{"id":32260,"date":"2016-08-01T07:49:37","date_gmt":"2016-08-01T10:49:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=32260"},"modified":"2016-08-01T07:49:37","modified_gmt":"2016-08-01T10:49:37","slug":"microcefalia-primeiros-bebes-da-era-zika-completam-1-ano-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/microcefalia-primeiros-bebes-da-era-zika-completam-1-ano-de-vida\/","title":{"rendered":"Microcefalia: primeiros beb\u00eas da era zika completam 1 ano de vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A primeira gera\u00e7\u00e3o dos beb\u00eas que nasceram com\u00a0microcefalia\u00a0associada ao\u00a0zika\u00a0come\u00e7a a completar o primeiro ano de vida. Ao longo desses 12 meses, as fam\u00edlias se viram atropeladas por uma grande quantidade de informa\u00e7\u00f5es, por vezes contradit\u00f3rias, sobre uma condi\u00e7\u00e3o que abalou emocionalmente a sociedade. De um lado, os m\u00e9dicos testemunharam o aparecimento de um problema sem precedentes no mundo e chegaram a se sentir impotentes diante das limita\u00e7\u00f5es causadas por um v\u00edrus que provoca les\u00f5es no c\u00e9rebro em graus distintos. Em outra esfera, as m\u00e3es acumularam ansiedades pelo desafio de dar todos os cuidados a um beb\u00ea cuja malforma\u00e7\u00e3o desafia a sa\u00fade p\u00fablica. Essa fase ainda tem sido marcada por uma rotina intensa de consultas, exames e terapias, que tentam buscar caminhos para controlar irritabilidade, crises convulsivas, refluxo, rigidez muscular e\u00a0engasgos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelamente a todo esse cen\u00e1rio, as fam\u00edlias dos beb\u00eas com microcefalia se uniram para encontrar respostas a quest\u00f5es e sentimentos que mais trazem afli\u00e7\u00f5es e incertezas. De m\u00e3os dadas, pais e m\u00e3es tornaram-se fortes diante da necessidade de zelar pelo desenvolvimento dos filhos que carregam consequ\u00eancias de um v\u00edrus capaz de deixar o mundo entrar em alerta. \u201cNo come\u00e7o, foi muito dif\u00edcil. Nos tr\u00eas primeiros meses, fiquei me perguntando o que seria a microcefalia. Quando David fez sete meses, passei a entender mais. As meninas da Uni\u00e3o de M\u00e3es de Anjos (entidade que presta assist\u00eancia \u00e0s fam\u00edlias das crian\u00e7as com microcefalia) me ensinaram muito. Passou-se o tempo, e o amor s\u00f3 faz crescer. Ele me ensinou realmente a ser m\u00e3e\u201d, conta a dona de casa Danielle C\u00e2ndida da Costa, 33 anos, m\u00e3e de David, que completou 1 ano na \u00faltima ter\u00e7a-feira (26). Ele \u00e9 um dos primeiros casos que levaram a comunidade m\u00e9dica a investigar a explos\u00e3o de casos de microcefalia em Pernambuco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca em que David nasceu, os rumores de que zika poderia causar microcefalia n\u00e3o existiam, embora o Estado j\u00e1 estivesse passado, no primeiro semestre de 2015, por uma epidemia de zika que oficialmente n\u00e3o havia sido reconhecida pelas autoridades de sa\u00fade. A microcefalia veio como a ponta do iceberg e fez evidenciar um surto que passou em branco em territ\u00f3rio pernambucano: a maioria das mulheres que deu \u00e0 luz um beb\u00ea com microcefalia de agosto a novembro (per\u00edodo em que mais se concentraram os nascimentos de beb\u00eas com a malforma\u00e7\u00e3o) relatou sintomas de zika no primeiro trimestre da gesta\u00e7\u00e3o, que coincide em Pernambuco com o per\u00edodo da epidemia. Diante desse fato incomum, as notifica\u00e7\u00f5es de microcefalia passaram a ser obrigat\u00f3rias no Estado h\u00e1 um ano, precisamente em 1\u00ba de agosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUma ultrassonografia aos 8 meses mostrou que David nasceria com microcefalia, mas nem imaginava o que era. Quando me internei para o parto, o m\u00e9dico disse que ele poderia ter s\u00f3 algumas horas de vida. Fiquei desesperada. E hoje vejo meu filho aqui contando a vit\u00f3ria, fazendo um aninho. Ele tem muito amor meu, dos meus outros quatro filhos, do pai, de toda a fam\u00edlia\u201d, relata Danielle, que j\u00e1 passou madrugadas em claro para tentar apaziguar uma irritabilidade comum a muitos beb\u00eas com microcefalia nos primeiros meses de vida. \u201cEle chorava de um lado, e eu de outro. Teve uma noite que pensei que n\u00e3o aguentaria de t\u00e3o cansada. Com terapias e medica\u00e7\u00f5es, ele foi relaxando, passou a dormir mais e a ter menos espasmos (contra\u00e7\u00f5es musculares involunt\u00e1rias).