{"id":29873,"date":"2016-04-22T12:25:32","date_gmt":"2016-04-22T15:25:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=29873"},"modified":"2016-04-22T12:25:32","modified_gmt":"2016-04-22T15:25:32","slug":"cuidados-paliativos-direitos-e-deveres-do-paciente-e-do-medico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/cuidados-paliativos-direitos-e-deveres-do-paciente-e-do-medico\/","title":{"rendered":"Cuidados paliativos: direitos e deveres do paciente e do m\u00e9dico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/cuidados-paliativos.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" class=\"alignleft size-medium wp-image-30307\" src=\"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/cuidados-paliativos-300x168.jpg\" alt=\"cuidados paliativos\" width=\"300\" height=\"168\" \/><\/a>O avan\u00e7o da medicina tem ocasionado o prolongamento da vida humana, mas nem sempre os tratamentos terap\u00eauticos que a prolongam refletem a vontade do paciente. Visando preservar a autonomia do paciente e disciplinar os cuidados m\u00e9dicos no fim da vida, o C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica &#8211; CEM, Resolu\u00e7\u00e3o Conselho Federal de Medicina (CFM) n. 1931\/2009, dentre os seus princ\u00edpios fundamentais (XXII) estabelece que nas \u201csitua\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas irrevers\u00edveis e terminais, o m\u00e9dico evitar\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o de procedimentos diagn\u00f3sticos e terap\u00eauticos desnecess\u00e1rios e propiciar\u00e1 aos pacientes sob sua aten\u00e7\u00e3o todos os cuidados paliativos apropriados\u201d, ao tempo que veda ao m\u00e9dico (Art. 41) abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido (seja do paciente ou seu representante legal), estabelecendo que nos casos de doen\u00e7a incur\u00e1vel e terminal, tem o m\u00e9dico o dever de ofertar os cuidados paliativos dispon\u00edveis sem empreender a\u00e7\u00f5es diagn\u00f3sticas ou terap\u00eauticas in\u00fateis ou obstinadas, conforme a vontade expressa do paciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes do CEM, a Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 1.805\/2006 buscou regular a quest\u00e3o da limita\u00e7\u00e3o e da suspens\u00e3o de tratamentos em pacientes terminais, tendo sido suspensa por decis\u00e3o liminar, nos autos da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica n. 2007.34.00.014809-3, da 14\u00aa Vara Federal\/DF, movida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. Posteriormente, a a\u00e7\u00e3o foi julgada improcedente (2010), talvez por isso o CEM n\u00e3o tenha avan\u00e7ado na quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, permanece o cen\u00e1rio de inseguran\u00e7a, havendo quem defenda a impossibilidade da ortotan\u00e1sia no atual cen\u00e1rio normativo brasileiro, considerando-a m\u00e1 pr\u00e1tica m\u00e9dica. A resolu\u00e7\u00e3o mencionada permite expressamente a limita\u00e7\u00e3o ou suspens\u00e3o de tratamentos que\u00a0prolonguem a vida do doente em fase terminal\u00a0(art. 1\u00ba), desde que respeitada a vontade do interessado, ap\u00f3s os devidos esclarecimentos (\u00a7 1\u00ba), com o efetivo registro da decis\u00e3o fundamentada no prontu\u00e1rio m\u00e9dico (\u00a7\u00a02\u00ba). A resolu\u00e7\u00e3o ainda estabelece que o paciente dever\u00e1 receber cuidados paliativos\u00a0 e reconhece o direito do paciente ter alta hospitalar (Art. 2\u00ba).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Milita ainda em favor da\u00a0resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Federal de Medicina, o fato de que a mesma est\u00e1 de acordo com as orienta\u00e7\u00f5es das entidades m\u00e9dicas internacionais, havendo tamb\u00e9m portaria do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade regulando o direito do paciente de recusar tratamento ap\u00f3s receber informa\u00e7\u00f5es sobre os tratamentos poss\u00edveis (art. 4\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, incisos IX e XI, da Portaria N\u00ba 1.820\/2009).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se poder deixar de lado que a dignidade da pessoa humana \u00e9 um dos fundamentos da Rep\u00fablica (CF\/88, art. 1\u00ba, III), estabelecendo o Art. 5\u00ba, inciso III, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal que \u201cningu\u00e9m ser\u00e1 submetido \u00e0 tortura nem a tratamento desumano ou degradante\u201d, pelo que a vida digna deve ser preservada em todos os momentos, inclusive na hora mais dif\u00edcil para o ser humano, quando a morte se aproxima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em que pese \u00e0 exist\u00eancia da legisla\u00e7\u00e3o mencionada, entendemos que \u00e9\u00a0preciso que exista LEI (em sentido estrito) que regulamente a quest\u00e3o para dar maior seguran\u00e7a jur\u00eddica a todos os atores envolvidos em situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o delicada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto n\u00e3o houver lei espec\u00edfica, deve-se atentar para as regras \u00e9tico-m\u00e9dicas, em especial a Resolu\u00e7\u00e3o do CFM (Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 1.805\/2006) a qual exige que a decis\u00e3o (do paciente, sempre!) de limita\u00e7\u00e3o ou suspens\u00e3o do tratamento\/terap\u00eautica seja fundamentada e registrada e seu prontu\u00e1rio, e ainda, para a portaria do\u00a0Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a qual, por sua vez, garante o direito a recusa de tratamento, mas exige a presen\u00e7a de testemunha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste sentido os cuidados paliativos envolvem, via de regra, uma limita\u00e7\u00e3o consentida do tratamento. Ou seja, o m\u00e9dico deixar\u00e1 de empreender a\u00e7\u00f5es diagn\u00f3sticas ou terap\u00eauticas curativas e passar\u00e1 a prescrever a\u00e7\u00f5es paliativas. O paciente tem o direito de receber informa\u00e7\u00f5es adequadas e claras, devendo o m\u00e9dico colher a assinatura do paciente em documento escrito, registrando ainda de modo fundamentado no prontu\u00e1rio, aconselhando-se que ao prestar as informa\u00e7\u00f5es o fa\u00e7a na presen\u00e7a de testemunha (que dever\u00e1 tamb\u00e9m assinar o documento). Assim, estariam resguardados os direitos do paciente e do m\u00e9dico, evitando-se falhas no processo comunicacional que poderiam desaguar em processos judiciais.<\/p>\n<p><em>Vinicius Calado &#8211; Professor e advogado da Defensoria M\u00e9dica do Sindicato dos M\u00e9dicos de Pernambuco (Simepe) <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O avan\u00e7o da medicina tem ocasionado o prolongamento da vida humana, mas nem sempre os tratamentos terap\u00eauticos que a prolongam refletem a vontade do paciente. 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