{"id":31984,"date":"2016-07-18T07:20:48","date_gmt":"2016-07-18T10:20:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=31984"},"modified":"2016-07-18T07:20:48","modified_gmt":"2016-07-18T10:20:48","slug":"plano-de-saude-popular-pode-atrasar-tratamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/plano-de-saude-popular-pode-atrasar-tratamentos\/","title":{"rendered":"Plano de sa\u00fade popular pode atrasar tratamentos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A proposta do ministro Ricardo Barros de criar planos de sa\u00fade populares com cobertura mais b\u00e1sica, divulgada h\u00e1 duas semanas, nem ser\u00e1 capaz de aliviar a falta de recursos do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) nem vai agilizar o atendimento a pacientes com doen\u00e7as mais complexas. E ainda pode ter efeito contr\u00e1rio, de desorganizar o sistema e atrasar o in\u00edcio de alguns tratamentos. Essa \u00e9 a vis\u00e3o de v\u00e1rios especialistas em sa\u00fade p\u00fablica ouvidos pelo Estado e refor\u00e7ada por dados do pr\u00f3prio minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Segundo a pasta, o gasto com a\u00e7\u00f5es de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, como consultas em postos de sa\u00fade, representou, no ano passado, 13,7% do or\u00e7amento do minist\u00e9rio, enquanto as despesas com procedimentos de m\u00e9dia e alta complexidade, como interna\u00e7\u00f5es e cirurgias, consumiram 42,1%. \u201cN\u00e3o consigo entender isso como uma solu\u00e7\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, porque muito da alta complexidade quem banca e vai continuar bancando \u00e9 o SUS. Ent\u00e3o a gente percebe que \u00e9 uma medida que, do ponto de vista t\u00e9cnico, parece n\u00e3o ter justificativa e que vai na contram\u00e3o do que vem sendo feito pela ANS (Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar), que \u00e9 evitar planos com baixa cobertura\u201d, diz Walter Cintra Ferreira Junior, professor e coordenador do curso de especializa\u00e7\u00e3o em administra\u00e7\u00e3o hospitalar e de sistemas de sa\u00fade da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV).<\/p>\n<p>Para Claudia Travassos, pesquisadora do Instituto de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica em Sa\u00fade da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), o est\u00edmulo a planos de baixa cobertura n\u00e3o atender\u00e1 \u00e0s necessidades de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o nem trar\u00e1 economia para o minist\u00e9rio. \u201cO SUS vai continuar arcando com o que \u00e9 mais caro, portanto, precisando de mais dinheiro. Ou isso \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o ou \u00e9 uma forma de enganar as pessoas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Demora. Os especialistas dizem que os clientes que optarem por um plano de sa\u00fade com cobertura restrita poder\u00e3o ter dificuldades caso precisem de atendimento mais complexo, como uma cirurgia ou um tratamento contra c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>\u201cPode atrasar o in\u00edcio do tratamento para alguns pacientes porque eles podem at\u00e9 conseguir a primeira consulta e o diagn\u00f3stico no plano, mas n\u00e3o conseguir\u00e3o ter continuidade e ter\u00e3o de voltar no in\u00edcio do caminho no SUS, porque n\u00e3o conseguir\u00e3o usar o encaminhamento do plano na rede p\u00fablica\u201d, diz Mario Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da USP e um dos vice-presidentes da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco).<\/p>\n<p>\u201cIsso gera mais gastos, porque vai exigir a realiza\u00e7\u00e3o de novas consultas. Quebra com a organiza\u00e7\u00e3o de um cuidado mais sist\u00eamico e parece que s\u00f3 vem atender aos interesses do setor privado de planos, porque n\u00e3o atende aos interesses nem da sa\u00fade nem do minist\u00e9rio nem da popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz Claudia.<\/p>\n<p>Scheffer afirma que, mesmo hoje, com a regula\u00e7\u00e3o feita pela ANS, clientes de planos de sa\u00fade com cobertura b\u00e1sica j\u00e1 enfrentam dificuldades. \u201cA gente j\u00e1 conhece esse plano de menor pre\u00e7o com rede credenciada reduzida. Eles acabam criando obst\u00e1culos e barreiras para a assist\u00eancia. Essa medida de criar planos populares poderia piorar esse quadro.\u201d<\/p>\n<p>A estudante Mayr Santos Teixeira, de 28 anos, foi uma das v\u00edtimas da demora na autoriza\u00e7\u00e3o de um tratamento oncol\u00f3gico por parte do plano. Em 2009, ela foi diagnosticada com leucemia aguda e foi avisada pelos m\u00e9dicos de que poderia morrer se n\u00e3o iniciasse a quimioterapia em dez dias. \u201cMeu plano s\u00f3 foi aprovar o tratamento 20 dias depois. Por sorte, tive a ajuda de uma m\u00e9dica para conseguir o tratamento pelo SUS e pude come\u00e7ar mais r\u00e1pido. Acabei fazendo todas as sess\u00f5es de qu\u00edmio na rede p\u00fablica porque o plano dificultava demais. Mas tenho v\u00e1rios amigos que morreram no meio do caminho por n\u00e3o conseguir nem no plano nem no SUS\u201d, conta.<\/p>\n<p>\u201cAcho que a pol\u00edtica do minist\u00e9rio n\u00e3o deveria ser fragmentar mais o sistema, mas estruturar a rede b\u00e1sica e secund\u00e1ria do pr\u00f3prio SUS para dar a aten\u00e7\u00e3o de forma mais r\u00e1pida\u201d, diz Ferreira Junior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A proposta do ministro Ricardo Barros de criar planos de sa\u00fade populares com cobertura mais b\u00e1sica, divulgada h\u00e1 duas semanas, nem ser\u00e1 capaz de aliviar a falta de recursos do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) nem vai agilizar o atendimento a pacientes com doen\u00e7as mais complexas. 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