{"id":32720,"date":"2016-08-22T07:23:19","date_gmt":"2016-08-22T10:23:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=32720"},"modified":"2016-08-22T07:23:19","modified_gmt":"2016-08-22T10:23:19","slug":"pacientes-tem-direito-a-medicamentos-contra-hepatite-c-pelos-planos-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/pacientes-tem-direito-a-medicamentos-contra-hepatite-c-pelos-planos-de-saude\/","title":{"rendered":"Pacientes t\u00eam direito a medicamentos contra Hepatite C pelos planos de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Estima-se que ao menos 200 milh\u00f5es de pessoas estejam infectadas pelo v\u00edrus da Hepatite C ao redor do mundo. No Brasil, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade estima que 1,5% da popula\u00e7\u00e3o tenha a doen\u00e7a, sendo que 95% das pessoas n\u00e3o sabem disso. Trata-se de uma verdadeira epidemia silenciosa, que a cada ano leva milhares de pessoas \u00e0 morte decorrente de disfun\u00e7\u00f5es do f\u00edgado, tais como cirrose hep\u00e1tica, c\u00e2ncer de f\u00edgado, entre outras. Felizmente, as pesquisas farmac\u00eauticas tem obtido sucesso em desenvolver medicamentos que apresentam efic\u00e1cia de mais de 90% no combate da doen\u00e7a. Al\u00e9m disso, a Anvisa avalia a libera\u00e7\u00e3o de uma associa\u00e7\u00e3o medicamentosa de cinco f\u00e1rmacos e ainda h\u00e1 tamb\u00e9m, exames de ponta como o Fibroscan, que garante um correto diagn\u00f3stico e acompanhamento. Nos Estados Unidos e Europa, tais medicamentos s\u00e3o corriqueiramente utilizados. No Brasil, embora com ineg\u00e1vel atraso, a Anvisa promoveu recentemente ao registro dos f\u00e1rmacos. No entanto, embora com a libera\u00e7\u00e3o do uso dos medicamentos em territ\u00f3rio nacional, muitos pacientes ainda encontram restri\u00e7\u00f5es de acesso ao tratamento. No caso dos planos de sa\u00fade, s\u00e3o corriqueiras as negativas de cobertura dos medicamentos, ora sob a alega\u00e7\u00e3o de que tais tratamentos n\u00e3o constam do rol de procedimentos obrigat\u00f3rios da ANS, ora sob a justificativa de que o tratamento com uso de tais rem\u00e9dios teria car\u00e1ter experimental. As justificativas apresentadas pelos conv\u00eanios, no entanto, s\u00e3o infundadas. O Judici\u00e1rio h\u00e1 muito tempo vem consolidando o entendimento de que o rol divulgado pela ANS n\u00e3o \u00e9 taxativo, servindo apenas de refer\u00eancia de cobertura. Da mesma forma, a Justi\u00e7a vem considerando que por \u201cexperimental\u201d considera-se o tratamento sem qualquer amparo ou comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edficos de sua efic\u00e1cia, n\u00e3o utilizados pela comunidade m\u00e9dica internacional e n\u00e3o reconhecido pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o que definitivamente n\u00e3o \u00e9 o caso dos medicamentos prescritos para o tratamento da Hepatite, sendo certo que sua efic\u00e1cia \u00e9 comprovada por estudos inclusive fora do Pa\u00eds. O Desembargador Francisco Loureiro, da 4\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo, por ocasi\u00e3o do julgamento da Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel n.\u00ba 990.10.576331-6, considerou que: \u201c(&#8230;) pelo termo \u201ctratamento experimental\u201d, cuja cobertura est\u00e1 de fato exclu\u00edda do contrato, se deve entender apenas aquele sem qualquer base cient\u00edfica, n\u00e3o aprovado pela comunidade nem pela literatura m\u00e9dica, muito menos ministrado a pacientes em situa\u00e7\u00e3o similar. Seriam os casos, por exemplo, de tratamentos \u00e0 base de florais, cromoterapia, ou outros, ainda sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica s\u00e9ria\u201d. O posicionamento consolidado das Cortes acerca do tema levou o Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo, inclusive, a editar a S\u00famula 102, TJ\/SP estabelecendo que: \u201cHavendo expressa indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, \u00e9 abusiva a negativa de cobertura de custeio de tratamento sob o argumento da sua natureza experimental\u201d. O Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 firmou o entendimento no sentido de que \u201co que o contrato pode dispor \u00e9 sobre as patologias cobertas, n\u00e3o sobre o tipo de tratamento para cada patologia alcan\u00e7ada pelo contrato. Na verdade, se n\u00e3o fosse assim, estar-se-ia autorizando que a empresa se substitu\u00edsse aos m\u00e9dicos na escolha da terapia adequada de acordo com o plano de cobertura do paciente. E isso, pelo menos na minha avalia\u00e7\u00e3o, \u00e9 incongruente com o sistema de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, porquanto quem \u00e9 senhor do tratamento \u00e9 o especialista, ou seja, o m\u00e9dico que n\u00e3o pode ser impedido de escolher a alternativa que melhor conv\u00e9m \u00e0 cura do paciente\u201d (3\u00aaT., REsp 668.216\/SP, rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, j. 15.03.2007, v.u., DJU 02.04.2007). Assim, fato \u00e9 que m\u00e9dicos t\u00eam assegurada a liberdade de prescrever os medicamentos mais adequados ao tratamento de seus pacientes e estes, por sua vez, t\u00eam o direito de ter acesso aos rem\u00e9dios e exames necess\u00e1rios conforme a expressa indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Vale salientar que o fato de os medicamentos serem administrados em ambiente domiciliar (dispensando a interna\u00e7\u00e3o hospitalar ou ambulatorial para que o paciente seja tratado) n\u00e3o afasta o dever de cobertura pelos conv\u00eanios. Diante de todas estas breves pondera\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que eventuais restri\u00e7\u00f5es ilegais e injustificadas de cobertura tanto pelos sistema p\u00fablico, quanto pelos planos de sa\u00fade privados no que diz respeito ao fornecimento de medicamentos de alto custo necess\u00e1rios ao tratamento da Hepatite podem (e devem) ser questionados no Judici\u00e1rio a fim de garantir o correto e adequado tratamento aos pacientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estima-se que ao menos 200 milh\u00f5es de pessoas estejam infectadas pelo v\u00edrus da Hepatite C ao redor do mundo. No Brasil, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade estima que 1,5% da popula\u00e7\u00e3o tenha a doen\u00e7a, sendo que 95% das pessoas n\u00e3o sabem disso. 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