{"id":30474,"date":"2016-04-29T09:15:06","date_gmt":"2016-04-29T12:15:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=30474"},"modified":"2016-04-29T09:15:06","modified_gmt":"2016-04-29T12:15:06","slug":"a-obesidade-e-as-bacterias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/a-obesidade-e-as-bacterias\/","title":{"rendered":"A obesidade e as bact\u00e9rias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">medo de ter contato com bact\u00e9rias achando que todas elas s\u00e3o inimigas? Eis que essa maneira de pensar est\u00e1 completamente equivocada. A vida do ser humano depende das bact\u00e9rias \u201camigas\u201d,muitas delas ali\u00e1s. Elas nos s\u00e3o essenciais. Caso fossem eliminadas do organismo, a nossa sobreviv\u00eancia seria muito curta. Morrer\u00edamos em pouco tempo, acometidos por infec\u00e7\u00f5es causadas pelos maus germes, v\u00edrus e bact\u00e9rias. Este \u00e9 um dos principais pap\u00e9is das milh\u00f5es de bact\u00e9rias que vivem nos nossos tecidos: nos defender. E como essas bact\u00e9rias \u201camigas\u201d s\u00e3o adquiridas? Mesmo sendo o \u00fatero materno um ambiente est\u00e9ril, durante o parto normal, entramos em contato com a flora ali existente. Posteriormente, elas nos s\u00e3o incorporadas pelo contato comas pessoas, ambientes e alimentos. O n\u00famero das que vivem em nosso organismo \u00e9 impressionante: uma pessoa adulta tem 300 trilh\u00f5es delas. V\u00e1rias vezes mais que a quantidade de nossas c\u00e9lulas. Para cada c\u00e9lula, s\u00e3o mais de dez bact\u00e9rias. O intestino \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o que possui a maior popula\u00e7\u00e3o bacteriana, cerca de 100 trilh\u00f5es delas. Em segundo lugar est\u00e1 a pele, com 10 bilh\u00f5es. Elas tamb\u00e9m est\u00e3o em grande quantidade em v\u00e1rios outros \u00f3rg\u00e3os, como nariz, boca, garganta, aparelho geniturin\u00e1rio, etc. Toda essa quantidade, por n\u00f3s hospedada, muito provavelmente t\u00eam muitas fun\u00e7\u00f5es. No entanto, nosso conhecimento atual sobre o tema \u00e9 ainda muito limitado. A maioria das pesquisas at\u00e9 hoje realizadas foi sobre a flora bacteriana intestinal. E descobertas interessantes j\u00e1 ocorreram. Desde 2005, sabe-se que os camundongos obesos (ob-ob) t\u00eam uma popula\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias no intestino, diferente dos seus semelhantes de peso normal. Nos animais obesos, existe uma predomin\u00e2ncia das bact\u00e9rias tipo Firmucutes sobre as do tipo Bacteriodetes. Nos outros camundongos semelhantes, mas de peso normal, o segundo tipo de bact\u00e9rias \u00e9 muito mais numeroso. Assim, as bact\u00e9rias do tipo Bacteriodetes protegeriam contra a obesidade. Essas diferen\u00e7as de flora tamb\u00e9m foram observadas em outros tipos de animais, obesos ou n\u00e3o. Porcos, bois e ratos est\u00e3o entre eles. Tamb\u00e9m observou-seque, se modificando a flora intestinal dos camundongos, a tend\u00eancia para o ganho de peso tamb\u00e9m era alterada. Assim, ap\u00f3s ter a sua flora intestinal esterilizada por antibi\u00f3ticos, transplantou-se para os camundongos obesos a flora intestinal dos de peso normal. Esse procedimento fez com que existisse uma perda ponderal importante nos transplantados. E, no ser humano, existiria tamb\u00e9m essa diferen\u00e7a nas bact\u00e9rias intestinais, entre os obesos e os de peso normal? Apesar de n\u00e3o existir uma unanimidade entre os resultados das pesquisas, a maioria delas aponta para a mesma dire\u00e7\u00e3o. Na flora do intestino dos indiv\u00edduos obesos h\u00e1 uma escassez das bact\u00e9rias do tipo Bacteriodetes &#8211; as protetoras contra a obesidade. E como esses seres influenciariam na dimens\u00e3o pon- deral dos indiv\u00edduos? Provavelmente por v\u00e1rios mecanismos. As bact\u00e9rias seriam mais ou menos eficientes na retirada da energia dos alimentos. Poderiam tamb\u00e9m modificar a secre\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios gastrointestinais (Ghrelina, GLP1,GLP2,PYY), que controlamo apetite e saciedade. Agiriam facilitando ou prejudicando a absor\u00e7\u00e3o dos alimentos pela mucosa intestinal. Muitas pesquisas ainda precisam ser realizadas para que tenhamos respostas convincentes. Caso a flora intestinal se mostre fundamental na etiologia da obesidade, poderemos vir trat\u00e1-la com antibi\u00f3ticos e\/ou via transplante de bact\u00e9rias intestinais dos indiv\u00edduos magros. Al\u00e9m disso, ser\u00edamos mais compreensivos com os portadores de excesso de peso. Ele \u00e9 gordinho, mas \u00e9 inocente. As culpadas s\u00e3o as suas bact\u00e9rias intestinais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>medo de ter contato com bact\u00e9rias achando que todas elas s\u00e3o inimigas? Eis que essa maneira de pensar est\u00e1 completamente equivocada. A vida do ser humano depende das bact\u00e9rias \u201camigas\u201d,muitas delas ali\u00e1s. Elas nos s\u00e3o essenciais. Caso fossem eliminadas do organismo, a nossa sobreviv\u00eancia seria muito curta. 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