{"id":29432,"date":"2016-03-08T10:00:24","date_gmt":"2016-03-08T13:00:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=29432"},"modified":"2016-03-08T10:00:24","modified_gmt":"2016-03-08T13:00:24","slug":"pesquisadoras-nordestinas-buscam-respostas-para-epidemias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/pesquisadoras-nordestinas-buscam-respostas-para-epidemias\/","title":{"rendered":"Pesquisadoras nordestinas buscam respostas para epidemias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Escrever artigos, analisar dados, cuidar de filhos, organizar um lar. O caminho das mulheres para conquistar espa\u00e7o no meio cient\u00edfico revela trajet\u00f3rias marcadas por esfor\u00e7os redobrados e pela supera\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos invis\u00edveis, que v\u00e3o desde o desafio de conciliar trabalho e maternidade at\u00e9 situa\u00e7\u00f5es de preconceito.<\/p>\n<p>Neste Dia Internacional da Mulher, o Diario conta a hist\u00f3ria de profissionais cujas contribui\u00e7\u00f5es t\u00eam causado impacto positivo na ci\u00eancia, inclusive no desafio de dar respostas ao atual surto de arboviroses causadas pelo Aedes aegypti &#8211; dengue, chikungunya e zika &#8211; e \u00e0 epidemia de microcefalia.<\/p>\n<p>Por meio das hist\u00f3rias de Eduarda Cesse, Angela Rocha e Adriana Melo, todas as pesquisadoras que enfrentam as desigualdades do meio cient\u00edfico s\u00e3o homenageadas. No Brasil, a presen\u00e7a da mulher pesquisadora ainda \u00e9 menor que a dos homens. Apesar de o g\u00eanero feminino representar metade do total de pesquisadores do pa\u00eds, segundo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) &#8211; em 1995 eram apenas 39% &#8211; poucas mulheres ocupam posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a nas pesquisas. De 90.068 cientistas cadastrados pelo conselho, 76.195 l\u00edderes s\u00e3o homens (84%) e 13.873 s\u00e3o mulheres (16%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeira a destacar zika nos beb\u00eas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Viagens sempre foram rotina para a m\u00e9dica Adriana Melo, 45. M\u00e3e de duas filhas, ela nunca viajou sozinha. Luiza, 17, e Tamiris, 20, sempre acompanham a m\u00e3e quando ela sai de Campina Grande (PB). Adriana \u00e9 m\u00e9dica de gesta\u00e7\u00f5es de alto risco no Instituto Sa\u00fade Elp\u00eddio de Almeida. Ganhou destaque ao ser reconhecida como a primeira profissional de sa\u00fade a apresentar evid\u00eancias da rela\u00e7\u00e3o entre zika v\u00edrus e o aumento nos casos de microcefalia na regi\u00e3o.<br \/>\nLidar com mulheres fragilizadas pela not\u00edcia de que o filho tem uma malforma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita \u00e9 uma das fun\u00e7\u00f5es da m\u00e9dica. \u201cNunca consegui me distanciar das hist\u00f3rias. Tenho contato com todas as m\u00e3es que atendo\u201d, conta. Segundo ela, ser mulher a ajuda a entender melhor as m\u00e3es, a enxergar a situa\u00e7\u00e3o como elas.<\/p>\n<p>Concentrada nas origens da epidemia, n\u00e3o demorou muito para que a m\u00e9dica desvendasse o mist\u00e9rio que intrigava profissionais de sa\u00fade do Nordeste, onde o surto de microcefalia come\u00e7ou a ser, em agosto de 2015. Quase dois meses, por\u00e9m, foram necess\u00e1rios para que a conclus\u00e3o de Adriana fosse conhecida. Foi chamada de arrogante e alarmista quando falou com colegas de profiss\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a malforma\u00e7\u00e3o e o zika v\u00edrus. \u201cSou mulher, nordestina, paraibana. Isso faz com que alguns me olhem com discrimina\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio de cuidar da sa\u00fade coletiva<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s percorrer um corredor estreito e monocrom\u00e1tico do Centro de Pesquisas Aggeu Magalh\u00e3es (Fiocruz\/PE), a chegada ao box onde trabalha a pesquisadora Eduarda Cesse, 48, revela tra\u00e7os da personalidade da dona do espa\u00e7o. Quadros coloridos, flores de papel, fotografias e cart\u00f5es-postais comp\u00f5em a sala de 3m2. Na Fiocruz, as mulheres s\u00e3o maioria. Eduarda \u00e9 uma das 54 pesquisadoras, ante 41 homens.