\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste primeiro ano de vida da primeira gera\u00e7\u00e3o dos beb\u00eas que nasceram com microcefalia associada ao zika, a neuropediatra Vanessa Van Der Linden lapidou um conceito que adota em duas d\u00e9cadas como m\u00e9dica: a informa\u00e7\u00e3o que leva confian\u00e7a e a disponibilidade de cuidar t\u00eam sido um farol no caminho dessas fam\u00edlias. \u201c\u00c9 importante educar os pais para que, diante das dificuldades, possam interagir da melhor forma com os filhos. Quando a fam\u00edlia sabe como estimular a crian\u00e7a, o desenvolvimento passa a ser melhor. E assim percebo que as m\u00e3es est\u00e3o mais tranquilas e entendem mais a situa\u00e7\u00e3o\u201d, acredita Vanessa, uma das m\u00e9dicas que alertaram autoridades de sa\u00fade sobre a mudan\u00e7a no padr\u00e3o da microcefalia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDivido com a fam\u00edlia informa\u00e7\u00f5es sobre o grau de comprometimento da crian\u00e7a e o quanto a gente pode investir ou n\u00e3o em prol do desenvolvimento. Os pais v\u00e3o compreendendo a microcefalia e tentam se adaptar a essa condi\u00e7\u00e3o. Na \u00faltima semana, cheguei a dizer a uma m\u00e3e que, independentemente de andar ou n\u00e3o andar, o importante \u00e9 que a filha seja feliz\u201d, completa a neuropediatra, que acompanha os beb\u00eas em consult\u00f3rio particular, no Hospital Bar\u00e3o de Lucena e na Associa\u00e7\u00e3o de Assist\u00eancia \u00e0 Crian\u00e7a Deficiente (AACD) \u2013 institui\u00e7\u00e3o que acompanha, pelo menos, 95 beb\u00eas com a malforma\u00e7\u00e3o comprovadamente causada pelo zika, como o pequeno Pedro Luccas, que faz 1 ano no pr\u00f3ximo dia 12.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele nasceu no m\u00eas em que se refor\u00e7aram as suspeitas de que algo estaria fora do padr\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 microcefalia. Em agosto, foram notificados 32 casos (de 2005 a 2014, a m\u00e9dia de casos foi de nove registros por ano). \u201cLogo quando nasceu, procurei informa\u00e7\u00f5es sobre o assunto e nada tinha. Fiquei com medo que meu filho n\u00e3o resistisse, mas hoje \u00e9 feliz, me ensina a ter paci\u00eancia e a dar mais valor \u00e0s coisas. Com as terapias e o apoio de toda a fam\u00edlia, Pedro Luccas passou a abrir as m\u00e3os, pegar objetos, dobrar as pernas, sorrir e olhar para as pessoas\u201d, conta a m\u00e3e do menino, a auxiliar administrativo Mariana Viana, 23. \u201cMuitas pessoas dizem que beb\u00ea com microcefalia n\u00e3o chega a 1 ano. Ent\u00e3o, esse anivers\u00e1rio \u00e9 uma vit\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao ter suporte da fam\u00edlia, dos profissionais de sa\u00fade e da sociedade, os pais dos beb\u00eas com microcefalia passam a ter a chance de se sentir fortalecidos e serenos para zelar pelo desenvolvimento dos filhos com amor, disciplina e cuidado dentro de um contexto que permite superar obst\u00e1culos e desesperan\u00e7as. \u201cO nascimento de Jo\u00e3o Gabriel foi um choque. Mas, com o decorrer dos meses, s\u00f3 vejo conquistas. V\u00ea-lo nos meus bra\u00e7os se movimentando \u00e9 tudo para mim. Escutei que ele iria vegetar e s\u00f3 mexeria os olhos. O desenvolvimento est\u00e1 sendo lento, mas sei que ele alcan\u00e7ar\u00e1 todas as etapas da vida\u201d, relata a dona de casa Elaine Michelle dos Santos, 29, m\u00e3e de Jo\u00e3o Gabriel, que completou 1 ano ontem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela casa da fam\u00edlia, s\u00f3 se v\u00ea as lembrancinhas da festa, que ser\u00e1 realizada em agosto. \u201cPara mim, Jo\u00e3o foi um grande presente; para os m\u00e9dicos, uma grande surpresa. Ele me mostrou uma for\u00e7a que eu n\u00e3o imaginava ter e que se renova a cada dia. \u00c9 minha joia rara\u201d, acrescenta Elaine, que diariamente conta com apoio do marido, o chefe de cozinha Jos\u00e9 Adriano da Silva, 37, e da filha, Maria Eduarda, 13. Eles foram a fortaleza para Elaine enfrentar 60 dias no hospital com Jo\u00e3o Gabriel, que desenvolveu meningite bacteriana com poucos dias de vida. Teve alta quando completou 2 meses de vida. \u201cS\u00f3 passei a ter esperan\u00e7a a partir do dia em que ele veio para casa. Corri atr\u00e1s dos tratamentos, e tudo come\u00e7ou a florear. A luz que estava apagada reacendeu. Comecei a ver outras m\u00e3es com seus beb\u00eas e a trocar ideias com elas. Microcefalia n\u00e3o \u00e9 o fim; \u00e9 o come\u00e7o de uma nova gera\u00e7\u00e3o, cujos beb\u00eas v\u00e3o se desenvolver no seu tempo\u201d, diz Elaine, que deposita doses de esperan\u00e7a no amanh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Jornal do Commercio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira gera\u00e7\u00e3o dos beb\u00eas que nasceram com\u00a0microcefalia\u00a0associada ao\u00a0zika\u00a0come\u00e7a a completar o primeiro ano de vida. 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