{"id":31741,"date":"2016-07-05T07:41:59","date_gmt":"2016-07-05T10:41:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=31741"},"modified":"2016-07-05T07:41:59","modified_gmt":"2016-07-05T10:41:59","slug":"queimados-nao-basta-dizer-tenham-cuidado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/queimados-nao-basta-dizer-tenham-cuidado\/","title":{"rendered":"Queimados: n\u00e3o basta dizer &#8220;tenham cuidado!&#8221;"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<div id=\"abanoticia\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o quero parecer tr\u00e1gico, como aquelas pessoas que s\u00f3 veem os festejos sob a \u00f3tica do drama, mas saiu ontem um balan\u00e7o das festas juninas que merece nossa aten\u00e7\u00e3o: a do n\u00famero de queimados. Sou particularmente tocado por este assunto, porque quando crian\u00e7a fiz parte de um desses balan\u00e7os. Tinha entre 10 e 11 anos quando vi uma fogueira quase toda j\u00e1 transformada em cinzas e tive a infeliz ideia de segurar aqueles tocos que ficam de lado da lenha. At\u00e9 hoje todos os meus dedos t\u00eam uma protuber\u00e2ncia que parecem resqu\u00edcios das bolhas que ficaram da queimadura. Cerca de 40 anos depois a cena ainda est\u00e1 na minha mem\u00f3ria, como algo recente.<br \/>\nMas falava eu do balan\u00e7o divulgado ontem, alusivo ao per\u00edodo que vai da v\u00e9spera de Santo Ant\u00f4nio (11) at\u00e9 o dia seguinte ao S\u00e3o Pedro (30). O m\u00e9dico Marcos Barreto, chefe do setor de Queimados, do Hospital da Restaura\u00e7\u00e3o (HR), informou que 56 pessoas foram atendidas, sendo que 36 delas eram crian\u00e7as. Em 2015 foram 21 crian\u00e7as. Aumento de 71%.<br \/>\nO n\u00famero pode parecer pequeno neste mundo em que uma ordem de grandeza para chamar aten\u00e7\u00e3o tem de passar da centena. Mas n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o. Vejamos: primeiro, isso acontece todos os anos, apesar de alertas e reportagens insistentemente veiculadas neste per\u00edodo. Segundo, os casos dizem respeito apenas aos que procuram o HR; h\u00e1 outros acidentes que, por menor gravidade ou pelo fato de as pessoas morarem longe, n\u00e3o chegam l\u00e1. Terceiro, projetados os n\u00fameros para o Nordeste, considerando que esta \u00e9 a regi\u00e3o onde s\u00e3o intensos os festejos juninos, podemos ter a\u00ed cerca de 300 crian\u00e7as atingidas nos nove estados (e uns 200 adultos). Quarto, se a gente for ver cada caso, ver\u00e1 o drama que h\u00e1 por tr\u00e1s deles, alguns perdurando pela vida inteira.<br \/>\nEm Pernambuco, por exemplo, aconteceram casos como este, descrito pelo dr. Marcos Barreto: \u201cUma crian\u00e7a de cinco anos caiu em uma fogueira e ficou &#8216;assando&#8217;. Corre risco de morte alt\u00edssimo\u201d. Houve outro em que um menino perdeu o antebra\u00e7o, o punho e uma m\u00e3o. Tem 12 anos &#8211; ali\u00e1s, completados na cama do hospital. Uma bomba junina estourou em sua m\u00e3o. Sua vida evidentemente nunca mais ser\u00e1 a mesma. Nem a da sua fam\u00edlia. Em outro acidente, um garoto entrou com bicicleta e tudo dentro de uma fogueira em chamas. Continua internado. E, em mais um acidente, um pai segurou uma bomba para o filho acender e viu o artefato explodir na pr\u00f3pria m\u00e3o &#8211; a v\u00edtima a\u00ed foi o adulto: deve perder a ponta de alguns dedos. Entre os queimados h\u00e1 pacientes que demorar\u00e3o meses e at\u00e9 anos sob tratamento. Uma tend\u00eancia que j\u00e1 apontara no ano passado, tornou a aparecer agora em 2016: a de fogos de baixa qualidade, vendidos a pre\u00e7os baixos, com diversas falhas, inclusive nos pavios. Os fogos de artif\u00edcio t\u00eam uma caracter\u00edstica que aumenta sua capacidade de causar danos: ficam muito pr\u00f3ximos de quem os acende, podendo atingir diretamente m\u00e3os, olhos e rosto.<br \/>\nA tend\u00eancia comum nos acidentes \u00e9 culpabilizar os pais &#8211; como n\u00e3o prestaram aten\u00e7\u00e3o no filho ou filha e os deixaram correr o risco de algo t\u00e3o grave? Quem \u00e9 pai sabe que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples: bastam alguns segundos para que aconte\u00e7a uma trag\u00e9dia. Presta-se aten\u00e7\u00e3o no filho a noite inteira e a\u00ed, por alguns segundos, voc\u00ea olha para o outro lado &#8211; e nesse instante exato acontece a infelicidade. Uma das lembran\u00e7as mais fortes da minha inf\u00e2ncia era a de festejar o S\u00e3o Jo\u00e3o com o meu pai e a minha m\u00e3e &#8211; a trilogia da felicidade: as comidas feitas durante o dia, a fogueira\u00a0 acesa \u00e0 noite e a expectativa sobre quais fogos (sempre de baixa pot\u00eancia) meu pai comprara . Lembro da aten\u00e7\u00e3o deles com todos n\u00f3s, para evitar acidentes. O que n\u00e3o impediu que, com alguns\u00a0 passos, eu chegasse \u00e0 fogueira e me agarrasse com a madeira em brasas.<br \/>\nO que fazer? As respostas \u00f3bvias que surgem s\u00e3o: fiscalizar a qualidade dos fogos e intensificar as campanhas de preven\u00e7\u00e3o. Creio que de alguma forma isso j\u00e1 \u00e9 feito. Mas o que temos visto, ano ap\u00f3s ano, \u00e9 que parece n\u00e3o ser suficiente. Com festas t\u00e3o representativas de nossa cultura, que atraem tantas pessoas e fazem a alegria de tantas crian\u00e7as, talvez dev\u00eassemos procurar uma nova forma de evitar que t\u00e3o grande n\u00famero de trag\u00e9dias continue acontecendo. J\u00e1 vimos que n\u00e3o basta dizer \u201ctenham cuidado!\u201d.<\/div>\n<p><span id=\"coment_user\"><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img src=\"http:\/\/app.impresso.diariodepernambuco.com.br\/access\/da_impresso_130686904244\/148862\/43\/eq.gif\" alt=\"\" \/>Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o quero parecer tr\u00e1gico, como aquelas pessoas que s\u00f3 veem os festejos sob a \u00f3tica do drama, mas saiu ontem um balan\u00e7o das festas juninas que merece nossa aten\u00e7\u00e3o: a do n\u00famero de queimados. 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