<\/p>\n<p>As m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es nunca a fizeram desistir. Formada em odontologia pela UPE, fez mestrado e doutorado. Atualmente, participa de projetos de avalia\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade e atua nas \u00e1reas de epidemiologia e doen\u00e7as cr\u00f4nicas. Tamb\u00e9m d\u00e1 aula de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Fiocruz. \u201cFazemos corre\u00e7\u00f5es de provas em casa, continuamos pesquisas fora do expediente. Meus filhos foram criados assim.\u201d<\/p>\n<p>O cargo no Departamento de Sa\u00fade Coletiva da mais importante institui\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e tecnologia em sa\u00fade da Am\u00e9rica Latina foi conquistado em concurso p\u00fablico com concorr\u00eancia de 40 candidatos\/vaga.<br \/>\nQuando ingressou na Fiocruz, em 2002, j\u00e1 era m\u00e3e de Ravi, 26 anos, e Vito, 14. E foi com os dois meninos que ela encarou o maior desafio da carreira: conciliar pesquisa e maternidade. Agora, \u00e9 av\u00f3 de Nina, 6 meses. \u201cEquilibrar a vida pessoal e o trabalho \u00e9 desafiante. Nossa jornada \u00e9 tripla: um expediente no trabalho, um como dona de casa e outro com os filhos\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Anjo da guarda de fam\u00edlias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem a voz tranquila da infectologista pedi\u00e1trica Angela Rocha, 67, esconde a firmeza da m\u00e9dica, uma das profissionais \u00e0 frente dos cuidados com as crian\u00e7as com microcefalia em Pernambuco. Coordenadora do setor de infectologia pedi\u00e1trica do Hospital Universit\u00e1rio Oswaldo Cruz, Angela une sensibilidade para atender as crian\u00e7as e suas m\u00e3es \u00e0 for\u00e7a para dar respostas \u00e0 sociedade sobre a epidemia que atinge o pa\u00eds. Ela foi uma das autoras do protocolo de cuidados com crian\u00e7as microc\u00e9falas, que serviu de base para todo o territ\u00f3rio nacional e refer\u00eancia para a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>No auge do surto, chegou a trabalhar tr\u00eas turnos &#8211; incluindo fins de semana &#8211; para dar conta da demanda que chegava ao Oswaldo Cruz. Angela n\u00e3o \u00e9 m\u00e3e nem casada. As horas livres, escassas em tempos de investiga\u00e7\u00e3o da epidemia, \u00e9 dedicado ao lazer e, principalmente, \u00e0 fam\u00edlia. \u201cO grande desafio \u00e9 dar aten\u00e7\u00e3o ao trabalho sem deixar de lado a vida familiar. Ningu\u00e9m vive s\u00f3 da profiss\u00e3o e buscar esse equil\u00edbrio \u00e9 o dilema da mulher moderna\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Em Pernambuco, 1.672 casos da malforma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita foram notificados. A m\u00e9dica com 45 anos de experi\u00eancia enfrenta hoje uma das situa\u00e7\u00f5es mais desafiadoras da carreira. Ser mulher, diz ela, ajuda no contato com as m\u00e3es.<br \/>\n\u201cA sensibilidade independe do g\u00eanero, claro, mas n\u00f3s mulheres temos essa aproxima\u00e7\u00e3o natural umas com as outras. Na maioria dos casos, atendo m\u00e3es e av\u00f3s. Homens s\u00e3o minoria entre os que acompanham os beb\u00eas.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrever artigos, analisar dados, cuidar de filhos, organizar um lar. O caminho das mulheres para conquistar espa\u00e7o no meio cient\u00edfico revela trajet\u00f3rias marcadas por esfor\u00e7os redobrados e pela supera\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos invis\u00edveis, que v\u00e3o desde o desafio de conciliar trabalho e maternidade at\u00e9 situa\u00e7\u00f5es de preconceito. 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