u00e7\u00e3o, com manchas vermelhas no corpo e dores nas articula\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 s\u00f3 uma intoxica\u00e7\u00e3o alimentar\u201d, disse o m\u00e9dico, na \u00e9poca. No m\u00eas seguinte ao nascimento de Matheus, a multiplica\u00e7\u00e3o de casos de microcefalia era manchete nos jornais do Brasil e do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPor que comigo?\u201d Essa era uma pergunta ainda mais dif\u00edcil de ser respondida. Os primeiros dias foram (como n\u00e3o seriam?) de um choro sem fim. Dia e noite. \u201cEu chorei da maternidade at\u00e9 o segundo, terceiro m\u00eas. Chorava todo dia, o dia todo.\u201d Isabel n\u00e3o entendia. Fez um pr\u00e9-natal minucioso. Diversas ultrassonografias (a \u00faltima, uma semana antes do parto), alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, vacinas, vitaminas, tudo foi t\u00e3o organizado. Matheus, t\u00e3o esperado. Diante do choque, n\u00e3o havia como negar um sentimento de revolta que lhe tomava o peito. Nunca contra Matheus, amado desde sempre, mas pela situa\u00e7\u00e3o. Pela dificuldade, quase intranspon\u00edvel naquele momento, de entender: \u201cPor que comigo?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matheus fez cinco meses. Basta a m\u00e3e lhe sacudir nos bra\u00e7os que ele abre um sorriso t\u00e3o largo que inunda a casa. Est\u00e1 aprendendo a sentar, j\u00e1 se vira, emborca para um lado, desemborca para o outro. Todo dia \u00e9 um ganho, uma novidade, uma esperan\u00e7a. O tempo tem sido generoso tamb\u00e9m para Isabel. N\u00e3o que o medo diante do futuro incerto n\u00e3o lhe assalte o cora\u00e7\u00e3o, sobretudo na hora de dormir, \u00fanico momento em que realmente consegue parar para descansar. Mas, nesses cinco meses, foi aprendendo a ser m\u00e3e de Matheus. O apoio do marido tem sido essencial. \u201cA espiritualidade, a presen\u00e7a dele, o amor pelo nosso filho, tudo isso me enche de for\u00e7a e coragem.\u201d Com tantas m\u00e3es enfrentando, sozinhas, o desafio de cuidar de seus beb\u00eas com microcefalia, o companheirismo experimentado por Isabel chama a aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o deveria ser assim. Mas \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isabel sabe, a condi\u00e7\u00e3o financeira mais favor\u00e1vel n\u00e3o lhe coloca numa situa\u00e7\u00e3o melhor. \u201c\u00c9 todo mundo no mesmo barco. \u00c9 pedir a Deus que a medicina avance o m\u00e1ximo poss\u00edvel para que a gente possa dar o melhor para os nossos filhos, que eles aprendam a ser independentes, consigam andar, falar. Eu n\u00e3o me vejo num lugar pior ou melhor, sou apenas uma m\u00e3e, como todas as outras.\u201d Mesmo com acesso a m\u00e9dicos particulares, ela tem cumprindo, todos os dias da semana, a mesma rotina em institui\u00e7\u00f5es e hospitais p\u00fablicos que viraram refer\u00eancia no tratamento de beb\u00eas com a malforma\u00e7\u00e3o. Funda\u00e7\u00e3o Altinho Ventura, Hospital Oswaldo Cruz, AACD. Isabel vai onde for preciso ir. Buscar a coisa mais importante hoje em sua vida: ajudar Matheus a ter uma vida o mais normal poss\u00edvel. Com um amanh\u00e3 cheio de possibilidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isabel Albuquerque, m\u00e3e de Matheus e de Lucas, 17 anos, \u00e9 banc\u00e1ria e no final deste m\u00eas, ter\u00e1 que voltar a trabalhar. O cora\u00e7\u00e3o j\u00e1 anda apertado. Precisar\u00e1 aprender a ficar, pela primeira vez, longe de seu beb\u00ea algumas horas por dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Jornal do Commercio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O hospital particular, o plano de sa\u00fade, o cuidado extremo durante a gravidez. De pouco tudo isso parecia servir naquele momento. S\u00f3 no dia seguinte, j\u00e1 no quarto, Isabel teve de novo Matheus junto ao seu peito. Ela olhava, olhava e n\u00e3o via nada de errado. 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