{"id":30792,"date":"2016-05-16T09:09:35","date_gmt":"2016-05-16T12:09:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=30792"},"modified":"2016-05-16T09:09:35","modified_gmt":"2016-05-16T12:09:35","slug":"animais-sao-ferramentas-contra-aedes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/animais-sao-ferramentas-contra-aedes\/","title":{"rendered":"Animais s\u00e3o ferramentas contra Aedes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O controle biol\u00f3gico do Aedes aegypti tem se tornado uma alternativa, seja nas resid\u00eancias ou nas ruas. O peixamento, por exemplo, a\u00e7\u00e3o de soltar guarus, guppies e piabas em cisternas e recipientes d\u2019\u00e1gua, j\u00e1 foi utilizada em diversos estados brasileiros, com o incentivo do poder p\u00fablico. J\u00e1 os sapos, s\u00e3o comprados individualmente para \u201cproteger\u201d resid\u00eancias de gestantes na Argentina. Enquanto a epidemia n\u00e3o passa e os mosquitos continuam fazendo v\u00edtimas de dengue, zika e chikungunya, as tentativas para erradic\u00e1-lo v\u00e3o se tornando cada vez mais variadas. E n\u00e3o \u00e0 toa. S\u00f3 em Pernambuco s\u00e3o mais de 80 mil notifica\u00e7\u00f5es das tr\u00eas doen\u00e7as neste ano.<\/p>\n<p>Lib\u00e9lulas<br \/>\nEx\u00edmias ca\u00e7adoras, as lib\u00e9lulas t\u00eam sucesso 95% das vezes que investem contra um mosquito. No Recife, um projeto do Jardim Bot\u00e2nico do Recife est\u00e1 come\u00e7ando a ser posto em pr\u00e1tica para atrair o animal at\u00e9 as \u00e1reas mais infestadas com o Aedes aegypti. A ideia \u00e9 entregar dez a 20 sementes de uma planta chamada crotal\u00e1ria em postos de sa\u00fade localizados nos bairros mais atingidos por arboviroses. Atra\u00eddas pelo cheiro das flores, que demoram cerca de tr\u00eas meses para aparecer, as devoradoras de insetos devem trabalhar, tamb\u00e9m, contra os vetores das atuais epidemias.\u201cTemos uma infinidade de esp\u00e9cies de lib\u00e9lulas no Recife. Algumas vivem at\u00e9 tr\u00eas anos\u201d, explicou o veterin\u00e1rio do Jardim Bot\u00e2nico, William Wanderley. \u201cInicialmente, est\u00e3o no espa\u00e7o da larva do Aedes aegypti, pois passa 90% da vida na \u00e1gua, sob a forma de ninfa. Quando adulta, ataca o mosquito.\u201d<\/p>\n<p>Peixes<br \/>\nRiacho das Almas, munic\u00edpio do Agreste do Estado, apostou nos guarus para combater o Aedes aegypti. Os pequenos peixes foram depositados nas cisternas de resid\u00eancias localizadas em pontos estrat\u00e9gicos da cidade, depois que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade passou a atrasar a entrega dos larvicidas. A Secretaria de Sa\u00fade da cidade observou uma melhoria e investiu de vez no bicho como principal arma contra o mosquito. Em menos de 40 dias, o \u00edndice de infesta\u00e7\u00e3o predial diminuiu de 7,4% para 1,9%, considerado satisfat\u00f3rio. A partir de 4% h\u00e1 risco de surto de doen\u00e7as causadas pelo mosquito.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar uma cria\u00e7\u00e3o dos peixes, o coordenador de endemias da cidade solicitou uma caixa d\u2019\u00e1gua grande \u00e0 secret\u00e1ria de sa\u00fade, Scheyla Gon\u00e7alves, que achou estranho, mas decidiu observar a a\u00e7\u00e3o. Com sucesso na diminui\u00e7\u00e3o da infesta\u00e7\u00e3o e a r\u00e1pida reprodu\u00e7\u00e3o dos guarus, hoje Riacho das Almas trabalha com tr\u00eas enormes recipientes repletos deles. \u201cAinda vamos de casa em casa levar os peixes, principalmente porque estamos sob forte falta d\u2019\u00e1gua. As cisternas secam e eles morrem\u201d, comentou a secret\u00e1ria, acrescentando que os moradores v\u00e3o busc\u00e1-los diariamente. \u201cEles percebem que deu certo com um vizinho e pedem tamb\u00e9m. As cidades vizinhas tamb\u00e9m vieram\u201d.<\/p>\n<p>Secret\u00e1rios de sa\u00fade de cidades como Passira, Casinhas, Surubim e Caruaru tamb\u00e9m est\u00e3o investindo nos peixes. Algumas prefeituras receberam orienta\u00e7\u00f5es da de Riacho das Almas, al\u00e9m de uma grande quantidade de peixes para dar in\u00edcio \u00e0 cria\u00e7\u00e3o. Itapetim, no Sert\u00e3o, foi peixado com piabas. No Recife, um em cada quatro focos de dengue est\u00e3o em recipientes que guardam \u00e1gua dentro das casas, mas o peixamento ainda n\u00e3o \u00e9 considerado uma alternativa pela Prefeitura.<\/p>\n<p>Sapos<br \/>\nDepois que o ministro da sa\u00fade da Argentina, Jorge Lemus, admitiu que os pesticidas n\u00e3o estavam sendo eficientes contra o Aedes aegypti, o controle biol\u00f3gico come\u00e7ou a ser cogitado e os sapos se tornaram a alternativa preferida no pa\u00eds. Com medo da zika, que j\u00e1 foi notificado no pa\u00eds pelos menos cinco vezes, mas, principalmente, da microcefalia em seus fetos, as gestantes passaram a comprar esses animais para proteg\u00ea-las. Pela internet, compram esp\u00e9cimes vivos por at\u00e9 R$ 24. Mas, apesar de comerem mosquitos, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que esses insetos fazem parte da alimenta\u00e7\u00e3o dos sapos de maneira consistente.<\/p>\n<p>Morcego<br \/>\nSetenta porcento das quase 200 esp\u00e9cies de morcego existentes no Brasil s\u00e3o insect\u00edvoras. Eles n\u00e3o s\u00f3 podem ser uma arma contra o Aedes aegypti como j\u00e1 foram usados para esse fim em diversos lugares do mundo. Na d\u00e9cada de 1920, americanos constru\u00edram uma \u201ctorre de morcegos\u201d para deter a enorme quantidade de mosquitos nos p\u00e2ntanos e charcos no extremo sul da Fl\u00f3rida. Uma pesquisa realizada nos anos 1950 prendeu morcegos e mosquitos em uma sala e constatou que dez insetos eram devorados por minutos. Mesmo, assim, a experi\u00eancia na Fl\u00f3rida falhou devido ao ambiente prop\u00edcio \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o do inseto. Tamb\u00e9m com o intuito de diminuir a infesta\u00e7\u00e3o de mosquitos, o poder p\u00fablico de cidades italianas como Arezzo incentiva a instala\u00e7\u00e3o de bat boxes, caixas que atraem os morcegos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O controle biol\u00f3gico do Aedes aegypti tem se tornado uma alternativa, seja nas resid\u00eancias ou nas ruas. O peixamento, por exemplo, a\u00e7\u00e3o de soltar guarus, guppies e piabas em cisternas e recipientes d\u2019\u00e1gua, j\u00e1 foi utilizada em diversos estados brasileiros, com o incentivo do poder p\u00fablico. 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