{"id":30208,"date":"2016-04-18T09:06:40","date_gmt":"2016-04-18T12:06:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=30208"},"modified":"2016-04-18T09:06:40","modified_gmt":"2016-04-18T12:06:40","slug":"utis-afastam-pacientes-terminais-das-familias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/utis-afastam-pacientes-terminais-das-familias\/","title":{"rendered":"UTIs afastam pacientes terminais das fam\u00edlias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se morre mais como antigamente. A cultura das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) transformou a passagem de pacientes terminais em um fim frio, isolado da fam\u00edlia, muitas vezes sob interven\u00e7\u00f5es est\u00e9reis, que prolongam o sofrimento. A percep\u00e7\u00e3o da necessidade de uma boa morte, em contrapartida, apareceu na Europa no fim dos anos 1960 e tornou-se tend\u00eancia mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cardiologista Hilton Chaves \u00e9 diretor de tr\u00eas UTIs na Regi\u00e3o Metropolitana do Recife. \u00c9 especialista em cuidados paliativos. Para ele, \u00e9 comum os m\u00e9dicos confundirem a perda de um paciente &#8211; mesmo sem perspectiva de cura &#8211; a um fracasso profissional. \u201cFere o sentimento de onipot\u00eancia dele.\u201d J\u00e1 os familiares precisam entender que os entes queridos n\u00e3o viver\u00e3o para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Muitos pedem que fa\u00e7amos todos os procedimentos existentes, mesmo quando explicamos que n\u00e3o h\u00e1 chance de revers\u00e3o do quadro. Isso prolonga o sofrimento e a dor do paciente. Tudo tem come\u00e7o, meio e fim. Quando este \u00faltimo chega, \u00e9 preciso que seja com dignidade. Quando eu era crian\u00e7a, diziam que uma tia muito idosa estava morrendo e \u00edamos todos \u00e0 resid\u00eancia dela, para ficarmos juntos. Est\u00e3o mudando, al\u00e9m do endere\u00e7o dos \u00f3bitos, as pessoas que o acompanham\u201d, relatou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a de pacientes terminais em UTIs tem influ\u00eancias tanto \u00e9ticas quanto econ\u00f4micas. &#8220;\u00c9 imoral animar familiares em rela\u00e7\u00e3o a uma cirurgia que voc\u00ea sabe que n\u00e3o vai dar certo. Precisamos discutir o que \u00e9 vida e o que \u00e9 morte&#8221;, comentou o especialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda de acordo com ele, a palia\u00e7\u00e3o \u00e9 frequentemente interpretada como uma esp\u00e9cie de abandono do paciente. \u201cUma confus\u00e3o. Porque \u00e9 justamente o contr\u00e1rio que acontece. \u00c9 muito mais trabalhoso conhecer verdadeiramente o paciente e entender o que ele precisa para aliviar sua dor emocional, f\u00edsica e espiritual\u201d, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Palia\u00e7\u00e3o em Pernambuco<br \/>\nOs \u201ccuidados paliativos\u201d, uma assist\u00eancia compreendendo a dignidade e a qualidade dos \u00faltimos momentos de um indiv\u00edduo, ser\u00e3o discutidos no audit\u00f3rio do Col\u00e9gio Vera Cruz \u00e0s 19h30 do dia 28 deste m\u00eas. Hilton Chaves \u00e9 o organizador da Sess\u00e3o Cient\u00edfica Cuidados Paliativos. Para ele, \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio que os profissionais de sa\u00fade discutam o assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Secret\u00e1rio estadual de Sa\u00fade, o oncologista Iran Costa \u00e9 tamb\u00e9m especialista em palia\u00e7\u00e3o e fala sobre o assunto no evento do dia 28. &#8220;O papa Jo\u00e3o Paulo II escolheu o processo de palia\u00e7\u00e3o em 2005, o que aumentou o interesse da sociedade e da comunidade m\u00e9dica mundial no tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil e Pernambuco acompanham a tend\u00eancia. No Estado, h\u00e1 times de palia\u00e7\u00e3o no Hospital do C\u00e2ncer, no Hospital Universit\u00e1rio Oswaldo Cruz (Huoc) e no Imip, pioneiro na \u00e1rea&#8221;, explicou. &#8220;Uma grande vontade \u00e9 criar pol\u00edticas p\u00fablicas de abordagem da dor, algo que hoje s\u00f3 existe em pa\u00edses europeus.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Huoc, uma equipe multidisciplinar formada por m\u00e9dico, psic\u00f3logo, enfermeira, terapeuta ocupacional e nutricionista trabalha h\u00e1 tr\u00eas anos exclusivamente com palia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os profissionais visitam pacientes terminais em domic\u00edlios em dias alternados, empenhando-se para aliviar sofrimentos n\u00e3o s\u00f3 f\u00edsicos, mas tamb\u00e9m emocionais. &#8220;Rejeitamos o prolongamento artificial da vida e melhoramos sua qualidade nos pacientes terminais para que tenham uma boa morte, digna&#8221;, contou a coordenadora da Unidade de Cuidados Paliativos do hospital, Paula Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ficamos surpresos no in\u00edcio porque tivemos aceita\u00e7\u00e3o dos familiares. Nosso curso n\u00e3o nos prepara para darmos a m\u00e1 not\u00edcia. Se temos um di\u00e1logo franco e aberto, eles comumente nos revelam que o desejo \u00e9 que o paciente n\u00e3o sofra.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A boa morte<br \/>\nParente de considera\u00e7\u00e3o de dona Mabel da Cunha, 85, Maria de Lourdes Menezes faleceu em sua casa, sob os cuidados da equipe de palia\u00e7\u00e3o do Huoc. &#8220;No SUS, ningu\u00e9m descobria o que ela tinha. Descobriu-se no Huoc que era um c\u00e2ncer no aparelho digestivo, em estado avan\u00e7ado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela queria ficar na minha casa, que ela considerava como dela, e foi onde ficou at\u00e9 seus \u00faltimos dias. Tive medo, por n\u00e3o ter conhecimentos de sa\u00fade, mas uma equipe maravilhosa vinha aqui. Tenho certeza que Lourdes morreu muito satisfeita tendo a gente junto dela&#8221;, lembrou Mabel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Imip, o servi\u00e7o funciona h\u00e1 cinco anos. \u00c9 o primeiro do Estado. Assim como o time do Huoc, vai a domic\u00edlio. Al\u00e9m disso, vai a outras \u00e1reas de internamento do hospital e tem um ambulat\u00f3rio pr\u00f3prio. De acordo com a criadora do projeto, a oncologista Jurema Telles, a palia\u00e7\u00e3o muitas vezes tem mais efici\u00eancia que alguns tratamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Faz viver mais e melhor. Hoje \u00e9 um servi\u00e7o essencial. Enxergamos o doente como um todo. Seguimos na contram\u00e3o da nossa forma\u00e7\u00e3o. Ela n\u00e3o consegue sair do &#8216;saber m\u00e9dico&#8217; e do contexto da doen\u00e7a em si&#8221;, criticou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o se morre mais como antigamente. A cultura das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) transformou a passagem de pacientes terminais em um fim frio, isolado da fam\u00edlia, muitas vezes sob interven\u00e7\u00f5es est\u00e9reis, que prolongam o sofrimento. 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